Sábado, 18 de Outubro de 2008

O VITORINO DOS CANDEEIROS

Em 1930, sabia-se em Salvaterra de Magos, que Lisboa tinha iniciado em 1848, o seu sistema de iluminação pública, com 28 candeeiros que, foi aumentando com o decorrer dos anos e, em 1889, eram já cerca de 7000 os candeeiros acessos na cidade, recebendo gás produzido à base de carvão.

A vila de Salvaterra,  confinava-se ainda às suas 7 ruas primitivas, dando mostras de querer expandir-se lá para os lados da Praça de Toiros e, dos terrenos que viriam a ser ocupados pela Horta do Sopas.    Até aí as ruas, não tinham iluminação, as habitações continuavam à noite, a consumir velas de cera e lamparinas à base de azeite e outras gorduras.  Muitas cidades e vilas do país, já usavam o carbureto, na iluminação das suas ruas.

O  elenco camarário de António Sousa Vinagre,deliberou colocar quatro candeeiros, com gasómetros a carbureto, nas ruas de Salvaterra de Magos, para isso deu trabalho a José Duque, que foi para Santarém, durante uma  semana, fazer aprendizagem nos serviços da câmara daquela cidade.    Em 1935, este deu lugar a filho Francisco,  o Chico Duque, que por sua vez transitou o  lugar a Albino Fróis Marques, que foi substituido por um tal  Vitorino, homem vindo de Benavente.   Este, ao entrar ao serviço da câmara foi encarregado da manutenção dos candeeiros e, do motor que fornecia água ao depósito da fonte, junto ao edifício municipal.     Pela manhã cedo, ao nascer do dia, com um pequeno carro de mão provido de uma barrica com água, lá se via o Vitorino, fazendo a limpeza, dos gasómetros instalados nos quatro candeeiros nas ruas da vila. Neste trabalho, retirava o carbureto já transformado em massa e, deixava preparado o pequeno depósito de cada gasómetro abastecido com água limpa.   A massa recolhida era para mais tarde ser utilizada pelos pedreiros da câmara, nos rebocos das paredes.   Ao cair do dia, pelo luz-fusco, lá ia de novo o Vitorino, com a pequena escada ao ombro e, uma saca noutro, com as pequenas pedras de carbureto alimentar os gasómetros.   Cada um, levava uma quantidade de cerca 500grs, para 6/7 horas de uma boa luz durante a noite.

 

 

 O gás, libertado pela acção da água com o carbureto, saía por um pequeno tubo que, o Vitorino acendia com isqueiro de pederneira.  O tempo dos Petromax, alimentados a petróleo, chegou por volta de 1940, a iluminação nocturna em Salvaterra, passou para oito pequenos candeeiros nos largos e ruas da vila.  Foram colocados candeeiros  nas paredes  das casas,; esquina da rua João Gomes, com a rua rua Direita ( Machado Santos)  na esquina da rua da Azinhaga (Gen. Humberto Delgado. com a entrada da Trav. da Azinhaguinha. Na rua Dr. Gregório Fernandes, lado da avenida, na parede também recebeu um candeeiro.; um outro foi colocado entre a rua do Pinheiro (Miguel Bombatda) e  entre o edificio da câmara e a Igreja Matriz. Foram construídos postos em cimento, com candeeiros, no cruzamento da actual rua 31 de Janeiro e rua do Calvário (Av. Dr. Roberto F.Fonseca),; no Largo dos Combatentes; Largo da República,, dentro do Jardim;  No antigo Largo S. Sebastião, junto ao Fontanário e um outro no cais da vala.  Com esta inovação, o trabalho do Vitorino, era agora de manhã apagar os candeeiros e recargá-los de petróleo e, á noite depois de alguma pressão no depósito, para gaseificar, acender o aparelho, através de uma camisa que, dava uma chama azulada, ficando protegida por um vidro cilindrico, iluminando toda a noite um grande espaço em seu redor.   Em 1948, tudo isto passou à memória do povo, pois o abastecimento de energia eléctrica a Salvaterra, foi um acontecimento, cuja inauguração teve honras de grande acontecimento público.   Há uns tempos foram feitos umas réplicas daqueles candeeiros,  que estão na zona nobre  da vila, recordando os originais.

Porque conhecemos, o Vitorino dos Candeeiros, aqui o recordamos!...
 
  José Gameiro
 Nota: Na Foto em primeiro plano  está o Vitorino "dos Candeeiros " e o autor deste texto - ano de 1954 Na 2ª foto, o Posto com candeeiro, no local onde se fazia a Praça dos homens rurais.
publicado por historiadesalvaterra às 18:29
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre o autor

.pesquisar

 

.links

.arquivos

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Abril 2016

. Setembro 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Março 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Outubro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Dezembro 2010

. Outubro 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Abril 2008

. Dezembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

.tags

. todas as tags

.Fevereiro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
21
22
23
24
25

26
27
28


.VISITANTES

blogs SAPO

.subscrever feeds