Quarta-feira, 4 de Maio de 2022

O 1º DE MAIO DE 1974 - EM SALVATERRA DE MAGOS

CRÓNICA DO NOSSO TEMPO

 O 1º DE MAIO DE 1974 - EM SALVATERRA DE MAGOS

 A manhã com um sol brilhante ia a meio, a vila mostrava já um movimento desusado de dezenas de populares que não queriam perder a festa, que ali teria lugar.  Um grande palco montado, na véspera, na frente da fachada da antiga escola primária "O Século", atraía o povo ao Largo dos Combatentes.

 Era dia 1 de Maio, de 1974, agora dia feriado Nacional, o povo trabalhador português tanto esperou, que após cerca de meio século de ditadura, que o movimento dos Capitães, trouxe ao país com a revolução dos cravos, se podia comemorar.

1 Manifestação 1º Maio 1974 em Salvaterra.JPG

Desde 1886, em os que trabalhadores americanos, de Chicago, pararam e fizeram greve, exigindo melhores condições de trabalho, pois chegavam a fazer 17 horas diárias e queriam as 8 horas.

Aquele dia passou a ser um símbolo no mundo, e em Portugal, só em 1934, uma greve dos trabalhadores vidreiros, que levou a muitos se juntarem em diversos pontos do país, que ficou conhecida pela revolta da Marinha Grande.  Após aquela greve foram extintos em todo o país. os Sindicatos de classe locais, sendo o Estado Novo, decretado em seu lugar "Sindicados Corporativos" distritais.

2 Palco - Joaquim M Antão e Nelson Caleiro 1º Ma

As lutas dos trabalhadores rurais, do Ribatejo e Alentejo, por melhores salários e melhores condições de trabalho, vinham dos finais do séc. XIX, estalando-se os seus sindicatos locais, de preferência em agremiações já existentes.

O Sindicato dos Trabalhadores rurais do concelho de Salvaterra de Magos. foi criado em 1932, e tinha 100 sócios, aproveitou para sua sede uma sala cedida pelo “Montepio do Senhor das Almas” instalado  na Rua Direita da vila, enquanto o Sindicato dos Marítimos de Salvaterra de Magos, criado na mesma data, usou o edifício Manuelino, junto à Capela Real, numa oferta gentil do executivo municipal.   Estes dois sindicatos foram extintos devido às greves levadas a efeito, e foram substituídos pelos novos Sindicatos Distritais, uma nova modalidade do governo doestado Novo.

3 Largo da Igreja  Manifestação - 1º Maio 1974

Em 1937, numa reedificação dos rurais da Lezíria ribatejana, que levou à greve de dois dias, os trabalhadores do concelho de Salvaterra, foram perseguidos e presos no campo,  a cargo de um pelotão de cavalaria da GNR, que veio de Santarém, e entre os presos estava; José Caleiro, trabalhador braçal, da terra, homem de grande referência na região (tinha sido militar na I guerra mundial), foram entregues ao poder autárquico, do concelho.  Os detidos esperaram dois dias numa cela, construída no séc., XVIII, no rés-chão do edifício camarário, recebendo obras, quando do sismo de 1909, e ali esperaram pela chegada da polícia poética (Pide), que os levou para Lisboa.

A partir daquele ano naquele espaço, foi instalado um Posto da GNR, com uma força permanente, mudando de local para novas instalações em 1980, no espaço do Antigo Matadouro Municipal da vila.

  A luta dos rurais, da Lezíria ribatejana, vinha de longe, além de melhor salário, também exigiam as 8 horas de trabalho diário. mas naquele dia 1 de Maio de 1962, no Ribatejo, o grito veio de Alpiarça, juntando-se ao descontentamento que grassava no Alentejo.

- A partir de hoje, ninguém mais trabalha de sol—a—sol, queremos as 8 horas diárias!

Era dia 1º de Maio, era proibido a sua celebração, não sendo feriado, mas os trabalhadores, aproveitavam essa data para mostrar ao patronato as suas revindicações. O governo do Estado Novo, através de uma portaria, instituiu em Portugal, o horário diário das 8 horas, de trabalho diário. Para os rurais igualando-os assim aos trabalhadores fabris.

Com a revolução dos capitães, no dia 25 de Abril, os feriados e dias solenes da Igreja, foram reorganizados, e o Dia 1 de Maio, passou a ser dia Feriado Nacional.

 O Dia do Trabalhador, foi uma grande jornada de festa, vivida em Salvaterra de Magos, o povo encheu por completo aquele largo da vila, trazendo cartazes com os mais variados slogans – vinham ouvir os oradores da tarde.   O Palco encontra-se cheio de representantes do Partido Comunista Português (PCP, e do Partido Socialista (PS), e outras   forças e movimentos políticos, convidadas, que pretendiam espaço no novo quadro político em Portugal.   Entre os oradores; estiveram os jovens da terra; Paulo Martinho   Cardoso e Joaquim Mário Antão.

* José Gameiro

*********

Nota: Fotos) 1 – O povo “apinhado” no Largo dos Combatentes * 2) No Palco (Visíveis) : Joaquim Mário Antão e Nelson Caleiro * 3) Largo da Igreja Matriz – Da  Esqº para a Dtª antepº José R Gameiro – Cartaz “Uma Rua para António Almeida, vitima da Pide

* Bibliografia: Texto José Gameiro – Jornal Aurora do Ribatejo * Texto Pág 98-105 * Apontamentos Históricos do Concelho de Salvaterra de Magos - Edição Câmara Municipal 1951-1976

publicado por historiadesalvaterra às 09:06
link | comentar | favorito
Sábado, 9 de Abril de 2022

EM SALVATERRA, O TEMPO DE POBREZA E FOME – HAVIA O RABISCO !

No dobrar do séc. XX, ainda se fazia o Rabisco, hábito que vinha de séculos.

