Segunda-feira, 24 de Junho de 2019

CRÓNICA DO NOSSO TEMPO - Quando havia Fornos de Cal em Salvaterra de Magos - Séc. XX

O FORNO DA CAL DO MANUEL GONÇALVES,

O ano de 1955 estava a meio, os dias já eram solarengos, anunciando que o Verão não estava longe. A população da vila já estava habituada a ouvir o barulho de explosões não muito fortes, lá para os lados do cemitério da vila.  Era quando as pedras de calcário se partiam na cozedura, no forno da cal.

 Manuel José Gonçalves, num seu terreno explorava um forno de cal, e fabricava alguns derivados, como  liquida virgem  e em pó. O seu filho; Júlio Gonçalves, além das vendas, também tinha contactos com os fornecedores nas pedreiras lá para os lados de Rio Maior.

O Forno era uma construção artesanal em pedra – já limpa do calcário ( de cor negra, e  acinzentada), até uns 3,4 metros de altura, após o nível do solo. Terminando a sua forma abobadada com um grande buraco para respirador dos Gazes.

 Coberto com terra onde crescia a erva. As pedras calcárias usadas na cozedura, desfaziam-se na temperatura entre 800 a 1100º C. O fogueiro, Aníbal Silva, homem já de idade respeitável, era conhecido pela alcunha “Aníbal Pedregulho”, talvez por ser baixo, e de ter barriga deselegante, era pessoa experimentada na sua faina e tinha alguns ajudantes.

 Por vezes de tarde, quando eu, dava de comer aos 2 porcos que meus pais tinham de engorda numa pocilga, entre muitas existentes, lá os ouvia gritar ao rapazio das barracas:  - não se aproximarem daquele perigo !

As muitas barracas que já por ali existiam, com as primeiras aparecidas no inicio na década de 40 do séc. XX, sendo autorizadas pela câmara, às famílias de origem rural com dificuldades  em alugar casa na vila. 

cas cal.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um dia, quando levava diariamente um balde de comida aos porcos, que meus pais por ali tinham, numa pocilga, atrás do cemitério, ao ouvir algumas explosões, lá me afoitei, e estive por perto a ver.

 – Homens com paviolas de madeira, atirando pedras para o lume. Ali também existia um armazém, com pequenas pedras já em cal, e bidons com cal liquida e em pó. Um outro guardava a lenha, para ser queimada. A Cal era vendida à Arroba (15 quilos) a 3 escudos e 50 centavos. A pedra queimada estava em vários montes, para venda - era usada nos cabocos das construções.

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Os derivados da cal (pedra e massa), também eram vendidos na vila, pelo taberneiro; António Ramalho -  o António Maceira. Quando se pretendia dar outras cores à cal, usavam-se óxidos, corantes que se vendiam nas Lojas de Drogarias e Ferragens.

Era tradicional aqui em Salvaterra, especialmente as Casas Agrícolas,  o uso da cor azul nas barras das Casas de Habitação, Palheiros e Adegas. Os agricultores também usavam a cal em pó para “temperar” as terras.

Em Abril de 1957, quando  entrei no mundo do trabalho, na Central das carreiras, vi os meninos e meninas da escola com suas batas brancas, em cima de um grande morro, a um canto do muro da antiga Horta do Sopas – frente à EN 118 e Praça de toiros, acenavam com pequenas bandeiras portuguesas e inglesas, a rainha Isabel II, estava de visita oficial a Portugal!

Una anos depois, já colaborador do jornal “Aurora do Ribatejo”, fiz uma procura sobre a existência de Fornos de Cal na vila. Além daquele da família Gonçalves, já apresentando alguma ruína (não trabalhava), vim a saber através dos mais antigos, e era voz corrente, que debaixo do morro, da Horta do Sopas, existiu um Forno de cal, que vinha dos tempos, em que Salvaterra teve um Forno de Vidro, conhecido entre os séc. XV e XVI.  António Santos (António Béu), lembrava-se que por volta de 1930, só existia aquela elevação de terra.Na década de 80, os anexos do antigo Forno de cal, serviam para Júlio Gonçalves, explorar uma vacaria que produzia leite.
*José Gameiro

Nota: Foto 1do autor (Forno de Cal - Inactivo em 1970) * Foto 2 Publicidade de 1936

publicado por historiadesalvaterra às 11:53
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