Longe vai o tempo do Entrudo Trapalhão, os mais velhos, já aceitam os novos ritmos e danças importadas do Brasil. No entanto, lembram que na sua juventude o Carnaval além de monótono, tinha peripécias adquadas àquele tempo de vivência. Nos anos 50 do séc. passado, era com grande ansiedade que o rapazio esperava a chegada do Domingo Gordo, pois o Entrudo trazia-lhes a liberdade de enfarinhar e, de vestir-se de maneira diferente, porque em tempo diferente seria alvo de censura pública e, não só.... Além da farinha, usava-se corantes desde o vermelho, o azul até o preto e, numa correria constante lá andavam eles atrás das moças , ou vice-versa, para serem enfarinhados. Era usual os pais recomendarem aos filhos que naqueles dias vestissem roupas já em desuso por causa destes "ataques" carnavalescos. O pó de talco e o cré, vendidos em farmácias e drogarias eram os produtos mais usados e, quem não se lembra da loja do Zé Sabino, junto à torre da Igreja, já com pacotes pequenos feitos de papel, a 50 centavos cada, estavam sempre esgotados. O jogo do pote, era uma das brincadeiras que enchiam as ruas de Salvaterra, no entanto os mais desinibidos como " O Timpanas", lá faziam os seus cortejos ou colaboravam nos festivais taurinos, adquados para a época, na praça de toiros,
Uma semana antes, e de noite já muita gente se vestia utilizando disfarces, visitando as casas de familiares e amigos, fazendo vozes e gestos diferentes e, se não fossem descobertos lá pediam/recebiam uma moeda que, depois no final todas juntas dava para beberem uns copos, pois a cerveja era muito cara. Como não eram descobertos, no dia seguinte, as cenas vividas davam azo a comentários de gozo perante os visitados.
As bombas de foguetes, pelo estrondo que faziam já estavam proíbidas de serem vendidas nos estabelecimentos, pois em anos anteriores, por todo o país, muitos eram os jovens que ficavam sem mãos ou dedos, ao tentarem acendê-las.
Se recuarmos no tempo, ouvia-se aos mais velhos, outras brincadeiras, nos anos 20, a torcolência era tal e à falta de melhor, os mais audazes e brincalhões, partiam as tigelas de barro, cheias de fezes e urina humana, que estavam à porta, esperando a passagem do carro da bóia, para a sua recolha.
As terras das ruas, ainda não empedradas nem pavimentadas, ficavam com um cheiro pistolento que durava dias. Brincadeiras deste tipo, era o que se usava naquele tempo à falta de melhor, como agora se usa e, o Carnaval era tempo não desejado por muita gente.
Como é bonito, agora ver carros alegóricos, muita música e, danças frenética do samba, muitos aproveitam para criticar, o que bem entendem, especialmente os políticos mais premiáveis a este tipo de brincadeiras carnavalesca.
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Nota: Extraído do artigo publicado no JVT Nº 138 de 26.02.1998
JOSE GAMEIRO
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