Texto: modificado e aumentado em 3.9.2012 - 20,00 horas
Poucos anos depois da segunda guerra mundial ter acabado, a população mais “desinibida” de Salvaterra de Magos, apreciava tomar os seus banhos de verão nas refrecantes águas do Tejo, e fazer os seus petiscos, aproveitando as sombras, de algumas pinheirocas de grande porte, junto ao antigo cais da Palhota. Era ali a Praia dos Tesos!... Este local, ficava próximo da Quinta das Botelhas, onde o seu proprietário; Virgolino Torroaes, cultivava uma espécie de vinha, que lhe dava uva, para fabricar os seus famosos vinhos licorosos, entre eles o "Toiro Real".
As cheias naquele tempo continuavam ciclicas nos invernos cuja chuva durava meses. O rio Tejo, sempre revoltoso, fazendo movimentar as areias das suas margens, mostrando aqui e ali grandes areais, nos dias calmos de verão, que podiam ser aproveitadas para praia.
Na sua margem sul, ali próximo da vila, de Salvaterra de Magos, junto ao “Mouchão da Saudade”, um bom arial, convidada a ser usado como praia fluvial. Para chegar ao local, percorria-se a partir da ponte da vala real, um pedaço de estrada empedrada, descia-se a um caminho de terra, no meio do campo, que ladeava umas pequenas “boiças”, de algumas familias, onde um pequeno poço de um metro de profundidade, dava água suficiente para a sua rega, tirada através de uma picota.
O séc. XX, tinha ultrapassado a sua metade, já havia uma década, os mais abastados continuavam de abalada até à Nazaré e Figueira da Foz, em época balnear, ou para as Termas. Depressa a Palhota, foi substituída como local proferido dos salvaterrianos.
A este novo local, mesmo ali junto ao" Monchão da Saudade", os mais antigos teimavam em lhe chamar Praia dos Tesos. O povo em grande numero, podia usar a sua areia brihante, mostrando cristais, quando o sol estava a pino.
Era uma nova praia fluvial.
Muitos levavam, para além do farnel, os seus apetrechos de pesca, pois o local com alguns “fundões”, e os “Mouchões” à vista, davam uma boa pescaria de peixes do rio, que ainda tinha-os em abundância.
Sendo nós, um jovem naquela época, também lá passavamos alguns momentos de grande alegria, naquelas águas e sombras, do vasto arvoredo, tomando notas num pequeno bloco de apontamentos. Muitos anos depois, em 1975, já com uma Comissão, que chamou até si, os arranjos e a sua vigilância, o povo via e acarinhava as transformações que durou algum tempo, pois anualmente era preciso uma máquina ir até lá, e limpar aquele espaço das impurezas deixadas pelo Inverno anterior. Os membros da Comissão, muito trabalharam, e não deixaram de escolher outro nome para aquele espaço - "Praia Doce" foi o nome encontrado. Fizeram contactos com entidades oficiais, que lhes podessem dar apoio, pois contavam desde a primeira hora com o executivo camarário, na cedência de máquinas e material, para a construção de assadores, bancadas e um pequeno vestibulo para senhoras. Um novo arvoredo foi plantado no local.
Decorriam os arranjos, levados a cabo pela Comissão, em 1976, na colaboração que vinhamos dando já à alguns anos, no Jornal " Aurora do Ribatejo", com redação em Benavente, não deixamos de nos lembrar daquela Praia Fluvial, uma vintena de anos antes e publicamos o texto seguinte:
“ Manhã cedo ainda sob os primeiros raios de sol, que nos vem anunciar um dia de canicula, chegam as primeiras pessoas junto ao salgueiral, mesmo a beijar o Tejo, ainda vazio. Logo se apressam a limpar o terreno, dos pequenos paus e canas, meio apodrecidas pelas àguas de tantos vai e vem, e demais impurezas, que o rio trouxe àquele local, na maré da noite. As suas “coisas” são espalhadas em local escolhido; as cadeiras e mesas portáteis são abertas; o cobertor e talhares são postos em posição de ser servido o pequeno almoço. Muito perto, a escassos metros, algum gado movimenta-se para junto de um pequeno regato, que se aninha nas areias do rio, a fim de se sedentar, de uma noite passada ao relento. Agora, uns atrás dos outros como em fila indiana, começam a chegar os habituais banhistas com os seus amigos e familiares.
Alguns trazem, além dos “farnéis”, apetrechos da pesca (cana,bornal e saca-peixe), afim de se dedicarem ao seu desporto, pois no local a fataça abunda emquantidade. Num ápice toda a zona protegida pelas sombras do salgueiros, que é conhecida pela PRAIA DOS TESOS, está cheia de vozes humanas, que trazem em desassossego aq pardalada que mal tinha acordado.
