Segunda-feira, 22 de Julho de 2019

CRONICA DO NOSSO TEMPO * A RODA DE MADEIRA, FERRADA NA A PEDRA DE LIOZ

 

A PEDRA DE LIOZ, NA FEITURA DE RODAS DE MADEIRA/
ou local de recolha dos enjeitados!

A II guerra Mundial, tinha acabado em Junho de 1945, naquele tempo ainda havia duas pedras redondas de lioz, com buraco no meio, onde assentava o meão da roda  raiada de madeira dos carros de madeira.

Em frente à Trav. do Secretário, havia um grande tanque que recebia água da fonte de Santo António, era aí que as manadas de gado “matavam a sede” no seu transito a caminho do campo, ou no regresso na pernoita nos currais, ao lado no chão uma grande pedra era usada pelos ferreiros da vila, na colocação de ferro nas rodas de madeira, depois de ficarem em brasa  numa grande fogueira, a água servia para arrefecer o ferro.

No largo da fonte do Arneiro, construção de 1711, recebia água através de uma construção subterrânea, com o tamanho de mais de meia légua, desde as terras do Convento de Jericó

A pedra ali existente, conservava também outras razões, que o povo por volta de 1938, ainda lhe chamava a  pedra dos enjeitados!

Sem nome Roda Pedra 1985.png

Na época, na terra já ninguém se lembrava do homem que foi mestre de oficio de forjar o ferro, conhecido por Zé Fungão, que juntava o seu nome, a um outro afamado ferreiro, António Henriques Alexandre, aquele que no trabalho de forja e bigorna, um dia moldou o ferro e os tubos que, depois foram cromados, em Santarém, e ornamentaram o primeiro pronto-socorro dos bombeiros da vila, e ambos tiveram oficina  para os lados da Azinhaga.

O mestre; Manuel Amaro, teve oficina, perto da capela real, mas não foi a sua arte, que o deixou lembrado. O seu sobrinho; José Amaro, também esteve aí para aprender e fazer carreira naquela profissão, mas muitos anos depois já  licenciado em medicina, acabou por escrever um conto verdadeiro, “O Último Dia do Lobo em Salvaterra”, onde recorda que ele o tio, foram  personagens centrais do acontecimento.

Fonte Arneiro - 1995.png

O João Augusto Borrego, mestre que, teve oficina, na EN 118-2, e na antiga casa a porta e janela, já consumidas pela “velhice” ainda se podem ver na madeira, algumas marcas de ferros, de antigos lavradores de Salvaterra.

O mestre-carpinteiro de carros de madeira, António Morais, tinha local de ganha-pão,  ao lado do mestre Amaro, era o artífice proferido, pela arte que mostrava ao fazer os rodados dos carros de bois e carroças.

Sem nome.png

No dia aprazado para a “ferra” das rodas nas grandes fogueiras feitas naqueles locais com água, juntava-se todo o pessoal das oficinas, onde num trabalho de entreajuda, os malhadores; Abel da Silva e José Ferreira tinham trabalho de apreço!

A pedra, que serviu ali junto  tanque de água ( destruído em parte, em 1985), esteve uma boa vintena de anos, encostada a um dos três eucaliptos naquele espaço – um dia desapareceu!

A roda de pedra, junto à fonte do séc. XVIII, era ali que, algumas crianças, após o nascimento eram abandonadas. Manhã cedo, ao clarear o dia, a população, especialmente as mulheres e moças, iam buscar água nos seus potes de barro, para beberem e afazeres domésticos.

Encontravam ali crianças abandonadas – eram enjeitadas!

Recolhidas e entregues à Misericórdia local, onde ficavam algum tempo, após vigilância municipal, não sendo resgatadas por familiares, eram encaminhadas para a Misericórdia de Lisboa ou Casa Pia, onde eram criadas e educadas – ficando registado o seu nascimento, como “expostas!...” em lugar incerto na freguesia e vila de Salvaterra de Magos.

Por volta de 1985, na presidência da câmara municipal do executivo; António Moreira, o seu vereador; Joaquim Mário Antão, tomou em mãos obras de conservação naquela fonte, não deixando de simbolizar o local, colocando ali uma grande roda de cimento, lembrando a pedra de lioz, que há muito dali tinha sido retirada.
*José Gameiro
Fotos: @ do autor - 1990 

publicado por historiadesalvaterra às 14:47
link | comentar | favorito

.mais sobre o autor

.pesquisar

 

.links

.arquivos

. Fevereiro 2021

. Dezembro 2020

. Setembro 2020

. Julho 2020

. Maio 2020

. Abril 2020

. Fevereiro 2020

. Janeiro 2020

. Dezembro 2019

. Novembro 2019

. Outubro 2019

. Setembro 2019

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Junho 2019

. Abril 2019

. Março 2019

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Abril 2016

. Setembro 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Março 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Outubro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Dezembro 2010

. Outubro 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Abril 2008

. Dezembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

.tags

. todas as tags

.Fevereiro 2021

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28


blogs SAPO

.subscrever feeds