Terça-feira, 27 de Agosto de 2013

O CENÁRIO ACONTECEU !....

Em jeito de crônica do séc. XX
Alguma página de um qualquer livro, fará a descrição dos acontecimentos. As situações aconteceram já fazem parte da história de Salvaterra de Magos. Um dia de 1997, houve festa efusiva e havia motivos para isso, quem perdeu as eleições autárquicas assistia com respeito, era seu dever, teve humilde para ver aquele deslumbramento em frente à Igreja Matriz de Salvaterra de Magos, onde o champanhe correu pelas gargantas dos novos autarcas eleitos e seus apoiantes. A coligação CDU, destronou o Partido Socialista, após duas dezenas de anos de poder maioritário no concelho. Depressa foi urdida, uma maquiavélica encenação de demonizar os perdedores. Pedidos de Inquéritos, informações públicas através da comunicação social. Algumas instituições/colectividades e festas da terra, foram postas em “banho- maria”, com pessoas de confiança. A perseguição mais latente, deu-se quando o grupo tomou a peito usar as “labaredas do inferno”, para cercar o demônio que estava bem à vista – os dirigentes dos bombeiros. Alguns foram autarcas, ou apoiantes que tinham perdido as recentes eleições.



Informações para os jornais e televisão, estiveram nos seus desígnios, em dia festivo aconteceu (por coincidência), havia desfile de Fanfarras na vila, promovido pelos homens da corporação. A policia, manhã cedo procedeu a capturas, pois já tinha mandatos de prisão. Entrevistas para telejornais, foi de ver a azáfama de alguns depoimentos de membros do grupo, com cenário e sitio preparado. Havia que enlamear, denegrir os adversários políticos perdedores. Em Dezembro de 2005, tudo foi esclarecido, os acusados acabaram por sair da barra da justiça, com a cabeça erguida, limpos, como aliás sempre estiveram na vida.
O grupo depressa desmembrou-se, porque os mais importantes; Presidente da Junta de Freguesia de Salvaterra e Presidente da Câmara, não estavam pelos ajustes de continuarem a respeitar o dogma dos seus princípios comunistas, em que tanto acreditaram e preconizavam para outros os seguirem. De uma assentada, levaram consigo alguns, que eu diria com alguma alegoria: “seguidores sem pensamento”, passando a fazer parte de uma força politica, mais à sua esquerda – Bloco de Esquerda.



Passado a “o seu impetou destruidor” muitos membros do grupo, aconchegaram-se para a retaguarda, ou abandonaram (não viram satisfeitas as suas pretensões) tentando passar despercebidos, mas os seus nomes fazem já parte da memória do povo. Decerto um dia os seus descendentes vão saber, que pertenceram a uma “fornalha”, que esteve no poder 4 mandatos, 16 anos, e alguns da equipa, apegados estão ao poder, que querem apenas mudar de cadeira, pois “.... temos obra feita” é novo slogan!....



A par do que já descrevi, em 15/8, quanto à conservação dos monumentos de Salvaterra, muitas “coisas” ainda haveria para contar. Talvez um dia!....
Nesta crônica, para que os mais novos, as gerações que têm poder de decisão - votando, não ficarem previdos desta afirmação “Não me diga, vou todos os dias para a Câmara, e não vi nada disso!....” Era uma resposta, a uma pergunta que fiz à presidente da câmara, em 2007, em plena Assembleia Municipal, quando da destruição dos ninhos das Andorinhas, em tempo de criação, nos beirados do edificio camarário. Ninhos, que em documentos de séculos são descritos lá existirem. O sarcasmo sempre presente. Tirem as vossas conclusões!...

Nota: Foto 1 - Comandante; Carlos Leonel Duarte, Joaquim Mário Anão e Dr. José Gameiro dos Santos, saídos do tribunal, ilibados das acusações e difamações de que foram alvos. * Foto 2 - O beirado do edifício camarário, com os ninhos derrubados * Foto 3 - Ninhos no chão, com pequenas andorinhas mortas no chão, era época de criação.