A II guerra mundial tinha terminado já havia alguns anos, mas a pobreza e fome ainda se faziam sentir na população portuguesa. No Ribatejo, algumas famílias do povo rural de Salvaterra, para angariar algum dinheiro para dar de comer à família não deixava de se fazer o Rabisco (1), nas cearas já abandonadas após a safra.

As últimas colheitas do ano eram a vindima, o arroz, e a colheita da azeitona, esta entrava já pelo Inverno dentro. O tempo quente do Outono, já mostrava que dava sinais de vida, com alguns dias de chuva.

Azeitona Sem nome.png

Os Lavradores da vila, afadigavam-se na mudança para as terras altas da charneca, das manadas de gado: toiros bravos, bois sem Canga e Cavalos limpos de Arreata, que viviam junto à borda d`água, desde a Primavera.  O rio Tejo já dava sinais de começar a “encher o ventre”, coisa que fazia todos os anos alagando as terras de Aluvião, com cheias que duravam até Março, tempo de novas lavras.

 Com falta de trabalho, o trabalhador de enxada, punha mão no Rabisco das sementeiras do grão de bico, chicharro, fava e milho, nas terras dos agricultores.  O melão deixado na terra, pelos seareiros, era colhido também no rabisco, que toda a família fazia.  Era tempo da engorda de um porco, para haver carne salgada no Inverno.

 O homem da família encarregava-se de pedir autorização para entrar na terra, quer ao guarda, quer ao patrão.  Alguns “afoitavam-se” e ao cair do luz-fusco, lá ia toda a família (homem, mulher e filhos), até às Courelas, terras de vinhedos, a caminho do Escaroupim, e não deixavam de “vindimar” alguma uva, para em casa se fazer vinho e água-pé, já cosido pelo S. Martinho.

Cortiça Sem nome.png

 Caso fossem apanhados sem consentimento, a queixa na GNR, dava para multas pesadas, que algumas vezes eram anuladas com o pedido de “clemência” ao dono da seara, e também ao Administrador da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos.

Os que no tempo frio, de Inverno, davam aos filhotes, uma colher de mel “para matar a fome”, tinham uma ou outra colmeia, feita de cortiça, colocada no pinhal dos Morros, onde nos arredores da vila, onde existia o rosmaninho, uma planta das Alfazemas.

Para fazerem a “Colmeia” pediam à família Roquette, algum resto de cortiça do “Chaparral”, propriedade situada nos seus terrenos dos Foros de Salvaterra, depois da colheita anual da “desboia” e “Secundeira”.  

O excesso do mel caseiro, era produto vendido às Farmácias Martins e Carvalho, para angariar algum pé-de-meia, para a roupa a estrear pelo Natal.

868  - Guardador de porcos - 1935.bmp

 Quando terminava a apanha da Azeitona, um mês depois, no olival, nalgumas árvores o tronco era pintado uma cruz, a cal branca, sinal que era proibido - deixou de haver o tempo da panha do Rabisco. Alguns dias  depois o terreno era pastagem dos porcos.

*José Gameiro    

(1) No dobrar do séc. XX, ainda se fazia o Rabisco, hábito que vinha de séculos., em terra que não tinha "Couto"

 Nota: Fotos cedidos pela Familia Roquette - Casa Barão de Salvaterra, publicados na Revista a Hora de 1938

publicado por historiadesalvaterra às 12:11
link | comentar | favorito
Segunda-feira, 14 de Março de 2022

CRONICA DO NOSSO TEMPO - quando era necessário As Senhas de Racionamento !

 CRONICA DO NOSSO TEMPO

* Recordando!...

SERÁ NECESSÁRIO SENHAS DE RACIONAMENTO

Era pouca coisa, mas nunca passei fome!

As gerações mais antigas, aqueles que viveram, no período da primeira guerra mundial (1914-1918), e uns anos antes pela "Pulmonia", essas alimentavam-se com a comida que o “Diabo Amassou”!

A segunda guerra mundial, ainda se contava pelos dedos de uma mão, quando tinha terminado.  A fome ainda grassava por Portugal, sendo as famílias mais numerosas, do meio urbano, as que mais sofriam, pois, as rurais em todo o país, conseguiam viver do que tiravam da terra.  Havia quem para mitigar as necessidades alimentares, não deixava de vender ovos de galinha, ou criava um porco, com sementes que eram "rabiscadas" ao cair da noite, nas cearas de sequeiro dos lavradores da terra.

 O Matadouro Municipal, de Salvaterra de Magos, funcionava duas vezes por semana, ao serviço dos muitos salsicheiros espalhados pela vila.  Estes, faziam as suas compras de suínos de engorda, para abastecer as suas clientelas de carnes frescas e enchidos fumados.

O rapazio da população mais carenciada, naqueles dias lá entregavam um pequeno tacho com Vinagre e sal, para se aproveitar para cada um, um pouco de sangue dos animais abatidos, evitando que fosse para o esgoto.   Naquelas matanças, havia sangue do gado Vacum, Caneiros/Borregos e até Cabras/Cabritos.

Os porcos já mortos, eram deitados, em bancas de pedra de lioz, e chamuscados com o lume do tojo misturado com o alecrim, mato aproveitado das limpezas dos pinhais, e que alimentavam várias fogueiras usadas para aquele fim.

Bicicleta - Transporte do Homem Rural Ribatejo (De

.  As mulheres encarregavam-se da limpeza e lavagem do “courato” dos animais. O sangue era levantado antes do fecho daquela instalação municipal, que durava toda a manhã, e em casa era cosido, servindo de refeição – comido como agora se consome o Pudim !

Outros, especialmente as mulheres e raparigas, ainda crianças, lá estavam com um pequeno saco pedindo esmola, à porta da Igreja, quando a missa do domingo acabava. Aquelas moedas serviam para a compra de alguma roupa para a grande prole de filhos da casa.  

 Em abono da verdade o digo !

