A água corria a céu aberto pela Trav. do Secretário, para encher aquela construção em pedra de lioz. Era uma construção normal, a tirar para o cumprido, com uma altura por volta de um metro, as lages que faziam as suas paredes,mostravam uma espessura, que suportava uns milhares de litros de água, e quando cheio, deitava o seu excedente para uma pequena vala, que a transportava até à vala real. Era ali, que o gado em manadas, ladeando a vila, pelos terrenos de trás-de-monturos, se sedentavam da canseira de muitas horas percorridas nas suas idas e vindas através dos campos de Salvaterra. O próprio gado leiteiro que tinha estábulo, na vila, ali vinha beber ao cair da tarde. A sua limpeza interior, do verdete que ia aparecendo, era feita numa média de três vezes por ano.
Por volta, de 1957, meu pai e um outro funcionário camarário, ainda se encarregavam daquele trabalho, usando muitas vezes arreia do Tejo, com uns restos de pano retirados de velhas camisas. O rapazio, não se atrevia, talvez por medo ou respeito, a atirar um pequena pedra lá dentro, o mesmo acontecia ao regato que lhe transportava a água, pois sabiam da sua importância, pra a vida da comunidade local. Um dia, talvez em 1985, o executivo camarário, construiu naquele terreno umas instalações oficinais, e vai daí como o tanque à muito não servia, entulhou-o. Desapareceu, assim mais mais um vestígio de outros tempos, de outros modos de vida do povo de Salvaterra. Alguns centenários eucaliptos foram resguardados da destruição, continuando nas suas altas copas ciclicamente,ano após ano, as muitas cegonhas a nidificar nos seus grandes ninhos. Uma cabine transformadora de electricidade, para reforço do abastecimento público à vila, foi ali construída.
Há dias, numa limpeza ao terreno que circunda, as precárias instalações oficinais municipais, e o canil municipal, foi posto a descoberto a base do grande Tanque,sem vestígios das suas grandes lages que lhe tinham servido de paredes.Estas talvez, estejam misturadas com o muito entulho removido. O Tanque, decerto para muitos, especialmente as gerações mais novas nada lhes diz, no entanto era emblemático, fazia parte das memórias da história de Salvaterra de Magos, que tão parco está,do que nos possa mostrar do seu passado.
Nota: No caderno de Apontamentos Nº 36, “ O Abastecimento de água a Salvaterra, através dos séculos” incluído no II Volume da Coleção “Recordar, Também é Reconstruir” - editado no Blogue: www.históriadesalvaterra.blogs.sapo.pt
Fotos: 1 – Fonte de Santo António, quando da sua destruição (1957) * 2 – Os Eucaliptos, ladeados de água, quando as águas das cheias ali chegavam (1960) * A base do grande Tanque de água, agora posto a descoberto* Fotos do Autor
JOSÉ GAMEIRO. DATAS MEMORÁVEIS
. OS MEUS BLOGS
. PATRIMÓNIO DE SALVATERRA DE MAGOS
. LITERATURA SOBRE SALVATERRA DE MAGOS
. HISTÓRIA DE SALVATERRA DE MAGOS
. DADOS SOBRE O AUTOR
. APRESENTAÇÃO DO AUTOR - INDICE DOS TITULOS
. LIVROS EM FORMATO DIGITAL (PDF)
. HISTÓRIA DO CLUBE DESPORTIVO SALVATERRENSE
. OS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE SALVATERRA DE MAGOS
. SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DOS FOROS DE SALVATERRA
. SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DA TAUROMAQUIA EM SALVATERRA DE MAGOS - SÉC XIX, XX, XXI
. HOMO TAGANUS (AFRICANOS EM PORTUGAL) - CONCHEIROS DE MUGE
. SALVATERRA DE MAGOS - VILA HISTÓRICA NO CORAÇÃO DO RIBATEJO
. CLUBE ORNITOLÓGICO DE SALVATERRA DE MAGOS - A SUA HISTÓRIA
. A TRANSPORTADORA SETUBALENSE
. ÁRVORE GENEALÓGICA DAS FAMÍLIAS BASTOS FERREIRINHA E LOPES (materno)
. ÁRVORE GENEALÓGICA DAS FAMÍLIAS CANTANTE, SILVA, NEVES, TRAVESSA E GAMEIRO (paterno)
. SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DA HISTÓRIA DA MISERICÓRDIA DE SALVATERRA DE MAGOS
. SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA - BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE SALVATERRA DE MAGOS - 2ª EDIÇÃO
. PALÁCIO DA FALCOARIA - FALCOARIA REAL DE SALVATERRA - 2ª EDIÇÃO
. A VILA DE SALVATERRA DE MAGOS - 2ª EDIÇÃO
. OS DIAS QUE SE SEGUIRAM AO 25 DE ABRIL DE 1974 - 2ª EDIÇÃO
. RESENHA GENEALÓGICA DESCRITIVA - FAMÍLIAS FERREIRA ROQUETTE & BRITO SEABRA
. OS IRMÃOS ROBERTO(S) - UMA DINASTIA DE TOUREIROS - 2ª EDIÇÃO
. GREGÓRIO FERNANDES E SEUS FILHOS, REFERÊNCIAS NA HISTÓRIA DA MEDICINA PORTUGUESA DOS SÉC. XIX E XX
. SALVATERRA DE MAGOS, CRÓNICAS DO NOSSO TEMPO - I VOLUME
. CADERNOS DE APONTAMENTOS Nº 0 - 6 (VOLUME I)
. CADERNO DE APONTAMENTOS – Nº 7 - 13 (VOLUME II)
. CADERNO DE APONTAMENTOS – Nº 14 - 22 (VOLUME III)
. CADERNOS DE APONTAMENTOS Nº 23 – 29 (Volume IV)