Quarta-feira, 24 de Abril de 2013

ONDE PARAM AS TELAS DO TECTO DA CAPELA DA MISERICÓRDIA?!...

No dia 5 de Março de1979, saiu nas páginas do semanário “Aurora do Ribatejo” um artigo que escrevi dando conta dos danos que a Capela da Misericórdia, sofreu em 12 de Fevereiro. Uma foto acompanhava aquela noticia, Tinha obtido uma série delas, pelas cinco horas da tarde, quando o edifício começava a ceder, e foi destruído em parte. Entre os vários compartimentos, a nave central foi muito danificada, com a queda do tecto que suportava telas com motivos religiosos, que vinham pelo menos do século XVII. Guardadas que foram na Capela Real, uns anos depois, fui ali encontrá-las, estavam empilhadas, e recebiam anualmente trabalhos de pequenos restauros, por jovens da Fundação Espirito Santo, que ali vinham praticar em fim de curso. Depois foi um período de “esquecimento” e precisamente 20 anos depois, a jornalista Sandra Pereira, do Jornal Vale do Tejo – JVT, solicitou-me o empréstimo das fotos, que obtive quando a capela sofreu os danos causados em 1979, pois estava a fazer um trabalho, sobre a Capela da Misericórdia.

Tal trabalho, saiu na edição de 6 de Fevereiro de 1999. No corpo do artigo fez um sub-titulo: “Telas do séc.XVI à espera da Restauração”, onde confrontado o então Provedor, Armando Oliveira, com a recuperação das mesmas, obteve como resposta. “A Santa Casa não tem verbas, mas a prioridade têm sido outras”. Os anos passaram, precisamente 34 anos, após a data em que as telas desapareceram do tecto da secular Capela da Misericórdia de Salvaterra de Magos, nada se sabe, onde param!...
Da sua construção não encontrei outras referências, apenas “Capela de Santo António (foi edificado num botaréu, que tinha confrontação com a rua de Santo António), e Igreja de Nossa Senhora da Conceição, junto à vala da vila, pertencendo à coroa real, que tinha vasto patrimônio em Salvaterra de Magos”. Esta Capela, com o seu Albergue, no século XVIII, aparece como patrimônio da Misericórdia de Salvaterra, e algumas vezes recebe os benefícios de conservação, com obras suportadas pelo rei D. Pedro e suas filhas. Destas e outras referências, podemos encontrar no livro do Dr. José Asseiceira Cardador. Edição que recentemente recupei e publiquei no meu blogue “historiadesalvaterra”. A recuperação das telas, sempre me interessou, pois são um património valioso da minha terra, e sabendo que o seu valor é incalculável, não deixo de saber sobre o seu paradeiro.

JOSÉ GAMEIRO
publicado por historiadesalvaterra às 15:34
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