Nas primeiras horas, os adultos aproveitam para fazer uma colheita de pequenos paus e canas, mesmo ali à mão, a fim de começarem a fazer lume para as suas caldeiradas. Muito perto das onze horas da manhã encontramos algumas criancinhas pelas mãos dos seus vigilantes, que vão para as areias muito brilhantes do rio, que mais parecem cristais, e onde a maré começa a movimentar-se, a fim de aprenderem a prática da natação.
No entanto os mais tímidos choraqm em altos gritos, não só pela água fria, como também pelos grandes “tufões” de água que a rapaziada maior faz com as suas brincadeiras. Quase todos os presentes que no local, se encontram, escolhem a hora do almoço, entre a uma e as duas da tarde, e assim ao som da música e das anedotas entre umas goladas de bom vinho dos campos de Salvaterra, a camaradagem é excelente e já ninguém se lembra da semana que findou.
Pela tarde dentro uns dormem a sesta, outros brincam na areia da praia com jogos de bola; outros ainda vão continuar na pesca, enquanto as moças se estendem na areia afim de bronzearem a pele num corpo a despontar para a vida.
Depois do lanche e já com a noite a fazer negaças ouvem-se os motores dos muitos automóveis, motos e motorizadas, a emprestar ao local um ambiemte, que até ali era calmo e sereno, como a lembrar o quotidiano, que os espera no dia seguinte. Os últimos a abandonar o ambiente calmo das aprazíveis àrvores, e da água transparente do rio, são aqueles que se fizeram deslocar a pé.
Na enconta do“Mouchão da Saudade”, os milhares de buracos, até ali despovoados, são dos Milharós, passáros que que vão voltando aos seus ninhos.
No rio, já com a maré em pré-mar, ainda se vêm alguns nadadores, tentando apanhar o tempoque se lhes escapa, fazendo dentro da zona balizada e em segurança, algumas palhaçadas, como que a despedirem-se até ao próximo domingo”.
Salvaterra de Magos, 8 de Junho de 1976 ****** José Gameiro
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Esta divulgação através daquele semanário, teve o condão de alargar o conhecimento da existência daquela praia, passando a ser conhecida em todo o país, e de trazer ao local, outros utilizadores, que procuravam ali um espaço de lazer e vereaneio. Em 1978, já os bombeiros com uma ambulâmcia e material de primeiros socorros, permaneciam no local, e exploravam um pequeno bar.
Os latões de lixo, eram recolhidos todas as segundas-feiras, pelos serviços municipais e os assadores eram preparados para a semana seguinte.
O pessoal de algumas firmas, dos arredores de Lisboa, vinham até à Praia Doce, para os seus convívios. Depressa o Campismo desordenado, e a presença permanente de um grupo de familias da etnia cigana, levou ao conflito dos utentes semanais, que foi deixando de frequentando a praia. Foi uma chaga, que levou a que um proprietário vizinho, tenta-se obstruir o seu acesso, vedando a passagem, chegando mesmo ao corte dos salgueiros, situação que se passou em 1983.
Os autarcas, por volta de 1995, continuaram a apostar, naquele local que o povo já tinha eleito para os seus tempos de vereaneio, tendo melhorado o local, com espaços para estacionamento, melhorando as casas de banho. E todos os inicios de época uma máquina, continuava a ir ao local, limpar os lodos, ficando as areias em condições de serem usadas.
Anos depois, em 2004, aproveitando o programa comunitário - Valtejo, outros autarcas, fizeram obras de requalificação, que segundo dados divulgados, orçou em 130 mil euros, onde apareceram umas construções em madeira e espaços para o estacionamento automóvel. desenhados no chão, em cimento.
O chamariz dos utilizadosres, em tempo de vereaneio, nunca foi feito em grande escala. Tudo foi deixado ao deus dará!... Últimanemte, quando da limpeza civica que se fez em todo o país, um grupo de individuos que estudam o eco-sistema, especialmente a fauna – especíes de aves, que habita a zona, estiveram lá dando o seu contributo na limpeza. A Praia Doce, como fim turistico, não se encontra sinalizada, nos vários pontos da vila de Salvaterra de Magos.
A muita erva, a falta de conservação do espaço, leva ao vandalismo, afastando os banhistas daquele aprazivel lugar, não os cativando, pois está num absoluto desleixo.
JOSÉ GAMEIRO
Nota: Fotos 1 - Terreno e Praia Fluvial * Vedação do acesso à Praia e Salgueiral cortado * 2 - Construções em madeira, construídas em 2004 * Construções vandalizadas 2012
Nota: Ver o Posts Nº 14 - Recordações na Praia dos Tesos (Agora Praia Doce) - 02 de Dezembro de 2007
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