 - Na casa dos meus pais, a comida na mesa era parca, mas nunca se passou fome.  A "fatia parida" (pão seco, depois de (re)molhado, era frito com ovo e, depois salpicado com canela), era uma forma de aconchegar a barriga, pois os produtos alimentares facultados nas “Senhas de Racionamento”, usadas à época, pelo governo do Estado Novo, para minorar a fome, era coisa que tinha de durar todo o mês. As mulheres em ranchos faziam as caminhadas até ao trabalho de madrugada e a pé, o homem já usava como transporte a sua bicicleta.

Vendedora de leite porta a porta  meados dos anos O leite, recolhido nas várias Vacarias existentes em Salvaterra, era uma bebida para algumas bolsas - vendido, por algumas mulheres, pelas ruas da vila, quando o sol mostrava os primeiros alvores da manhã, pois tinha sido o resultado da "ordenha", da vaca ou da ovelha, na noite anterior, ou da madrugada do dia. 

Agora, nos tempos que passam, deixou de existir a pequena Loja da esquina, aquela que vendia fiado, dando lugar aos supermercados e hipermercados, cuja venda é dinheiro na mão. Os produtos nas prateleiras, depressa se esgotam, ao mais pequeno sinal de dificuldades, na ânsia de não se poder suportar a crise!

Raxeonamento.jpg

Em Salvaterra, naquele período (1939-45), cada família habituou-se, a comprar a comida necessária diariamente, à sua mesa, conforme “A Senha de Racionamento”, documento fornecido pela Freguesia local.

*José Gameiro

******

Nota: Texto completo consultado, do autor * publicado, em 5 de Maio de 2011, na Crónica do Nosso Tempo - Crises sempre existiram ! -  em www.historiadesalvaterra.blogs.sapo.pt

 

Fotos; Senha de Racionamento – família de José Gameiro Cantante (José Pataco)

- Em Salvaterra, existiam algumas Vacarias, as mulheres e suas filhas, vendiam o leite pelas ruas da vila * Foto Alex Cunha 1948

- Trabalhador Rural do Ribatejo no seu transporte de bicicleta, na década de 50 do séc. XX (O membro; António de Oliveira, numa recriação do Grupo Folclórico do Granho (Salvaterra de Magos)

publicado por historiadesalvaterra às 15:51
link | comentar | favorito
Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2022

O Barbeiro-Fotografo Amador em Salvaterra de Magos

ALEXANDRE VARANDAS DA CUNH

 (Barbeiro e Fotografo Amador)

 

 O Alexandre Varandas da Cunha, desde menino depois da escola, foi encaminhado pelos pais para uma profissão, pois sendo eles trabalhadores rurais, sabiam quanto era penosa a vida no campo.  O mestre-barbeiro “Cesar Cabaço”, recebeu-o como aprendiz, na sua oficina da rua Direita (rua Luís de Camões) da vila.

O Alexandre, já senhor do ofício, depressa abriu uma barbearia, no rés-chão do prédio do João Neves Travessa (conhecido pelo João Serôdio), no Praça da República da vila.  Quando veio o tempo da tropa para ter a porta aberta,  falou a um colega de Benavente, que o substituísse.

 Quando regressou de vez da vida militar, trazia consigo, a prática de enfermeiro, especialidade aprendida no hospital militar de Lisboa. ainda trazia consigo uma “caixa de fotos”, e o gosto pela fotografia, que lhe foi incutido por um camarada, que também lhe ensinou a usar os químicos para revelar as fotos e os negativos em vidro, pedaços que a Loja do José Sabino d`Assis, lhe oferecia, que até os cortava a preceito, para satisfazer os desejos do seu patrício, fotografo-amador.

O Alexandre, depressa passou a ser tratado carinhosamente pelo “Alexandre Barbeiro. A fotografia, passou a ser o ser grande hobby, e depressa passou a ser o fotografo da terra. Toda a população a ele recorria, para as necessárias fotos de crianças em dia de aniversário e casamentos. como também as destinadas aos documentos oficiais, especialmente: Bilhetes de Identidade.

 

654 - Alexandre Varanda da Cunha, em Dia de Homena

Mais tarde, usou uma “Kodak” e os rolos de negativos de celulose, que mandava vir de Lisboa, e com este método também obteve fotografias de tudo quanto era sítio, ou actividade sociocultural que, ocorria em Salvaterra de Magos, sua terra natal.

Já casado e Jovem que era, não deixou de dividir o seu tempo livre dedicado ao Clube Desportivo Salvaterrense sendo durante anos, seu dirigente desportivo.  O Alexandre Cunha, como tinha uma certa inclinação para o desenho, além de colorir as suas fotos, até pintou o emblema da colectividade, que tem no fundo uma roda de bicicleta (devido ao grande despique na época entre os ciclistas; Nicolau e Trindade, que entusiasmava Portugal, na época.

 Em 1986, o Alexandre Varandas, já idoso, foi alvo de uma homenagem promovida pelo cultura da câmara, que teve numa sala da biblioteca durante um mês em exposição muitas fotos do seu grande espólio, que ofereceu com os negativos, em parte,  àquele departamento da câmara municipal.

 O Alexandre, sendo amigo de infância do meu falecido pai (José Gameiro Cantante), me ofereceu algumas fotos e negativos, entre eles lá vinham as do Mercado Municipal e Jardim publico, e em frente ao grande portão daquele espaço publico, na Praça da Republica, , símbolos da vila, na década de 40 do séc. XX,  que tem sido reproduzidas por tudo quanto é publicação sobre Salvaterra de Magos.

 Foi na Barbearia do mestre-Alexandre, com o seu apoio, que eu com um pequeno gravador de cassete fita, reuni (para fazer um artigo publicado no Jornal Aurora do Ribatejo), alguns idosos que foram jogadores no “Club O Estrela”, e estiveram na fusão que deu origem ao plantel do Clube Desportivo Salvaterrense.  Com as informações recolhidas e outras guardei nas páginas do livro que fiz sobre a origem desta colectividade desportiva.

