Terça-feira, 26 de Julho de 2011

TER CREDITO OU CRETO, EIS A QUESTÃO

Em todos os tempos houve crises, o povo sempre teve onde arranjar coragem e métodos para sair delas. Nesta que nos apoquenta nos dias que passam, a poupança e o trabalho, são atributos indispensáveis para ultrapassa-la. Nos anos que se seguiram à segunda guerra mundial, a riqueza da gente trabalhadora, era daquelas que corrói a algibeira e a alma. Em Salvaterra de Magos, a miséria era devassadora, o trabalho rural era o meio de subsistência da maioria da população. As jornas, essas eram de pagar a maltrapilhos. Aos domingos à tarde, era na praça de trabalho, uma para homens outra para mulheres, que se esperava por trabalho. Quantas tardes, daqueles dias, estive brincando com outras crianças na Avenida que dá para a rua Dr. Gregório Fernandes, enquanto minha mãe sentada no chão, junta com as do seu grupo, esperavam por novas e mandadas. Era ali, que as particularidades da vida de casa, da família, eram descosidas. As mais novas, acabadas de ter homem, orgulhavam-se de ter recebido Creto, numa das lojas da terra, e disso fazia alarde. Muitas vezes, o Crédito era concedido com o empenho de uma pessoa próxima, especialmente da mãe, já cliente da casa. O assunto vinha à baila para fazer pirraça a umas outras, que andavam na boca do mundo, por ficarem a dever – não satisfazendo os seus compromissos do Creto, linguagem destorcida do povo. Quando a conta do Crédito, era aberta, era acompanhada da oferta de um pequeno livro – o rol, onde as compras eram assentadas. Muitas vezes, o acerto (pagamento), era semanal, mensal ou anual. Neste último sistema, os fregueses tinham em vista, a venda de um porco depois de muitas meses de grandes canseiras para o engordar. Uma outra forma de angariar comida para a família, quase sempre numerosa, era usada por muitos Foreiros, de Foros de Salvaterra. Além das lojas na vila, um muito frequente, era feito junto dos lavradores de Salvaterra, que lhes concedessem alguns sacos de trigo, milho e centeio. No empréstimo de dois sacos (cada saco tinha 100 kgs de peso), um aperto de mão selava o negócio. No final dos trabalhos agrícolas anuais, pelo S. Miguel, eram devolvidos os dois sacos, acompanhados de outros dois em paga. Era o sistema 2x2. Estas sementes,; trigo, milho e centeio, dava para mandar fazer farinha, para a cosedura de pão para a família durante o ano e semear, nas suas terras de sequeiro. JOSÉ GAMEIRO
publicado por historiadesalvaterra às 22:41
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