JOSÉ GAMEIRO
publicado por historiadesalvaterra às 15:09
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Sexta-feira, 23 de Agosto de 2013

O PODER, AJUDA AQUECER A CADEIRA!....

Chegados ao poder (a cadeira é apetecível) alguns não perdem pela demora em por em marcha, uma estrategia que um dia leram na cartilha, do quero posso e mando!..
Não são humildes, vem-lhes ao decima todo o ressentimento ajustado a quem lhes antecedeu. Estes, são demonizados, todos os argumentos, todas as conjecturas são possíveis e usadas, no seu “doirado” reinado, Esquecendo-se que um dia poderá chegar o dia deles, e que as gerações vindoras não os lembrará, dando azo ao esquecimento da sua passagem pelo poder autárquico da terra.

Um dia, de 1993, estava eu, como presidente da Assembleia de Freguesia de Salvaterra de Magos, eleito nas listas do partido socialista, tomei em mãos, era o local certo, para a realização de uma necessidade premente na freguesia. Foi concedido pelo executivo câmarário, a cedência de poderes para uma COMISSÃO (1), doar a Ruas, Trav. Largos da Freguesia, nomes dos seus insignes filhos, que ao longo dos tempos tinham honrado a terra onde tinham nascido. Era um pedido que me vinha sendo negado, pois aí apenas usava a caneta e as páginas do jornais – pedia justiça, para o filantropo; Gaspar Costa Ramalho, que lhe fosse concedido o seu nome a uma artéria da vila.
A família de Costa Ramalho, por mim consultada, não sentia desprimor a rua onde tivera habitação e lhe nasceram os filhos – Rua Cândido dos Reis, esta toponímia, por sua vez já tinha destronado o nome de Santo António, que vinha muito antes do séc. XVIII.



No dia 13 de Julho de 1992, em sessão de câmara, foi aprovada (constando em acta), por proposta do vereador da CDU, José Domingos dos Santos, que o topônimo GASPAR COSTA RAMALHO, estava muito bem no novo ruamento, que partia do Celeiro (agora Mercado Municipal), rua 31 de Janeiro até ao Palácio da Falcoaria. Tal decisão foi posta na gaveta e não mais se falou no assunto. Continuei a insistir, os jornais davam-me guarida, mas nada conseguia, o poder não ouvia os meus apelos – mesmo descrevendo a benemerência, de tal filho da terra. Com a referida COMISSÃO, a funcionar, com João Nunes da Silva e José Domingos, da CDU, Rafarel João Alcântara da Silva e Manuel Oliveira, PSD e Joaquim Antão, PS, e por por mim próprio que presidia.
As reuniões foram “um mundo de dificuldades” às minhas propostas devidamente documentadas com as biografias de: Gaspar da Costa Ramalho, Luiz Augusto Rebelo da Silva, Luiz Ferreira Roquette de Melo Travassos (1º Barão de Salvaterra de Magos), José Soriano de Souza (Frade; José Soriano), no Convento de Jericó, Francisco Ferreira Lino e Francisco Porfírio Albano Gonçalves (Boticário na vila) e José Teodoro Amaro, foram simplesmente ignoradas, até mesmo “denegridas” por outras propostas apresentadas no momento – só para atrapalhar!.....

O representante da CDU, João Nunes dos Santos, em várias sessões foi fértil, na achincalhação comparativa (2). Chegou-se mesmo à situação do representante da CDU, José Domingos, apresentar a proposta, para uma sua amiga, acabada de falecer – a escritora Manuela Montenegro (Maria Manuela Pimentel Montenegro e Rodrigues, natural de Poiares. A família, estava na disposição de doar o seu espólio à biblioteca municipal, informou. Devido às dificuldades encontradas, em Assembleia de Freguesia, de 16 de Abril de 1993, foi deliberado a extinção daquela COMISSÃO, dado conhecimento ao executivo camarário, em 26 do mesmo mês, com um processo anexo. O tempo passou, muitos políticos desta escola, estiveram largos anos na cadeira como: João Nunes dos Santos, que teve uma maioria a apoiar as suas decisões - Um dia, houve festa em Portugal, o presidente de Timor, visitava o país, o povo engalanou-se em cortejos, a Freguesia de Salvaterra, acompanhou os festejos e decidiu doar um nome a TIMOR LOROSAE, destronando a rua TRÁS DA IGREJA, nome que vinha e era uma referência do após Terramoto de 1909. Recentemente, a Freguesia, foi "inundada" de nomes que nada têm a ver com os insignes filhos e que honraram a sua terra - Nesta leva de topônimos, o de Gaspar Ramalho, encontrou lugar entre a rua Padre Cruz e a Rua Pe José Diogo (em frente à Misericórdia). Os Irmãos Roberto(s), foram esquecidos, mas se nos debruçarmos no seu testamento, as instituições da terra, não foram esquecidas. O povo não teve conhecimento antes destas decisões. Existe muito mais, estejam atentos!.....