 *José Gameiro

Nota: Texto completo do Post publicado no Facebook – José Gameiro, em 26/12/2021 e em www.historiasalvaterra.blogs.sapo.pt 03.12.2010 (Alexandre Cunha (Um Fotografo Amador) do Autor

 Fota do autor

 

 

publicado por historiadesalvaterra às 17:16
link | comentar | favorito
Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2022

A Capela do Lar e Centro Dia foi inaugurada em Dia de Anos da Misericórdia de Salvaterra de Magos

CRONICA DO NOSSO TEMPO

 

A Santa Casa da Misericórdia local comemorava o seu 399º aniversário, e foi dia de inaugurar a Capela do Lar/Centro de Dia da instituição. A tarde já ia a meio, o povo acorreu em grande número associando-se na sala de reuniões do novo edifício principal à sessão alusiva aos festejos, onde estiveram presentes os convidados;

  1. Manuel Pelino, da Diocese de Santarém, Ana Ribeiro, presidente da Câmara municipal, e alguns dos seus Vereadores, José Domingos; presidente da Assembleia Municipal e João Nunes Santos, presidente da Junta de Freguesia local

Capela Sem nome.pngA Segurança Social de Santarém, esteve presente através de dois altos funcionários; Drs. Ramos e Elias. bem como instituições de misericórdias vizinhas.   O Provedor; Armando Pinto Oliveira, que fez parte do grupo de 8 amigos da Misericórdia, que abriu o Centro de Dia para Idosos - uma obra provisória, na vila, em 3 de junho de 1985, e construiu o edificio do Lar/Centro Dia da Santa Casa, inaugurado em15 abril de 1992, convidou para junto de si os outros dois companheiros de jornada, ainda vivos; José Rodrigues Gameiro e João António Nunes Silva.  Aberta a sessão solene, deu as boas vindas aos presentes, e depois de algumas intervenções dos presentes lembrando a obra da instituição ao longo dos séculos, a sessão fechou com um beberete de “Porto de honra”, de seguida os presentes deslocaram-se até à capela que se ia inaugurar.

O Provedor, ao descerrar a placa com os seus colegas da mesa juntos, convidaram D. Manuel Pelino, a retirar o estandarte da Misericórdia de Salvaterra de Magos.  O povo presente bateu palmas e a banda de musica dos Bombeiros tocou um pequeno hino.

Na lapide, constava:

“CAPELA DO LAR DA TERCEIRA IDADE DA SANTA CASA DA MISERICORDIA DE SALVATERRA DE MAGOS, BENZIDA E INAUGURADA, EM 7 DE DEZEMBRO DE 1999, POR SUA REVª D. MANUEL PELINO, BISPO DA DIOCESE DE SANTARÉM”

Naquele novo edifício religioso, modesto de construção, no seu interior tinha no espaço do altar, uma escultura de Cristo Crucificado na cruz, e numa parede dos lados uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, e os meninos. No lado oposto uma escultura de S. Paulo, orago da freguesia de Salvaterra de Magos. A imagem de Nossa Senhora, foi uma oferta resultante da oferta dos amigos daquela Santa Casa, sendo a escultura de S. Paulo, oferta de um casal desta terra, emigrante nos U.S.A.

Pretendia-se que ali fosse um espaço de oração dos idosos internados e lugar para celebração de missas. Também seria lugar de meditação, recolhas íntimas, dos familiares e amigos. em dias dos corpos aguardarem o seu funeral. Naquele dia festivo do templo, estava o andor de Nossa Senhora da Conceição, que interrompeu a sua estadia nas Novenas na Igreja Matriz, na vila. A missa solene foi celebrada por D. Manuel Pelino, quando já caía a noite em dia fria de Inverno, no exterior gerou-se um burburinho que levou o Pe. Agostinho de Sousa, pároco da Casa Paroquial, junto do grupo agitador, pedindo mais respeito pela celebração que decorria, pois, a missa ainda não tinha terminado (1).

Pelas, 21,30 horas ouviu-se o primeiro morteiro, que foi acompanhado de vários foguetes, um trabalho do “fogueteiro improvisado”; Vicente Almeida, dando assim noticia da inauguração da Capela de Nossa Senhora da Conceição.

A procissão nocturna de Nossa Senhora, saiu naquele dia 7 de Dezembro, acompanhada de muito povo e da banda de música, percorrendo várias ruas do sul da vila, a caminho da Igreja Matriz, onde foi rezada a última Novena.

Quando a tarde do dia 8, já ia a meio, o cortejo religioso, saiu daquele templo matriz, pelas ruas da vila, onde o rosmaninho pelo chão, as colchas pendentes nas varandas, davam colorido à tradicional e secular festa religiosa, que lá terminou com a recolha do andor da imagem de Nossa Senhora, na Capela da Misericórdia, junto à vala real.

*José Gameiro

*********

(1) Os mais impacientes manifestavam-se com a hora tardia, para o inicio do cortejo religioso.

(Nota) Texto publicado no jornal Vale do Tejo (JVT)

 

publicado por historiadesalvaterra às 16:16
link | comentar | favorito
Quarta-feira, 24 de Novembro de 2021

CRONICA DO NOSSO TEMPO - O Hospital da Misericórdia, já foi Centro de Saúde

O HOSPITAL DA MISERICORDIA JÁ FOI CENTRO DE SAÚDE

O terramoto de 1909, provocou estragos de tal monta, no antigo hospital da Misericórdia de Salvaterra de Magos, que houve necessidade de destruir o que restava dele, ficando assim livre o largo de S. Sebastião. daquele entulho.

Alguns anos depois por iniciativa de Gaspar Costa Ramalho, foi construído um novo Hospital, num terreno cedido pela Câmara que a Comissão inaugurou em 1913, oferecendo-o livre de encargos à Misericórdia local. A primeira prova da sua eficácia, ao serviço da população local e do concelho aconteceu em 1918, com o internamento de infectados pela Gripe Pulmonia Espanhola, que esgotaram as camas das suas grandes enfermarias, havendo necessidade de montar umas tendas no seu terreno.

