Quarta-feira, 22 de Abril de 2020

O TERRAMOTO DE 1909 . EM SALVATERRA DE MAGOS

O Terramoto de 1909 - em Salvaterra de Magos

Ficaram nas notícias dos jornais da época e, aqui lembramos passados 111 anos depois o que foi os grande estragos e sofrimento que causou, o terramoto de 1909, em Benavente, Samora Correia e Salvaterra de Magos – as mortes, foram as suas grandes vítimas!

O terramoto no ano de 1755, que se abateu sobre a cidade Lisboa, onde os focos de destruição foram de tal monta, que depressa fez esquecer, aquele de 1581, que o povo ainda guardava nas suas memórias. Certo é, que este último, segundo rezam as crónicas desde sismo , tinha obrigado o rei D. João III, que pernoitava no Paço de Benavente, a fugir com sua comitiva  para Alhos Vedros, e depois esteve em Azeitão, onde passou uns dias a recompor-se do susto.

2 Paço real.png

Os relatos contam-nos, que aquele Aposento Real de Benavente, acabou por desabar por completo, até porque a terra, tremeu e fez-se sentir, foi  de tal monta,  em toda a bacia do Tejo; Vila Franca  (assim conhecida em 1855), Azambuja, Santarém, Castanheira do Ribatejo.

Os mais antigos de Salvaterra, e que estavam vivendo em dois séculos, lá iam falando do ocorrido em 1858, que destruiu a fachada do Paço real da vila, uma construção que vinha da  iniciativa do Infante D. Luís no séc. XIV. Além das habitações, a Igreja Matriz, mostrava danos na sua torre, nas paredes e a cruz de pedra, em cima da porta de entrada da sua frente caiu.

2 Terramoto.png

O mais recente, o terramoto de 1909, provocou mais estragos e mortes na vila de Benavente, tendo as terras limítrofes de Samora Correia e Salvaterra de Magos, sofrido mais estragos no campo das construções. O dia 23 de Abril, segundo relatos que nos ficaram para a história deste sismo, tinha nascido com o sol um pouco morno, pois o tempo de Primavera, já se fazia sentir nestas terras da Lezíria ribatejana. Os rurais, com o dia a meio  do trabalho braçal, já inclinando para os alvores da noite. foram alertados com a terra a tremer, ali junto às margens do Tejo.

  De Salvaterra, os patrões enviaram alguns Abegões, que de cavalo percorreram o campo, e ordens houve “regressem a casa”, mas em fila!

Sem nome.png

As réplicas continuaram, mesmo no dia seguinte, com o povo concentrado no Largo em frente à Câmara Municipal. As pessoas gradas da terra, reuniram num celeiro do lavrador; Gaspar Ramalho, com este a tomar a iniciativa das providências a tomar, informando o Governo em Lisboa e, o seus representantes em Santarém.

De Setúbal, chegou à vila um Batalhão de militares, Sapadores, durante meses procederam à limpeza do entulho, em que ficaram a casas, mantiveram a ordem e a paz entre a população.  A Cruz Vermelha, não deixou de fazer a montagem de algumas barracas que albergaram ao longo dos meses as famílias desprovidas de habitação.

 Nos anos seguintes, a recuperação de Salvaterra, trouxe benefícios à vila, deixou de estar confinada às suas 8 ruas primitivas, e a  urbanização passou a ter  espaços novos, a sul e poente da Igreja Matriz, onde nos dias que passam, podem ver-se  construídas modernas habitações e  bairros sociais e cooperativos.

*José Gameiro

Nota: Doc. recolhidos pelo autor e publicados no Jornal Aurora do Ribatejo * Texto “ Os Dias que se Seguiram ao Terramoto de 1909”, do autor, e publicado no Jornal Vale do Tejo 1999 *

 Caderno 17, publicado Vol III Colecção Recordar, Também é Reconstruir * Livro: O Sismo de 1909, em Salvaterra de Magos, edição Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Abril 2009 * O Terramoto Foi à Um Ano, Cronica do autor, 6.3. 2009 – www.historiasalvaterra.blogs.sapo.pt *

publicado por historiadesalvaterra às 19:04
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Terça-feira, 7 de Abril de 2020

CRÓNICA DO NOSSO TEMPO - Batista Pereira, treinou, nadando na Vala Real de Salvaterra de Magos

