Quinta-feira, 20 de Junho de 2019

CRÓNICA DO NOSSO TEMPO *QUANDO HAVIA A REMONTA DO EXERCITO em Salvaterra de Magos.

QUANDO HAVIA  DEIRA DE REMONTA DO EXERCITO,

em Salvaterra de Magos

A Remonta de Solípedes e Cavalos tinha na primeira metade do séc. XX dois períodos do ano que decorriam no país, para o suprimento dos  efectivos. do exército português.

No norte do pais, recrutava-se mais o cavalo Garrano para o uso no transporte.  No Ribatejo, em Salvaterra de Magos, verificava-se no início da Primavera, e final do Verão, e a vila nesses dias tinha movimento desusado. 

Por volta do mês de Março, os Lavradores e outros detentores de animais vendiam  os que não usavam para o inicio das sementeiras. Em Setembro, pelo S. Miguel, quando as colheiras do ano estavam no fim, e o gado era preparado para deixar as terras do campo, para passarem o Inverno na charneca.

Os cavalos asilvestrados da raça Sorraia em maior numeram, que o Lusitano, que viviam desde poldros nos mochões do Tejo, sem nunca terem levado corda, eram recolhidos, para estarem a salvo no Inverno das cheias daquele rio.

Aqueles destinados à sela, também chamado “cavalo de monta” ou “cavalo andador” – eram sujeitos a um intenso trabalhado de desbaste e ensino, primeiro por Campinos já muito experientes, e no final por mestres cavaleiros, que alguns lavradores tinham a orientar as suas cocheiras.

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O mesmo se passava com os solípedes, até se tornarem animais mansos de carroça.

 Os Lavradores de Salvaterra, tinham na vila espaços chamados locais da Cobrição – onde faziam a mistura de cavalo com égua, ou a “hibridação” de cavalo/ou égua, com burro/ou burra, dando origem à mula ou macho.

Era uma produção para equilibrarem as finanças das suas Casas Agrícolas, e todos os anos destinavam os excedentes, ou já marcados à nascença para a Remonta do exército.

- A Câmara Municipal, intermediava a realização do Mercado, emitindo por sua vez  um edital, que dava a conhecer em todo o concelho, do dia e hora da Remonta. No texto do documento era informado também os preços a pagar para cada espécie.

O Mercado da Remonta, normalmente realizava-se ali junto à Fonte de S. António da vila. Manhã cedo, muitas vezes até na véspera, já chegavam animais para a Inspecção e compra.

 – A remonta, era um trabalho feito por equipas militares que incluíam oficiais do ramo de cavalaria, e veterinários. Todos usavam bengalas métricas, e numa primeira fase lá selecionavam os animais nobres, seguindo-se depois as bestas de carga.

 Em reunião de um júri eram apartados “como comprados”, seguia-se o carregamento. O pagamento vinha uns meses depois através das das Finanças.

Muitos destes oficiais militares, ficavam alojados durante alguns dias, nas habitações dos Lavradores da terra, onde usufruíam de alimentação e cama. Os soldados com e sem divisas, tinham aposentadoria, nas Abegoarias.

Vinha de séculos esta prática mesmo com os civis quando vinham administrar o Paço e sua Coutada, enquanto não tinham aposentos próprios, encontravam guarida nas casa realengas da terra. O mesmo aconteceu com militares de patente, que integraram o Regimento Cavalaria 10, criado por decreto de D. Miguel em 1833, e instalado em Salvaterra e que guarnecia o seu Paço Real.

 No final do séc. XIX, registaram-se a chegada a Salvaterra de um tal Menezes e um outro de nome Vinagre, e ficaram nestas condições.

 No terramoto de 1909, a guarnição militar do ramo de engenharia, que aqui se instalou para a recuperação dos estragos na urbanização na vila, estava o militar, Engº João Oliveira e Sousa.  Encontrando guarida no seio da família do agricultor, Porfírio Neves da Silva, veio a enamora-se de uma das filhas, com quem casou.

Veio a ser um próspero lavrador, em Salvaterra, tendo desenvolvido e apurado o cavalo Lusitano, raça de animal que ainda hoje é preservada pelos seus netos.    

No dobrar do séc. XX,  no Largo daquela Fonte, junto à câmara municipal, houve um Mercado de Remonta.

*José Gameiro

Nota: Fotos 1 e 2 ) Internet * 3) Alex. Cunha

publicado por historiadesalvaterra às 22:09
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