Em Salvaterra, no cemitério os trabalhadores voluntários, abriram valas comuns, à base de enxadas e pás, para enterrarem as centenas mortes. A epidemia levou à morte 3,2% da população do concelho. Com a revolução de Abril de 1974, verificaram-se transformações na política do país, e seguidas no campo social e económica.   A área da assistência médico-social, até aí usada pelos Hospitais do Estado, Misericórdias, e das Caixas de Previdência, apenas ficaram em uso os do Estado.

No campo da assistência médico-social, no dia 15 Setembro de 1979, foi publicada, em Diário da República, a Lei nº 56/79, o Decreto que criava um SNS (Serviço Nacional de Saúde), um projecto do Ministro António Arnault, até à sua total implementação passou por muitas fases e numa delas, através do decreto-lei 254/82, são criadas as Administrações Regionais de Saúde (ARS) com o objetivo de implementar planos de ação, orientar, coordenar e acompanhar a gestão do SNS a nível regional.

2 Hospital .png

ARS de Santarém, instala um Posto médico (1ª Geração), em Salvaterra de Magos, usando uma dependência do antigo edifício Manuelino da vila, cedido provisoriamente pelo executivo da câmara.  Depressa o espaço, tornou-se pequeno para o atendimento dos utentes, e o antigo hospital foi o novo local encontrado e a sua requisição foi feita à Santa Casa da Misericórdia. O rés/chão do edifício, foi adaptado às necessidades daquele novo serviço médico-social.  Em abril de 1983, pelo Secretário de Estado; Paulo Mendo) (Governo da AD -Balsemão), são criados os Centros de Saúde de 2ª Geração, que resultam da fusão das antigas Caixas de Previdência, com os Centros de Saúde de 1.ª Geração.  No terreno do antigo hospital de Salvaterra, após permuta assinada pelo Provedor; Armando Oliveira e o Presidente da Câmara; António Moreira, foi "retirado" um lote para nele ser construído um novo Centro de Saúde, que foi inaugurado em 3 de Agosto de 1995, com a presença do Ministro da Saúde; Dr. Paulo Mendo.

428 JRG2012  Inauguração Centro Saude 03.08.1995

Deixando de ter interesse para o Ministério da Saúde, continuar a usar o antigo Hospital da Misericórdia, este foi devolvido naquele ano à sua proprietária - a Santa Casa, com uma verba para as obras de conservação do edifício.

*José Gameiro

*****

Nota O Autor não segue o Acordo Ortográfico de 1990

Fotos: 1) Inauguração do Hospital -1913, A/d * 2) Obras Fachada do Edifício - do Autor 

* Inauguração do Novo Posto Médico 1995 - do Autor

 

publicado por historiadesalvaterra às 09:50
link | comentar | favorito
Segunda-feira, 20 de Setembro de 2021

Os Urinóis, junto aos templos religiosos em Salvaterra de Magos - séc. XIX

OS URINOIS PUBLICOS , UM LOCAL PARA ALíVIO DA BEXIGA –

Em Salvaterra de Magos desde o séc. XIX

Os “sumidores públicos” apareceram pela primeira vez, em França, nos jardins de Paris, no séc. XIX, e tal peça de resguardo dos olhares, para os apertados das urinas, se espalharam por toda a Europa, Brasil chegando à América.

Eram pequenas caixas construídas em chapa de ferro, (algumas com desenhos artísticos), e nos seus resguardos curtos viam as pernas dos utentes, do joelho para baixo, e o correr do fio do líquido dos aflitos, salpicando o calçado.   Pela cidade de Lisboa, também os “urinóis” para homens passaram a serem vistos nos espaços públicos, com grande movimento.

Urinol em Lisboa.png

Em 1858, reparavam-se em Salvaterra de Magos os estragos nas habitações, causados pelo sismo daquele ano, e quando terminaram as obras da Igreja Matriz, foi determinado colocar um desses urinóis, num recanto da frente do edifício, o que também aconteceu na Capela real, entre o gradeamento em ferro, e uma parede de lado.

Com a reorganização, em 1892, do antigo largo Dr. Oliveira Feijão, com a construção  de um Mercado diário, ocupando o lugar do antigo Pelourinho da vila, e um Jardim público, vedado, substituindo o vasto arvoredo que vinha do extinto Paço real, as escadarias em pedra de lioz (não polida), que ligavam o declive do piso, dando acesso à Camara e a Capela, deram lugar ao transito.

1 Urinol Sem nome.png

As obras na mexida da cota do terreno do novo arruamento junto à Capela, levaram à retirada do Urinol, daquele templo religioso do séc. XVI.  O gradeamento em ferro, veio a ser retirado em 1950,  quando de umas obras de conservação no telhado do templo.

António Vianna Ferreira Roquette, em 1938, era o presidente da câmara de Salvaterra, e como a vila, após o terramoto de 1909, vinha sendo alvo de nova urbanização, contando já com as novas, Rua de Nova de S. Paulo e Rua Trás da Igreja (Rua Timor Lorosae).

2 Urinol Sem nome.png

Nesta última, o executivo encarregou o pedreiro; João da Silva Antão (o João Franco, como era conhecido), que teve a serventia do seu filho; Mário Silva Antão, na construção de uma pequena casa, que serviria para “edifício de saúde publica da vila”- As “sentinas” como o povo passou a conhecê-la.  Ali foi instalado WC para homens e mulheres e, espaços para se tomar banho de chuveiro (as paredes forradas a azulejo de cor branco), sendo pago o uso deste último benefício ao dispor do publico.

3 Urinol Sem nome.png

Anos mais tarde, aquela casa sofreu transformações e ali passou ser a sede da Junta de Freguesia de Salvaterra de Magos.

Um novo Urinol público foi construído na vila, em 1998, quando o Dr. Gameiro dos Santos, era presidente da câmara, sendo o espaço escolhido a Praça da da República, em frente ao edifício municipal. Um WC público, com sanitários modernos para a época, para homens e mulheres, ali se “aliviava as urinas e os intestinos”. Depressa aquelas instalações, passaram a ser procuradas como “sala de chuto” pelos viciados em drogas, levou o mesmo executivo municipal, a desmantelar aquela obra e a vila ficou sem um Urinol público.

