A população do país, anda alarmada com o coração nas mãos. As estatísticas dizem, em Portugal há mais de 600.000 desempregados. Muitas famílias, encontram-se desesperadas, raro é aquela que, não tem pelo menos um membro na situação de desemprego. As gerações mais novas, aquelas que nasceram depois da madrugada de Abril de 74, menos precavidas, para estas situações de dificuldades, vêm esta situação com um ar incrédulo. Algumas estão confusas, com tanta conversa sobre o assunto. Outras, decerto o assunto não é com elas. No entanto todos sabem que algo se está a passar, e que lhes vai “ofuscar” o futuro, que sempre pensaram encontrarem cheio de luz. Hoje mesmo, foi anunciado ao país, em duas conferências – uma do governo demissionário e, uma outra da Troika, que durante três semanas estudou os nossos problemas, a forma e o método em que nos emprestavam os fundos para sairmos da crise em que vivemos, depois da situação económica e financeira conhecida de todos e da sua origem.
As crises em Portugal, não são novas, nos tempos modernos. Quem nasceu, após a II guerra mundial, como eu, sabe bem o que é passar fome e viver desgraçadamente. Outras gerações, as mais antigas, ainda nos vão dizendo de como é comer o “pão que o diabo amassou”, quando foi no tempo do primeiro conflito mundial, 1914 – 1918. Eu, por mim lembro-me. Estávamos em 1948, a guerra já tinha acabado há uns anos, no entanto havia quem comesse alguma coisa, através do “Plano Marshall”, uma ajuda americana, aos países da Europa. Era o tempo, em que uma sardinha salgada ( o peixe fresco do mar era raro), era dividida para três. Nunca passei fome, em abono da verdade o digo, mas lá que comia
uma fatia “parideira”(1), muitas vezes com café adossado com um rabuçado de açucar amarelo, decerto aconteceu. Muitas familias, nos dias da matança dos animais (porcos, carneiros, vacas), no matadouro municipal, logo pela manhã ali depositavam um pequeno recipiente de aluminio, com vinagre e sal, para lhes ser atribuído uma porção de sangue, que depois coziam, sendo comido em pequenas fatias ( parecia um pedaço de chocolate, dos tempos actuais). Descalço, também andei, especialmente quando brincava, pois à noite havia vistoria à roupa e calçado. Com os meus 4/5 anos de idade, era colocado na fila, às 6 horas da manhã, para ganhar vez do abastecimento da comida familiar, através do racionamento. Os trabalhadores do campo, esses, ao caminharem para os trabalhos a pé ( ao nascer do sol, “ferravam” a trabalhar e ao por do sol “desferravam”), com outras tantas horas de andar, até chegar a casa e ainda fazer a ceia. Pelo caminho, nos valados, “ripavam” algumas ervas “Cagarinhas”, para cozer substituindo as couves. Quantas vezes, percorri a pé, com as outras crianças, tais percursos.
Não havia creches, existiam algumas amas, mas só estavam ao alcance dos bolsos dos operários, que tinham mensalidade certa, nas casas agrícolas. Já depois de dobrar o século, o nível de vida mostrava algumas esperanças de melhoramento. Entretanto veio o início das três frentes de guerra, nas chamadas Províncias Ultramarinas (Angola, Moçambique e Guiné). Para ali, foi mobilizada toda a juventude de Portugal. A fuga para os países europeus, na esperança de melhores dias alcançar, levou o melhor que havia de mão-de-obra. Entretanto, as novas gerações eram atraídas, para o consumismo, o dinheiro fácil, trouxe novas formas de viver – compra de casa, carro e férias anuais. Os vícios, entraram no seu modo de vida. A poupança, era coisa dos seus pais e avós. A crise do petróleo, com valores muito altos, nas importações, marcou o início da década de 70 e, logo a seguir as convulsões do PREC, cuja instabilidade muito marcou o país, depois da esperança com o 25 de Abril de 1974. Em 1983 a crise económica e financeira, que obrigou os nossos governantes, a solicitarem a ajuda do FMI. Tudo já passou, ninguém morreu por causa disso, mas muita miséria era desnecessária, se nós povo português, soubéssemos aprender com os nossos erros. Agora, tenhamos esperança em melhores dias!... (1) – Fatias de pão seco, frito enrolado em ovo. Nota: Senha de Racionamento, distribuída pela Junta de Freguesia de Salvaterra de Magos * Na foto o autor é o terceiro do grupo (1955)
JOSÉ GAMEIRO
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