O Ribatejo tem no seu povo rural as raízes de uma cultura primitiva, cuja etnografia disso nos dá conta os usos e costumes do campino e da camponeza, agora conservados pelos ranchos folclóricos. O rio Tejo, muito contribuiu para a forma de viver desta gente que nas terras de Aluvião tiravam o seu sustento e nos mouchões e alvercas a muita pastagem nascia a esmo para o gado.
Salvaterra de Magos, está situada no coração da Leziria ribatejana, que se estende desde a Chamusca até Azambuja e Vila Franca de Xira.
Nos dias que passam a actual agricultura nada tem a haver com a lavoura que se fazia por volta dos anos 40 do século passado. Quando as terras ficavam livres das águas das cheias do inverno, o trabalho agricola voltava em força às terras que dariam pão, as trolhoadas de animais bovino lavrando numa fila, muitas vezes de dez pares.
Pachorentos e com alguma melancolia, lá iam alguns toiros "cangados" como que lembrando os seus 3/4 anos de idade e, a ferocidade leal que punham nas lides nas arenas das praças. Depois de corridos, alguns eram destinados à reprodução da raça, outros, a maioria, depois de "capados e bruxados" lá iam passar o resto dos seus dias nos trabalhos da lavoura que, durava perto dos 15 anos, com um final no matadouro, terminando assim um ciclo de vida, que ia conforme a idade; mamões,anejos,bezerros,garraios/ou novilhos e toiros.
As terras da charneca, eram um espaço que alternava com as da borda-de-água, quando começavam os dias chuvosos de outono/inverno, e todo o gado tinham de abandoná-las.
Os toiros de lide, não deixavam de serem postos à prova dos campinos, pois tinham de "dar o litro"numa estafa de um dia por semana, com um treino em correria, para estarem musculados e, em condições de serem corridos nas praças de Portugal e Espanha, a partir do domingo de Páscoa.
Quando um curro se deslocava emcabrestado, muitos dias antes para uma praça distante, era um acontecimento de grande relevo social, nas povoações de passagem. No destino, com a chegada às praças, as entradas dos toiros eram quase sempre de madrugada, então aí era o delírio das populações, os jovens mais audazes tentavam tirá-los dos cabrestos/ou chocas, com alguma varada de permeio, pois todo o trabalho de condução pertencia aos campinos.
Muitos encontravam nestas esperas, as suas aptidões para virem a ser moços de forcado e bandarilheiros, tal era a coragem de pegar de cernelha, ou capeando, muitas vezes com o casaco.
No inicio do século passado (1900), a praça de toiros existente em Salvaterra, era de madeira, com lotação de 5 mil lugares e pertencia ao hospital de Portalegre.
Quando era menino, ouvi do meu avô paterno e dos seus irmãos, já velhotes e retirados das lides, maravilhosas histórias da campinagem, do seu tempo, pois chegaram a campinos-mor, trabalhando com ganadarias da terra e da região.
Mesmo assim, o encanto e o divertimento que ainda excita os nervos, arrastando multidões, nas praças de toiros, não me seduziu. Ao longo dos anos, fui guardando documentação que agora não deixa de ser importante para deixar algo escrito "A Propósito de Toiros em Salvaterra!"
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Nota: Extraído do livro Nº 2 da Colecção "Recordar, Também é Reconstruir!"
JOSE GAMEIRO
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