Eles, vão querer voltar - não nos esqueçamos deles!....
O regime instituído após o 28 de Maio de 1926, fixou que os vereadores eram convidados pelo presidente da câmara, sendo este escolhido e convidado pelo governador civil do distrito, ficando assim constituído o executivo camarário.
Pessoas respeitadas nas freguesias, disponibilizavam-se a exercer aquele cargo a título gratuito. As obras necessárias, actividades culturais e desportivas, eram negociadas num sistema colegial, onde obter os maiores e melhores benefícios para as suas terras, dava origem “dar para receber”, sem que houvesse necessidade de intromissão nas pretensões de cada comunidade.
Tal inibição, preservava influências menos gratas às várias populações do concelho, até porque elas são possuidoras de uma raiz cultural própria. Além das opiniões técnicas da engenharia da época, os vereadores tinham a humildade de construir com o apoio do povo, ouvindo-o nas suas necessidades.
Veja-mos um exemplo;
Nos anos de 1933/35, Armindo Biscaía de Jesus (freguesia de Muge), Joaquim Pereira Marques (Marinhais), Alfredo Rodrigues da Piedade e Henrique Martins (Salvaterra de Magos), pertenciam ao executivo chefiado por Luiz Ferreira Roquette. Numa reunião da Câmara Municipal, os vereadores de Salvaterra, ao pretenderem a construção de dois fontanários, na sede do concelho, tiveram de ceder contrapartidas às outras freguesias. A negociação levou também à construção de uma fonte igual às de Salvaterra, na vila de Muge e, Marinhais foi contemplada com um furo artesiano. No lugar dos Foros de Salvaterra, foi construído um poço de água, em cimento, erguido no largo do Estanqueiro, local onde se fazia a praça do trabalho.
Foi ainda decidido que a vila de Muge, fosse dotada de algumas ruas com calçada.
As fontes em Salvaterra, começaram nesse ano e, foram construídas; no largo da Casa do Povo e largo São Sebastião, sendo seu artifice, o mestre pedreiro; Silvestre Palma, ajudado pelos seus filhos, estando entre os serventes, o neto Luis Palma, na altura com 13 anos de idade.
Daquelas obras, O Fontanário junto à Casa do Povo, desapareceu por volta de 1955, no seu espaço, foi construída uma urbanização de prédios. – “ os chamados prédios novos”.
Com o abastecimento público domiciliário em Salvaterra, em 1951, foi conservada a do Largo de S. Sebastião, seria para conservar um património, alusivo a uma época e, registar a obra dos homens que os tinham antecedido – memorizar um passado.
O tempo passou!
A democracia instituída, após o 25 de Abril de 1974, trouxe uma nova constituição a Portugal, e deu lugar a eleições autárquicas em 1976. Os autarcas, têm agora outras competências e outros atributos. No Verão de 1999, o Fontanário, que é considerado património local, pela população de Salvaterra, pela sua singular construção, foi alvo de grave atentado, foi pintado de branco e amarelo. A responsabilidade coube à Divisão de Obras Municipais e Serviços Urbanísticos (DOMSU), chefiada pelo vereador, João Abrantes, oriundo da freguesia de Marinhais.
As construções em todo o concelho, especialmente conservadas como património monumental, puderam estar sujeitas ao critério do discernir de uma só pessoa !? Dá para pensar!...
Numa Assembleia Municipal, entre a assistência, pedi a palavra e fiz reparo do grave atentado àquele patrimônio - A resposta, veio rápida, da Presidente da Câmara. Olhe, sr. Gameiro, não acha que assim ficou mais bonito!....
Que responsabilidades se podem exigir, para além do julgamento político ao fim de quatro anos de mandato. .Haverá outro!? Aqui fica o reparo para que conste!
Nota: A FANTASIA DAS LENDAS:
À Fonte do Arneiro; Informações da autarquia, dão o nome: Fonte da Moura Encantada e, ao Fontanário do antigo Largo de S. Sebastião (1), é-lhe atribuído “Fonte dos Namorados” – Veja-se o B.M. Nº 3 do ano 1999 e, o actual blogue da Junta da Freguesia local.
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(1) – o antigo Largo de S. Sebastião, ficou limpo de entulho de um antigo Hospital, após o tarramoto de 1909 * Nele foi construído o Fontanário e um edifício escolar, ali passam as Av. José Luís Brito Seabra, António Ferreira Roquette e Dr. Roberto Ferreira Fonseca
* Na foto: Luís Palma, antigo mestre-pedreiro, junto da fonte que ajudou a construir. Texto Extraído do Livro Nº 6 Fonte e Fontanários (Colecção: Recordar, Também é Reconstruir) - do Autor
JOSE GAMEIRO