Segunda-feira, 23 de Março de 2015

CRÓNICA DO NOSSO TEMPO - JOSÉ GAMEIRO CANTANTE, 100 QUE NASCEU !....

UMA LEMBRANÇA / ou HOMENAGEM !.... – Meu Pai, nasceu a 29.12.1914, A corrida ao oiro no Brasil, de um Tio/Padrinho , deixou-o sem paternidade 4 anos. De nome José Gameiro Cantante, por vezes conhecido de José Pataco, alcunha que vinha de seu avô paterno, nasceu no início do conflito da I guerra mundial. Foi o primeiro de uma prol de sete filhos, de António da Silva Cantante/ ou António Pataco, nascido e criado em Salvaterra de Magos, e de sua mulher Emília do Rosário, nascida em 1892, em Albergaria dos Doze, S. Simão de Litém. numa família rural de apelido Gameiro, entre os dois irmãos; José e Manuel Gameiro. Emília Pataco (alcunha do marido, que passou a ser conhecida), muito gostava dizer nasci na “Memória” naquele vale do rio Arunca, entre Leiria e Pombal. A sua família

José Gameiro (pai).JPG

  era conhecida no lugarejo, pelos “Siopas”. Devido à pobreza daqueles terrenos lá na Beira Litoral, parcos para sustento continuado das famílias, motivava desde à muito, que todos os anos vários “ranchos” de mulheres e moças “desatadas”, vinham até à Lezíria do Ribatejo, fazer uma safra sazonal com trabalho à jorna desde a Primavera até Setembro, depois de acabadas as vindimas. Todos os anos, a chegada dos ranchos das “barroas”, eram aguardadas com “ansiedade” pelo jovens, especialmente os rurais, e por aqui ficavam casadas algumas dessas raparigas. Emília, também por cá ficou, em 1912, depois de um namoro e ajuntamento com António Pataco, meses depois nasceu o primeiro filho, em 29 de Dezembro de 1914, aquém foi dado o nome de José, nome do tio,/materno, algures emigrado no Brasil. Foi registado filho de pai incógnito e de mãe solteira. Um dia em Leiria, José Gameiro (Siopa), com apenas 18 anos, teve conhecimento da emigração para o sertão brasileiro – Minas Gerais. O espirito da aventura, chamou-o, embarcou com destino a S. Paulo, veio a desembarcar em Santos, com um viagem cheia de “atropelos”, que durou 32 dias. Estava determinado a ser Garimpeiro. Em S. Paulo, viu alguns carros a motor trafegar, mas instigado por outro jovem português que conheceu na viagem, foi de carroça que se embrenhou nos caminhos abertos no mato, evitando os trilhos militares conhecidos à muitos séculos, até chegar a Goiás, no Panamá. Os cerca de cinco anos que ali esteve, não se adaptou, algumas epidemias o apoquentaram, mas ainda chegou às margens do rio Tibagi, onde os diamantes e oiro, eram informação certa de riqueza. Devido ao clima, com maleitas constantes, e febres persistentes, que não o deixavam de boa saúde, depressa pensou regressar ao ambiente familiar em Portugal, de que já 

 

Emilia do Rosário - Filho, José Gameiro Cantante

saudades tamanhas. A sua última missiva enviada, levou cerca de 5 meses a ser entregue. Emília, não desistiu e aguardou a chegada para legalizar o seu casamento e o batizado do filho., pois queria o seu apadrinhamento para os actos oficiais e religiosos. José Gameiro, um dia de 1918, chegou a Lisboa, vinha pobre tal como foi, desiludido com a sua estadia no Brasil depois de tanto sofrimento, a riqueza angariada serviu apenas para pagar a viagem de regresso a Portugal. As cerimónias do casamento e do batizado, foram um mês depois em Salvaterra de Magos. José Gameiro Cantante, tinha 4 anos de idade, o seu registo de nascimento deixou de ter pai incógnito. Meia dúzia de anos passaram, José, Gameiro Cantante, ainda criança, foi trabalhar no árduo trabalho do campo, aliás onde todos os seus antepassados tiraram sustento. O trabalho braçal, ocupou-o anos a fio, pois não quis enveredar pela campinagem, como seu pai e, tios – um modo de vida que vinha de seu avô paterno. Ainda jovem tentou a profissão de Padeiro, foi colega de aprendizagem com Joaquim Pinto Figueiredo, mas outras ocupações o levaram a correr estradas, transportando-se em bicicleta, veículo em uso na época. Esteve nas obras públicas; na construção do estádio nacional (Lisboa), E.N.118 (lanço da estrasa Almeirim –Salvaterra), e na construção do Sanatório da Tocha (figueira da Foz). Foi no período da sua estadia, em Lisboa que, participou aos sábados como figurante no filme, “ALDEIA DA ROUPA BRANCA”, para daí tirar mais alguns proventos. Casou em 1943, com Fellisbela Lopes Rodrigues, sua conterrân ea, trabalhadora no campo, vieram a ser pais de 3 rapazes. Em pleno séc. XX, na década de 50, entrou no funcionalismo público, na câmara municipal da sua terra, como trabalhador na limpeza de lixo nas ruas da vila. Sendo analfabeto, o seu desejo em mais aprender, levou-o a fazer a sua assinatura, a troco de muitas cópias de um original que seu filho, José fizera.

312JRG2013.jpg

No seu trabalho municipal, também fazia a entrega de carnes frescas, nos talhos, em carro de madeira apropriado, que o município mandara fazer, puxado por um animal. Quando da sua reforma, aos 70 anos de idade, era Jardineiro, e constava no seu ”cadastro profissional” entre outras atividades, fez de canalizador e calceteiro. Porque queria uma vida melhor daquela que experimentou, para seus 3 filhos, deu-lhes outros caminhos nas áreas do ensino, e no campo do trabalho. Faleceu no dia 5 de Janeiro de 1987

********* Fotos: 1- José Gameiro Cantante – 68 anos de idade * 2 – Emília do Rosário, com seu filho José Gameiro Cantante, no dia do seu Casamento , e do Batizado deste - tinha 4 anos de idade, 1918 * 3 – José Gameiro Cantante, Empregado Municipal, frente ao portão do Jardim da Praça da República . 1957

********** Nota: Conheci o meu tio/Avó (Paterno), José Gameiro (Siopa), em 1951, quando vindo da Memoria (Albergaria dos Doze), visitou meu Pai, seu sobrinho/afilhado, em Salvaterra de Magos, e esteve uma semana em sua casa. Nessa estadia contou-me algumas das situações vividas no Brasil * Em 1970, com os meus pais, e minha jovem família, estive na terra de minha avô, onde conheci meu tio/avó, Manuel Gameiro (Siopa) * Minha avó, Emília do Rosário (Gameiro), em 1960, ainda tinha na sua posse algumas cartas, enviadas por seu irmão, em terras brasileiras – Todas elas, estavam escritas por punho diferente. JOSÉ GAMEIRO

publicado por historiadesalvaterra às 22:21
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1 comentário:
De Canalizador Feliz a 9 de Agosto de 2015 às 17:11
Parabéns pelo blog e pelo seu pai que pela descrição seria um homem e tanto! Tenho 2 filhos e quero que eles de mim, tenham a mesma lembrança que o sr tem de seu pai.
Muitos parabéns e digo-lhe que um bom filho é sempre um bom homem!


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