Quinta-feira, 30 de Julho de 2015

CRÓNICAS DO NOSSO TEMPO - As cabras do meu avô, encantavam-me !....

estava-se a meio da década de 40, do século passado. O movimento da população nas ruas de Salvaterra de Magos, era de pouca agitação, o trânsito automóvel não incomodava, apenas o barulho das guizeiras no pescoço dos aninais e das rodas das carroças, com o ferro a cilindrar a pedra das ruas se ouvia à distância. Da rua Debaixo dos Arcos, até à rua de Água, era pulo, para os meus 4/5 anos de idade. Volta na vira, lá estava eu em casa dos meus avós Paternos, as suas cabras no quintal encantavam-me. Em tempos, fiz a recolha e fiz um estudo da minha Árvore Genealógica com origem nos meus pais, levou cerca de 20 anos. Agora ao fazer pequenos ajustes, não deixo de aqui publicar umas pequenas linhas do que lá consta. - São recordações: "

 

 

Sem nome.png

 

António Cantante, nasceu em 1886, cedo foi para a faina do campo, pois já os seus antepassados daí tiravam sustento. O jovem António, depressa ficou também a ser conhecido pela alcunha de “Pataco” enraizada em alguns ramos da família. Nos trabalhos do campo, conheceu a Grade e, a Lavoura em Linha, passando pela Campinagem de gado bravo, profissão que vinha do pai, e já abraçada por alguns irmãos terminando a sua faina, como pastor de Éguas Afilhadas, raça Lusitana, na casa do Médico Vet. José de Menezes. Enamorado de EMILIA DO ROSÁRIO, casou em 1913. A Emília Rosário, tinha vindo num rancho de “barroas” trabalhar para Salvaterra de Magos, e daí tiveram um relacionamento amoroso, já destinado a casamento. Esta era filha de José Gameiro e de Joaquina Maria, nascida em Colmeias, Albergaria dos Doze – Leiria, A família Gameiro, naquela terra da Beira, tinha a alcunha “Siopa”.

2 José Gameiro e Avós Paternos 1960.jpg

 

Como era hábito vindo de muitos anos atrás, daquelas paragens beirãs vinham Ranchos de mulheres que integravam jovens moças (rancho das barroas), que aquartelavam por toda Lezíria ribatejana, desde a Primavera fazendo uma estadia de trabalho que durava até ao findar das ceifas. Em 1914, nasceu o primeiro filho, aquém foi dado o nome de José Gameiro Cantante, porque a jovem, Emília, pretendia que o seu casamento e, o baptismo do filho fossem legitimados, pelo apadrinhamento de um seu irmão (José Gameiro) emigrante no Brasil, esperou cerca de um ano a sua chegada, concretizando assim os seus desejos O Casal, António Cantante e Emília, por volta de 1950, morando numa casa na Rua de Água, com os filhos ainda solteiros, tinham no quintal uma pequena cabrada, de perto de uma dúzia de animais. Estes ao saírem manhã cedo para a pastagem nos terrenos públicos, ali perto do grande bebedouro de água para animais (trás-de-monturos), atravessavam a casa pelo corredor, com o chão de terra negra (1), e deixavam-no cheio de pequenas bolas de fezes que mais pareciam azeitonas negras. A Emília, ali em casa ordenhava e fabricava queijo, segundo a aprendizagem adquirida na sua terra natal, enquanto menina. Algumas vezes, eu, com os meus 5/6 anos de idade acompanhei o meu tio Luís Gameiro, a pastar o gado, e também no tempo primaveril lá íamos ao valado da Vala Real, ali mesmo juntinho à Ponte, recolher flores do cardo, para minha avó fazer a sua secagem à sombra, durante largo tempo, servindo depois para coalhar o leite, na feitura dos queijos. Era de ver, e encantava-me, a destreza das mãos, quando fazia a ordenha. Tal método passou a usar, nas vacas, quando a família se instalou no sítio do Rego, num terreno do Agricultor; José de Menezes, antigo patrão do meu avô, quando foi guardador de várias Eguadas da raça lusitana. Ali, construíram para viver uma barraca em madeira velha e caniço, e uma outra para albergar algumas cabeças de gado, especialmente vacas, ovelhas e cabras. O seu sustento vinha da venda de alguns vitelos, e do leite que vendia à população, pelo preço 2§50, a tirar do animal. O gado, pastava nos valados dos arredores, local com muita erva, pela humidade – por ali existir alguns tanques de água, onde as mulheres lavavam a roupa. O Luís, filho mais novo por vezes ajudava o pai/meu avô, no pastoreio do gado. ********* (1)– Na época, o chão das casas, das gentes rurais, era pavimentado, com terra de Aluvião, cheia de goma, sendo periodicamente passado a água, com um pano, ficando húmida e luzidio – chamado chão de solão."

Fotos: 1) -1960 -  Vaca leiteira, afilhada, pastoreando junto aos poços do Rego

2) 1960 - José Gameiro, com seus avós Paternos, no Rego

 JOSÉ GAMEIRO

publicado por historiadesalvaterra às 18:44
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