*José Gameiro

*********

Nota: Bibliografia Usada

(1) – O Dr, Francisco Oliveira Feijão (24.11.1850-11.11.1918) * A Freguesia da Várzea (concelho de Santarém) * livro: monografia (2005), do autor: António Miguel Ascensão Nunes (José Varzeano)

*Quem Acode a Salvaterra de Magos texto publicado em www.historiasalvaterra.blogs.sapo.pt 25.9.2012 do autor

* Texto extraído do Caderno Apontamentos Nº25 “Ser Autarca” (Servir a Coisa Pública), incluído no Vol. IV da Colecção: Recordar, Também é Reconstruir – publicado em Google, José Gameiro Issuu

* Fotos:

- 1) Foto do Urinol, um negativo em vidro, Alex. Cunha 1938 * 2) Utente “Urinol  em Lisboa” – foto Paulo Guedes  s/d,  arquivo Câmara Lisboa *3) Foto  Frente Capela c/ gradeamento 1950 * 4) Foto edifício Junta Freguesia do Autor

publicado por historiadesalvaterra às 09:37
link | comentar | favorito
Domingo, 12 de Setembro de 2021

Crónica do Nosso Tempo - A BARCA DO VAU !..

A BARCA DO VAU -

UMA PASSAGEM NAS MARGENS DA LEZIRIA GANDE

Ó, TI MANEL FRANKLIN, PASSE LÁ MAIS ESTA!...

 Corria a primeira metade do séc. XX, e nas terras da Lezíria Grande, junto à margem do Sorraia, no sitio conhecido pelo Vau, com as águas do Tejo à vista, vivia um pequeno núcleo de meia dúzia de famílias pescadores, em barracas palafitas, eram daqueles com raízes em Vieira de Leiria, e que se espalharam pelas margens do rio tejo, e formaram comunidades por volta do final do séc. XIX.

O Vau, tinha uma barcaça para ligar nas águas mais fundas, as duas margens. Ali, faziam trânsito os animais, ranchos de rurais, e carros usados nos trabalhos agrícolas nos campos da leziria.
Quando em dias de calmaria, e o chão era encontrado, havia espaços naquele rio que, se passava de carro de bois ou carroça, e mesmo a cavalo, pois o areal ficava a um palmo de distância como se fosse uma pequena ribeira.

100 Sem nome.png

Vem do séc. XII, as referências à passagem de pessoas e bens, através de uma barca, nas margens do Vau, em terras pertencentes a Benavente, pois o cofre da Casa real, cobrava impostos por tal regalia, que se estendeu por vários séculos.
Com a criação do Almoxarifado em Salvaterra, no séc. XVI, o seu titular, tinha a incumbência de fazer a cobrança do Imposto, naquela passagem, pois tinha de prestar contas à Provedoria das Lezírias.

Por volta de 1940, o Barqueiro com alvará de tal exploração, era o Ti, Manuel Franklin, homem de família, com mulher e filhos e, que vinha a casa em Salvaterra, duas vezes por mês, após hora e meia de caminhada a pé, atravessando o campo dos Freires, saíndo no Malagueiro.

O Manuel Franklin, aguentava-se alguns dias na vila, para dar umas voltas à vida -  como ele dzia, enquanto crtava o cabelo e fazia a barba, no mestre: Fernando Sousa Marques  

Na vila, as jovens gerações de rurais, em dias de um copito e bom convívio de taberna, quando “apanhavam” algum camarada de conversa, pregando alguma peta (mentira), lá havia risada no grupo e um dizia: Ó ti, Manel Franklin – passe lá mais esta!...
*José Gameiro
*****
Nota: Bibliografia Usada:
O Pontão da Palhota; www.historiasalvaterra.blogs.sapo.pt – 18.09.2013
Foto: Passagem – Margem do Vau (Foto Negativo em vidro - Alex Cunha 1940)

publicado por historiadesalvaterra às 16:08
link | comentar | favorito
Sábado, 4 de Setembro de 2021

a casa do almoxarife de Salvaterra de Magos, ainda existe!

Ao abrigo do Regimento, criado e publicado em Outubro de 1581, e alterações que este foi sofrendo ao longo dos tempos, até 1831, data da sua existência. Dependendo da Provedoria das Lezírias, o cargo trouxe e fixou um Almoxarifado em Salvaterra de Magos ,numa construção Incluída no vasto núcleo de património da casa real, tinha na vila. que incluía o Paço real, a Capela e Falcoaria.

Aquele novo serviço de cobranças devidas ao cofre da casa real. foi devido à importância que tinha Salvaterra, à época, pelas rendas das terras de semeadura, e pauis pertencentes à coroa.

Os impostos dos movimentos de mercadorias e pescado, no cais da “sangria/ vala”, que dava guarida a cerca de 30 embarcações à vela, e de grande calado que carregavam para fora da região – Abrantes, Lisboa, Santarém e Montemor.

 As passagens nas barcas, no Vau, um curso de água pertencente a Benavente. No rio Tejo, as barcaças que ali transitavam diariamente; homens e animais, estavam também sob a sua vigilância.  O Almoxarife, também tinha a função, de fazer pequenas justiças, em nome régio, nas demandas entre vizinhos e rendeiros das cortes e pauis da fazenda.

 

1 Xarie Sem nome.png

Residência do Almoxarife!

Hoje isoladas entre si, as construções da Capela e a Falcoaria, restam em Salvaterra, apenas com a Horta que foi fornecedora do Paço real. Os jardins, aposentos da família real, comitiva e serviçais, Casa da Ópera, e cozinhas, cocheiras, cavalariças e anexos agrícolas, desapareceram a partir do fogo no Séc. XVI.

A Casa que foi residencia do Almoxarifado de Salvaterra, ainda resisite de pé , no Largo da Igreja Matriz, mesmo de depois das alterações que sofreu aos longo dos séculos.