BATISTA PEREIRA, TREINOU, NADANDO  NA VALA REAL DE SALVATERRA DE MAGOS

* (Recordações) *

As Festas de Salvaterra de Magos, naquele ano de 1983, tinham a participação de uma viagem de pequenos barcos à vela, de recreio e alguns de calado mais fundo, que de Alhandra chegariam a Salvaterra. Era mais um Cruzeiro do Tejo, uma organização da Secção de Vela, do Alhandra Sporting Club e, uma multidão acorreu ao cais da vala, pois depressa correu a noticia que entre os participantes, vinha o antigo nadador; Batista Pereira.

Joaquim Baptista Pereira[1].jpg

 A viagem de regresso estava prevista para o Domingo seguinte, aproveitando a maré. No meio daquele emaranhado de velas e barcos, que davam outro colorido espelhado na água da maré cheia, lá no meio da grande comitiva de participantes, entre aqueles que já lançavam cordas para a atracagem, via-se num pequeno barco de recreio, recolhia velas um homem baixo, pesado de corpo, de casaco branco, tipo jaqueta, onde a alvura do pouco cabelo, debaixo de um boné de marinhagem, chamava a atenção, especialmente dos mais antigos ali presentes.

 – Aqueles que um dia de 1954, viram aquele homem lançar-se à água, num treino, de regresso a Alhandra, depois de ter passado a noite na Pensão do Café Ribatejano.

 A tarde já estava a meio e com a atracagem dos barcos feita, o movimento no cais estava mais calmo, depressa regressei ao Largo da vila, local onde iam decorrer as principais atracções dos festejos. A rua que dava acesso aos Bombeiros, já tinha farto movimento nas Tasquinhas, uma forma de receita das Associações Sociais e Colectividades da terra.

Ali, próximo junto a uma velha janela da antiga construção, que um dia foi de Adega e Armazéns, construção que vinha de 1900, lá estava; Joaquim Batista Pereira,  “espectado” a contemplar o andar do Ribatejano, onde um dia houve uma Pensão e lá tinha dormido uma noite.

Deveras, talvez a recorda-se, daquele ano de 1954, tempo que treinava para a travessia do Canal da Mancha, onde venceu pela primeira vez, numa distância que percorreu, nadando, em 12 horas, e numa outra presença, em 1959, conquistou o 3º lugar.

Na madrugada daquele inverno, de 1954, o nevoeiro era intenso, muito povo se concentrou no cais e no valado que resguarda a água da vala, até à Boca da Goiva.  Eu, ainda menino de escola, morava ali no Botaréu e, passei a noite em desassossego, para ver o nadador; Batista Pereira, àquela hora que o povo dizia que, ele, iria iniciar a sua natação de regresso até à sua terra natal, lá estava eu, entre aquela multidão de gente. “O Gineto”, como Soeiro Pereira Gomes, o descreveu  no seu livro “Esteiros”, chegou a pé pela rua Direita, despiu um roupão de agasalho, ficando com uma peça de natação vestida e, os seus assistentes “ensaboaram-lhe o corpo” em gordura, lá foi colocado uns óculos e uma touca.  Depressa atirou-se à água, e iniciou a viagem de treino, até Alhandra, distância de cerca de 6 Kms, demorando o tempo de 4h34m.

O Valado apinhado de gente acompanhava o nadador nas suas braçadas, num ritmo cadenciado, acompanhado de perto por um pequeno barco com os seu treinador.  Ao  chegar à ligação das águas do Tejo, voltou-se,  e lá fez vários acenos de despedida, aqueles entusiastas  entusiastas responderam-lhe batendo palmas. Momentos depois desapareceu ao longe nas águas do rio!

- Batista Pereira, nasceu em 1921, começou em criança a nadar pelos Mouchões do rio Tejo, e nas suas alvercas enchia um bote de moliço, nadando, puxava-o através de uma corda amarrada à cintura.   Entre as cerca de 150 provas que participou em Portugal, nas distâncias de longa distancia no Tejo e no mar, também participou e bateu recordes, em Outubro de 1953, e Setembro de 1959 ao atravessar o estreito de Gibraltar. Morreu em Junho de 1984 * José Gameiro

Foto: Internet

publicado por historiadesalvaterra às 16:37
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