Sábado, 17 de Março de 2012

AS MINHAS BALANÇAS DE OIRO!...

A minha entrada foi “oficiosa” na câmara de Salvaterra de Magos. Os 11 anos de idade estavam feitos e, teve honras de ser recebido pelo então chefe de secretaria, João Segurado Santos que, me recomendou muito juizinho e cumprir os horários dos serviços da secretaria. Dias antes, a minha instrução primária tinha terminado, o exame da 4ª classe estava feito, e foi comemorado “pomposamente” com um grupo de outros rapazes, bebendo uma gasosa – pirolito -, na taberna do espanhol, na avenida principal da vila.

Naquele tempo, em 1956, era prática os filhos das famílias mais abastadas, continuarem os estudos, sendo encaminhados para o liceu; eram caminhos mais largos. À outra “malta”, esperava-os o trabalho duro do campo; da construção civil – dando serventia – ou a oficina. O balcão da loja, e o escritório de alguma casa agrícola , eram destinos reservados, a muito poucos. As raparigas, essas, para além do campo, lá iam sendo vistas na costura e, até nos serviços domésticos de alguma casa de família, eram as criadas de servir.



A minha entrada nos serviços da câmara, deveu-se porque meu pai, sendo funcionário naquela autarquia, como Servente de Limpeza -varria as ruas da vila, entre outros trabalhos, lá meteu uma “cunha” ao presidente, para eu não andar na ”moina” e sempre apurava a escrita. Os locais de arquivo do município,no sótão do edifício, bem cedo me atraíram. Sempre que podia lá passava algum tempo contemplando documentos da história da minha terra - Salvaterra de Magos. Para além de ajudar meia dúzia de funcionários da secretaria, todos se "penduravam" em mim, porque tinha uma letra bonita, diziam.
No piso inferior do edifício para além do posto da GNR, uma grande sala, que em tempos, talvez até 1945, foi o Talho Municipal, assim dizia uma placa em mármore branco, com esses dizeres. Aí, estava sob as ordens de Cassiano Oliveira na ajuda da feitura dos recibos da cobrança da água, e de José Luís Borrego, nos processos de contra-ordenações, pelos impostos devidos à autarquia, este também era canalizador. Um outro, mais velho de idade, José Miguel Borrego, também aí tinha local de trabalho, era Zelador Municipal. Pessoa respeitada e temida,pois fazia cumprir a lei na vila, e até algumas vezes ia às povoações do concelho - o seu transporte era uma bicicleta.

Não deixo aqui de registar uma situação muito desagradável que se passou comigo:
"Um dia, estavam as bancas do mercado municipal a serem demolidas,jogava eu com uma pequena bola de borracha, com alguns outros rapazes, que esperavam a hora da entrada para a Catequese. O Zelador José Miguel; multou-nos a todos.
A minha multa, foi paga por ele, após me dar grande reprimenda. Meu pai foi chamado à sua presença, tomando conhecimento da situação."
Naquele meu espaço de "trabalho" existiam duas balanças de metal amarelo, pareciam oiro. A um canto uma de porte grande,nela me pesei vezes sem conta, Uma outra muito pequena, com o braço “modelo romano” estava em cima de num armário, parecendo uma decoração. Umas pistolas, estavam guardas numa pequena caixa - parecia um cofre de madeira, trabalhada. Uns papeis envelhecidos, eram os processos dos crimes. As armas, algumas incompletas, com os tambores das balas rebentados, tinham uma etiqueta em cartão, onde um numero escrito à mão, identificava o processo. Ficaram à guarda dos Administradores que passaram pela autarquia. Alguns processos, datavam do século XIX.

Promessas recebi pelas ajudas dadas aos meus "protectores". Entre elas; que um dia iria ver o Benfica, jogar em Lisboa. A viagem não se efectuou por falta de transporte para mim. Uma outra, que iria ver um jogo do Coruchense, este clube participava numa divisão superior naquele tempo. Estive uma tarde toda à porta do Café Progresso (local do encontro) e quando a tarde já ia alta, fui informado que a deslocação não se efectuava. Tal era a minha submissão e ingenuidade. Enfim, outros tempos!....

O Zelador, José Miguel Borrego, nos dias de “aborrecimento familiar”, lá me mandava comprar uma lata de sardinhas à loja do Pedro Santos, e de caminho ali ao pé, um pão na Padeira de Lisboa. Uma pequena garrafa de vidro tinto vinha da Taberna do Morais. Este "manjar" era sempre depois dos colegas saírem para o almoço. Algumas vezes, petisquei um pedaço de pão e provei as sardinhas. Quanto às balanças, muitos anos depois, em 1978, fui encontrar a mais pequena, na inauguração do Centro de Dia decorando um móvel. Nunca mais a vi!....

Com o passar dos anos, na inauguração do Refeitório do Pessoal da Câmara, no bar, lá estava a outra “minha Balança de Oiro” bem conservada, mas já sem os pesos. Muito tempo estive “embevecido a admirá-la!...
Foram momentos de recordar velhos tempos. Uma outra balança em ferro, que vi pesar animais, em 1949/52, trabalho efectuado pelo funcionário Octaviano, depois do abate, no Matadouro Municipal.
Esta velhinha balança, que pesou muitas toneladas de carne, lá estava arrumada a um canto, talvez esperando um espaço num qualquer museu municipal.Talvez para um possível Museu, pensava eu!