(1)- Noticia no Jornal Vale do Tejo, edição 24, de 29.1.1993
(2) – Achincalhação – (Derv.reg. de achincalhar)

JOSÉ GAMEIRO
publicado por historiadesalvaterra às 18:53
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Sábado, 17 de Agosto de 2013

COMER SARDINHA ASSADA - ESCAMADA

No dobrar do séc. XX, a "colônia" de famílias de pescadores vindos da Murtosa e arredores, já não era tão intensa, pois no final do século anterior, até aos aos 40 a sua faina, andava pelo rio Tejo, usando a Vala Real de Salvaterra de Magos, como porto onde vendiam o pescado à base: Fataça, Barbo, Enguia, Savel. Na década de 30, abasteciam, o comércio da sua zona de origem e eram solicitados a enviarem Sável, para o Porto. O meio de transporte era o caminho de ferro, com embarque na estação de Muge. Usavam uns cestos de verga (tamanho rectangular) onde acamavam o peixe entre espadanas, para se conservar alguns dias frescos. Esta arbácia, era muito fértil nesta vila, em espaços de águas estagnadas. Os seus usos e costumes, vieram com os seus antepassados, desde o séc. XVII, tempo em que os pescadores da Ria de Aveiro, desceram até Lisboa.



Era um povo, que usava no trabalho a bateira s/ bico, utilizando algumas vezes um familiar, ou a esposa, na sua faina. Geralmente usava um Jovem/ou homem solteiro, como contratado, também ele vindo daquelas paragens, Era chamado, o Camarada. A sua estadia, era sempre em tempo de Inverno/Primaveira ( quando a faina no mar/ ou na ria não permitia ali o seu sustento). Tinha uma forma de viver em comunidade e muito religiosos.

Naquele tempo, havia familias inteiras, parentadas, cuja genealogia vinham dos PEREIRAS, NAIAS, CARRAMILOS, entre muitos outros. As alcunhas, dominavam entre eles. Existia uma que por ser do sitio da Lagoncha (Murtosa), alguns dos seus descendentes passaram a usá-lo como nome.


No seu tempo de estadia em Salvaterra, vivam em casas arrendadas, mas era notório a casa própria, pois iam comprando em cada ano de safra, regressando depois no Verão. Muitas acabaram por ficar e criar os filhos na vila. Muitas mulheres e filhas, entravam por terras do concelho (Foros Salvaterra, Marinhais, Glória), com a canastra à cabeça vendendo o pescado fresco. Era um povo de emigração, EUA, Canadá, Brasil, África do Sul, países da América do Sul. A Pesca do Bacalhau, também os recrutava. Nos seus usos e costumes, usavam roupas (das suas terras de origem - especialmente o homem com a camisa),

na culinária, faziam pratos ( publicamos noutro espaço). Quando criança, morava ao pé deles e brincava com seus filhos, comendo das suas refeições- A Sardinha assada, na sua época (Junho/Julho/Agosto), em algumas casa, era comida da seguinte maneira. A Sardinha era escamada "ao arrepio" para tirar as escamas * Depois, colocada em vinagre, limão e alho com sal, durante algum tempo, num prato para ganhar gosto * Com o braseiro feito, eram assadas, e comidas quentinhas com a mão ao correr da boca, ou em cima de um pedaço de pão (geralmente de milho) * Acompanhadas de alguns golos de vinho.
Nota: Foto 1 - Pescador origem da Murtosa, anos 30 do séc. XX * Foto 2 - Pescador, Manuel José Pereira, na vala real