A "vala real/ ou "sangria", canal fluvial artificial com capacidade para cerca de 60 embarcações, e munido de serventia de porto de rio, no dobrar do séc. XX. 

Muitos autores, registaram que nos reinados de D. Sancho I e D. Sancho II, que viriam a ser avós, de D. Dinis, já tinham em conta este cargo administrativo e de cobrança, nesta terra na margem esquerda  da Leziria do Tejo, e que foi seguido no reinado de D. Dinis, que o comtemplou no seu Foral de 1295, dada à vila de Salvaterra de Magos.

Csa Freire.jpg

O Almoxarifado, tinha secretário, num escritório na Trav. da vila, junto ao edifício da jurisdição camarária do povo. O último Almoxarife; António da Costa Freire, chegou a ser agraciado com brasão e Carta Régia, por exemplar desempenho, deixou descendência, em Salvaterra de Magos.

*José Gameiro

******

Nota: (1) De início construída em madeira, segundo alguns documentos, foi no séc. XVII reinava D. João IVI, que teve construção em pedra, recebendo corta-águas no séc. quando o rei hispânico; Filipe III, visitou Salvaterra e aqui passou alguns dias, no deleito da caça e pesca na Coutada da vila.

********

Bibliografia Consultada: - Arquivo Torre do Tombo * A Provedoria das Lezírias (1608/1834) - O Almoxarifado de Salvaterra de Magos (1754/1831)

 Fotos: do Autor:  2021

 

publicado por historiadesalvaterra às 22:40
link | comentar | favorito
Quarta-feira, 1 de Setembro de 2021

Crónica do Nosso Tempo - A Igreja Matriz e a Torre Sineira * Salvaterra de Magos

.Consta na história da vila, com a doação do Foral a Salvaterra, por D. Dinis, em 1295, que o “novo” povoado com trezentas almas, tinha alguns vizinhos a viverem nos Montes de; Bilrete, Misericórdia, Figueiras, Colmeeiro, Coelhos e Magos.   O seu culto religioso foi atribuído ao Patriarcado de Lisboa, e um ano depois, estava concluída a Igreja Matriz, sendo a primeira Missa ali rezada, pelo 15º Bispo da Diocese de Lisboa; João Martins de Soalhães.

644 Capela Senhor Morto (Santo Sepulcro) Igreja Ma

 

 

No séc. XVII, em 1659, Manoel Pinto, e Dom Sanches, por sua devoção, mandaram fazer uma Capela dentro da Igreja Matriz, (conforme consta na pedra do portal da entrada lado Esqº), e no chão na sua entrada, consta a pedra tumular de Dom Sanches.

É nesta época, nos finais do séc. XVII, inicio do XVIII, que o altar da Igreja Matriz, foi enriquecido cum um “Guadameci”, com vários retângulos de couro de carneiro, que enriquece a pintura em barroco ou rococó e ali se manteve até às obras levadas a cabo em 1957, data em que foi guardado na outra dependência daquele edifício religioso (1).  A ascensão e grandeza no desenvolvimento desta vila, situada ma margem esquerda do Tejo, em plena Lezíria, que dava acesso às terras primitivas, deu-se no esplendor do reinado de D. José I.

010 2017-10-24.jpg

No séc. XVIII, ainda se mantinha o hábito ouvir-se os sinos, desde o amanhecer tocando as Matinas, e durante o dia conforme as horas das refeições diárias. Logo pela manhã cedo, tocavam o sinal das Matinas, convidando os fiéis para a primeira Missa do dia, e do último toque religioso, as Avés-Marias, quando o luz-fusco começava a dar lugar à noite.

Em dia de finados de alguém, que fosse maior de idade, o sino da torre da Igreja iniciava o toque do envio da mensagem, logo que o Padre da terra, tivesse conhecimento, e fosse registado o Óbito nos seus livros.  O toque era de hora a hora, e durava cinco minutos, com tal intensidade, que o som cobria os campos em redor e,fazia suar o diligente sacristão, no envio do Recado - um corpo ia a enterrar no cemitério, e uma pobre alma de Deus, precisava de conforto religioso.  Este e outros toques, acabaram em Salvaterra, nos últimos anos da década de 30, do séc. XX, era o então Pe. Manuel, o pároco da Casa de S. Paulo na vila, que deu cumprimento às novas leis, que regulamentavam/ ou suprimiam o usos dos toques sinos” por uma questão de sanidade publica”, uma exigência de 1933,

A tradição que vinha de séculos – sabe-se que o rei D. Pedro II, esteve nas festividades religiosas locais. Nos dias das procissões, na Páscoa e Nossa Senhora da Conceição, havia repiques, com a saída dos andores da Capela da Misericórdia, os toques começavam aí no seu sino, eram seguidos pelos sinos da Igreja Matriz, sineta da Câmara e da Capela Real, que se mantinham, enquanto eram percorridas as ruas da vila, terminando com os fiéis, ainda cantando, na chegada àquele templo da vala, do Terramoto de 1755, em Lisboa, e que aqui em Salvaterra provocou estragos, sendo a abóboda da sua nave principal com pintura de S. Paulo, patrono da freguesia, muito danificada

O palácio real, está a arder!

Era a gritaria do povo, estava-se em 1817, quando uma outra desgraça aconteceu em Salvaterra. pelas duas horas da madrugada do dia 28 de setembro, todos os sinos e sinetas da vila, tocam a rebate o alarme tinha sido dado havia um incendio no palácio real.

Logo uma corrente de mulheres se juntou ao povo, na rua Direita, requisitado para os trabalhos de combaterem o incêndio e, se dispôs a fazer chegar água desde a vala, até ao palácio, com pequenos baldes de madeira, numa fileira de balde cheio, balde vazio.