JOSÉ GAMEIRO

Nota: Original – escrito para publicação no Jornal Vale do Tejo - JVT
publicado por historiadesalvaterra às 18:07
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Quinta-feira, 15 de Março de 2012

COISAS DA MINHA TERRA !....

Há poucos dias morreu Manuel Santana Lobo.
Pessoa, enquanto jovem se dedicava de corpo e alma às coisas da dele e minha terra – Salvaterra de Magos. Manuel Santana, Esteve na vida cultural, como; a música, esteve no desporto, na vida social e nas festas da sua terra que muito queria. Foi dirigente das colectividades, e pertenceu a muitas actividades, que davam vida à vila, pois era sempre solicitada a sua participação. Durante anos a fio estivemos na organização das Festas de Salvaterra, imbuídos na feitura da parte cultural. Eu, especialmente na parte das exposições na capela real. Eram actividades que davam ao público uma outra visão do passado das gentes da terra. O Manuel Santana, sempre acompanhado de sua esposa; Fernanda Policarpo, integravam também os festejos; Festas do Foral dos Toiros e do Fandango – Salvaterra de Magos, dando o seu empenho na organização, de vários espectáculos. Eram dias que impulgavam todos os que nela



participavam, porque todos no dia da sardinha assada, lá estavam na sua distribuição gratuita - tempos houve que eram algumas toneladas, com o pão oferecido pelas padarias e o vinho pelos vinicultores do concelho e terras dos arredores. Os milhares de visitantes enchiam a avenida principal naquela noite, num convívio que durava 3/4 horas. A comissão, terminadas as festas, alguns dias depois, na Tertúlia do Vidaúl Cabaço, faziam a sua convivência, cada um levando os comes e bebes utilizados na pequena reunião em comum. Em jeito de homenagem amiga, aqui vai uma recordação para o Manuel Santana, porque neste ano passam 30 anos de uma das suas participações.O espectáculo de variedades, daquele ano de 1992, tinha um titulo apelativo “ COISAS DA MINHA TERRA”, e como sempre participavam jovens da terra, que habitualmente davam a sua contribuição. Em jeito de crónica/ou reportagem, escrevi num jornal da região um artigo, que depois serviu para ilustrar a capa da caixa da gravação, que guardo em UHF, e que já passei para o sistema DVD. “Valeu a pena!... A trovoava ter interrompido o espectáculo. Integrado nas Festas do Toiros e do Fandango, as “Variedades Populares”, ocupariam a segunda parte daqueles festejos. A primeira, decorreu com um programa delineado e destinado à população jovem. Ao iniciar-se o ponto forte da noite festiva, uma trovoava abate-se sobre a vila e obrigou os milhares de espectadores , a uma rápida fuga, abrigando-se em tudo quanto era sitio de abrigo. O Largo dos Combatentes, local sempre acarinhado pela população em dias de festejos, ficou num ápice deserto. Os trovões e relâmpagos, que irromperam sobre Salvaterra, metiam medo, deixando-a às esta às escuras durante largo tempo, provocando a decisão de adiar o espectáculo para o dia seguinte. Alguns crentes, em S. Baco, santo muito querido na terra, muito lhe pediram a sua ajuda para que tal acontecesse. O dia seguinte, estava limpo, a noite agradável, não bolia uma ponta de vento, o público estava ansioso por ver os “seus” artistas. Um grupo de jovens amadores, vinha deste à semanas ensaiando os seus papeis e iriam por à prova a sua capacidade artística, em três horas de espectáculo. Actores, que parodiaram o Presidente da Câmara, que não concretizava uma promessa da construção de uma Piscina na terra. Não menos impacto teve aquele alegre duo, que caracterizou o funcionamento do funcionamento do Departamento Cultural, com a presença de um borrego em palco. Era uma “arremetida” que tinha destino. Cenas de boa coreografia como os “toureiros” e os “ciganos” são momentos dificeis de esquecer aquém assistiu àquelas actuações, em plena noite de Verão. Naquele espectáculo actuaram como ARTISTAS; Ana Jorge, António Augusto, Carlos Duarte, Carmo Sequeira, Celeste Rodrigues, Diana Caçador, Dina Silva, Edite Pinto, Elias Oliveira, Elisa Viana, Fernando Silva, Filipe, Helena Duarte, Isabel Andrade, Isaura Duarte, João Travessa, João Viana, José Filipe Andrade, Julieta Hipólito, Lurdes Lamarosa, Lurdes Mirão, Marina Palma e Manuel Carlos. COREOGRAFIAS de; Célia Jorge, Carla Duarte, Elsa Viana, Fernando Letra, Gonçalo Esteves, Gonçalo Dionísio, Hugo Pratas, Hugo, Ivone, João Duarte, Joaquim Carlos, Mónica Antão, Olinda Duarte, Sérgio Patrício e Tiago. ACTORES; Ângelo Marques, Elisa Travessa, Eugénio Gomes, Nuno Oliveira, Paulo José, Pedro Machado, Rafael Assis, Tó Zé Narciso, Bé Sousa e Zé Lino. MÚSICOS; Amadeu Neves, José Sousa, Carlos Borrego, Tó Grencho * PARTICIPAÇÕES; Maquilão, Sérgio Banha, Zé Pelixo – COLABORADORES; Adelaide, Isabel Duarte e Susana Antão. CABELEREIRAS E MAQUILAGEM; Elsa * REALIZAÇÃO E COODERNAÇÃO; Fernanda Policarpo, Leonor Cadório e Manuel Santana.
JOSÉ GAMEIRO
publicado por historiadesalvaterra às 16:14
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