JOSÉ GAMEIRO
publicado por historiadesalvaterra às 21:15
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Quinta-feira, 15 de Agosto de 2013

AS RODAS DE PEDRA, NA FEITURA DE RODAS DE MADEIRA

Era menino de escola, nas horas livres, “para andar bem aporreado”, acompanhava meu pai, nos seus afazeres na vila de Salvaterra de Magos. Ele, era empregado municipal, andava de manhã cedo varrendo o lixo, com uma vassoura de lentisco, com um grande cabo – vara de eucalipto, que ia deixando em pequenos montes, ao longo das ruas. A juntar ao lixo urbano, havia as fezes dos animais, que em manada/ou rebanho iam passando pelas ruas. Acabado este trabalho fazia a recolha para uma carroça, puxada por um animal de raça (cruzado cavalo/burra - macho/ou mula), pois eram mais dóceis de conduzir e suportavam grandes cargas. Nalguns dias, fazia a distribuição das carnes, em carro de madeira apropriado até às Salsicharias e ao único Talho de carne bovino.


Os animais eram abatidos no matadouro municipal; porcos, carneiros/borregos, cabras e gado vacum. Em frente ao estábulo (cocheira) do animal da câmara, em trás-monturos (Rossio da vila) a uns metros, próximo de uns grandes eucaliptos, existia uma roda de pedra, igual a uma outra existente no terreno descampado junto à Fonte do Arneiro. Estas localizações, tinham razão de existirem, estavam próximas de muita água para ajudar a moldar as peças em ferro.

Os Ferreiros e Carpinteiros de carros, em equipa, juntavam-se nos dias de “forrar” o ferro às rodas dos carros e também o seus eixos, quando era caso disso. Uma grande fogueira, era deixada em brasido, até que a sua temperatura, fize-se a barra de ferro moldar-se ao rodado em madeira. Em Salvaterra, havia várias oficinas de Mestres-Carpinteiros e Mestres-Ferreiros, lembro-me da oficina do Silvio Cabaço, na rua d`água.

A oficina do ferreiro António Ferreira (António Peluço) (1) que foi chefe dos bombeiros, era junto à do Carpinteiro, António Morais, Estes trabalhavam juntos ali próximo do grande Tanque/Bebedouro dos animais, que passavam naquele sitio, em grandes manadas. A roda de pedra, existente junto à Fonte do Arneiro, tinha uma história que a acompanhava, ao longo dos tempos. Era ali, que algumas crianças, após o nascimento eram abandonadas. Manhã cedo, ainda madrugada a população, especialmente as mulheres iam buscar àgua no seu pote de barro. Encontrada a criança, era entregue à Misericórdia local, onde ficava algum tempo, até ser resgatada pela família. Caso isso não acontece-se era encaminhada para a Misericórdia de Lisboa ou Casa Pia, onde eram criadas e educadas – ficando registadas no seu nascimento como “expostas ...”



Na voz do povo, os Contos e Lendas, estavam criadas!.....


Aquelas rodas de pedra, desapareceram, o seu uso deixou de ser necessário aos modernos artífices de carpintaria e ferraria, aliás a agricultura seu campo fértil de trabalho, no dobrar do séc. XX, já era notório o desuso de tais carros em madeira, a mecanização, tinha-se instalado nos trabalhos agrícolas.
Por volta de 1985, o vereador com o Pelouro da Cultura; Joaquim Mário Antão, mandou colocar uma réplica dessas rodas de pedra, junto à Fonte do Arneiro – para memória futura do povo de Salvaterra de Magos.

(1) – Esta oficina nos anos 30 do séc. XX, foi espaço onde decorrer uma situação que José Amaro, contou no seu livro “ O último dia do Lobo em Salvaterra”

JOSÉ GAMEIRO
publicado por historiadesalvaterra às 22:24
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