A torre da Igreja Matriz, já tinha passado por muitas fases de alertar a população.  Nas obras de recuperação que levaram alguns anos a concluir, foi usada a Capela real, para o uso diário da religião, nesta época o salão principal da Igreja do Apostolo S. Paulo, recebeu, em 1825, na sua entrada, um coro alto, construído em madeira, foi colocado um Órgão de tubos, construído pelo mestre- artesão, organeiro; António Xavier Machado e Cerveira, após se encontrar sem uso por várias avarias, foi reparado em 2000 – na apresentação foi realizada uma sessão de musica com organistas, que o povo a esgotar o seu espaço com a sua presença.  Um novo sismo, em 1858, que teve início no oceano, perto de Setúbal, afectou aquela casa-mãe religiosa, e fez outros estragos na casa da Câmara e no Palácio, além das muitas casas de famílias da vila.

Na reparação da Igreja Matriz, a cúpula da sua torre fechada com folha de zinco, deu lugar a azulejo de cor azul.   Um relógio provido de um complicado mecanismo foi ali colocado a expensas do cofre real, com mostradores em chapa de zinco e numeração romana, nos lados Norte, Sul e Poente. A câmara municipal mudou-se para uma grande casa, doado pelo património real, tendo na sua fachada o brasão Rainha D. Maria II. 

050 salvaterra_geral.jpg

O declínio de Salvaterra, na área socio económica começa com a fuga para o Brasil, da corte portuguesa, e ocupação durante algum tempo pelas tropas do exército invasor francês. No paço real iniciou-se o seu desmantelamento, Algum património do Almoxarifado da terra, incluindo a própria habitação do Almoxarife (Largo da Igreja Matriz), foi posto à venda.

O espaço de divertimento no Paço, que era a Casa da Ópera, também teve os dias contados em1792. Era um belo edifício inaugurado em 1753, a que se seguiram as terras da Coutada real, que foram arroteadas em 1821, o que levou os proprietários a aforá-las, dando lugar a uma povoação.

0200 340x255.jpg.crdownload

O relógio da torre da Igreja Matriz "sobreviveu" ao terramoto de 1909, e com aparecimento dos Bombeiros Voluntários, em 1936, foi colocado na parte sul da torre, um cabo em aço para o toque dos incêndios, num dos sinos. Este sistema de alarme foi posto de parte com a instalação de uma sirene eléctrica no Quartel da Corporação.

O executivo municipal, de José Luiz Seabra Ferreira Roquette, no mandato 1957/60, tomou a iniciativa de substituir, o antigo relógio da torre e, seus três mostradores. por um relógio com um sistema mecânico de vanguarda, da relojoaria nacional, da firma Couzinha, de Almada, e apresentava agora os algarismos em árabe.

Aquele relógio era o "aí Jesus", tantos eram os cuidados!

Corria o ano de 1957, tinha eu acabado a minha escolaridde, e a pedido de meu pai, andava arrumando alguns livros, no sótão do edifício da câmara municipal "para não andar na moina", e por vezes vi o zelador; José Miguel Borrego, e o meu progenitor na manutenção do novo relógio da vila, trabalho que era mensal.  Era uma operação que durava algum tempo - aquele olear e acertar o complicado mecanismo para que as badaladas ouvidas no pesado sino fossem sempre tocadas a horas certas.   No mesmo ano, o Pe. José Diogo, pároco da freguesia, reuniu alguns donativos e promoveu algumas obras no interior da Igreja Matriz. A sua nave abobadada do grande tecto, em madeira, onde a pintura de S. Paulo (padroeiro da freguesia) sobressai entre a guarda de Anjos, foi sujeita a obras de conservação, com nova pintura, a zona junto ao altar foi ampliada (para maior presença dos fiéis), com a substituída/retirada, da presença do gradeamento em ferro. Nos trabalhos foram postos a descoberto algumas pedras tumulares (2).   No telhado, lado sul, foi retirado a inscrição “Salvaterra” pintada nas telhas.  No lado norte exterior do edifício, foi destruído o grande adro, dando lugar a algumas novas divisões.  No ano de 1985, o vereador municipal; Cassiano Oliveira, obteve dos seus  colegas a permissão para mandar substituir os antigos azulejos da torre da Igreja Matriz, que apresentavam aqui e ali algumas falhas, foram colocados novos de cerâmica da mesma cor.

******        

  *(2) - O Pe. José Diogo, quando me ofereceu algumas fotos das obras, segundo documentos existentes na Casa da Paroquia, uma das campas seria do Conde dos Arcos, jovem que morreu na celebre corrida, no reinado de D. José !, e que se encontrava no cemitério do Convento de Jericó, mas com a presença da Invasão francesa foi transladada (por segurança), para a Igreja Matriz de Salvaterra de Magos.  O tempo da tecnologia de ponta chegou ao relógio e, aos sinos da Igreja Matriz de Salvaterra. O Pe. Agostinho de Sousa, conseguindo um apoio financeiro, colocou um computador, cujo programa se encarrega agora fazer todos os toques necessários a alertar a população, quer das horas, quer dos fiéis das missas diárias. Na estadia deste prior em Salvaterra, também foi recuperado o Órgão de Tubos da Igreja Mariz.

*José Gameiro

 ******        

Nota: texto do autor publicado artigo no JVT – 04.12.1999 * Post em "www.historiasalvaterra.blogs.sapo.pt publicado pelo autor em 20.02.2009 * Fotos do Autor

 

publicado por historiadesalvaterra às 15:56
link | comentar | favorito

.mais sobre o autor

.pesquisar

 

.links

.arquivos

. Maio 2022

. Abril 2022

. Março 2022

. Fevereiro 2022

. Janeiro 2022

. Novembro 2021

. Setembro 2021

. Agosto 2021

. Julho 2021

. Fevereiro 2021

. Dezembro 2020

. Setembro 2020

. Julho 2020

. Maio 2020

. Abril 2020

. Fevereiro 2020

. Janeiro 2020

. Dezembro 2019

. Novembro 2019

. Outubro 2019

. Setembro 2019

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Junho 2019

. Abril 2019

. Março 2019

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Abril 2016

. Setembro 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Março 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Outubro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Dezembro 2010

. Outubro 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Abril 2008

. Dezembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

.tags

. todas as tags

.Maio 2022

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


blogs SAPO

.subscrever feeds