Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

OS ORGÃOS DE TUBOS DA VILA !

Decorria o ano 1964, um grupo de jovens aderiu à ideia da formação de um agrupamento escutista ligado à igreja.  Os meus dois  irmãos, muito entusiasmados foram da primeira leva.    A sede mesmo que provisória, foi um pequeno espaço, na antiga capela real, com soalho lavado à esfregona e paredes caiadas, aperaltado com decorações alusivas ao escutismo, passou a ser o encanto daquela juventude, pois durou dias tal empenho.

Um grande senão deixou marcas irreparáveis, no local existia um pequeno armário, há muitos anos fechado e, com o decorrer dos dias a curiosidade foi–se instalando em alguns espíritos.   Na falta de chave, a porta foi aberta de uma forma pouco delicada e, o início de uma destruição estava latente.   Dentro daquele velho móvel, estavam muitos tubos, que aguçaram o desejo de neles fazerem sons (1).

Eram os tubos de um órgão, foram arrancados, andaram em bolandas de mão em mão, até que desaparecem. 

O tempo passou, tudo caiu no esquecimento !

A paróquia de Salvaterra, 33 anos depois foi enriquecida com um grupo de jovens padres, entre eles, o padre António José Ferreira, que sendo um entusiasta por este tipo de música -órgão de tubos, fez uma pesquisa e diversos contactos, tendo levando à reparação do velho órgão da Igreja Matriz da vila.

 É um móvel, de grande beleza, construído em 1825, por António Xavier Machado e Cerveira, afamado organeiro da época, tem um teclado manual único, 53 notas e 594 tubos.    O dia 11 de Junho de 2000, foi uma data memorável, na sua nova apresentação pública, com um vasto programa, onde actuaram, Organeiros, nacionais e estrangeiros, Flauta transversal e Coros, a Igreja Matriz,  esgotou com um público que muito aplaudiu as actuações.

Para a reparação de tão belo instrumento, contribuíram muitas entidades e organismos públicos e privados. 

Quanto ao órgão da capela real, lá vai aguardando por melhores dias, a um canto do espaço que um dia, foi o do Coro, quando a realeza visitava o palácio da vila.

 

*********

 (1) - Extraído do Livro Nº 42 da Colecção "Recordar, Também é Reconstruir"

 

 

 José Gameiro

 

 

 

 

 

 

 

   
publicado por historiadesalvaterra às 23:11
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Terça-feira, 12 de Agosto de 2008

OS MOINHOS EM SALVATERRA !

 

No Verão de 1955, vivendo eu, junto à capela da misericórdia, séculos atrás conhecida por capela de santo António, passei muitos dos seus dias, como o fazia todos os anos anteriores, com o rapazio da minha idade, na caça aos pássaros no salgueiral dos valados da vala real, ali mesmo junto da sua ponte.
 O chamar constante das crias de pardais, pelos pais, davam-nos a indicação da sua presença.   Entre nós, havia daqueles pequenos caçadores de fisga, alguns com uma apontaria e perícia tal, que cada pedrada, era um pássaro morto no chão.
 Ali, no lado direito da jusante das águas da vala real, subindo o valado existiam já muito tapadas, pelas árvores e lodo, algumas pedras de lioz, de configuração mais para o rectangular e bem compridas, juntas umas às outras faziam uma escadaria.
 A população mais antiga, ainda falava no Moinho de Arroz, que tinha existido, tal como minha mãe, que dizia-me quando menina, muitas vezes naquela escadaria lavou roupa, e dava conta da existência de um pequeno túnel no valado, onde a água passava com as marés, com destino a um pequeno bafordo, espaço onde há pouco foi construído um local para treino de cavalos.
 Vestigios de outros moínhos existiram,  por volta de 1919, quando da construção da praça de toiros da vila, no espaço destinado  à arena, o trabalhador, António Remundo, destruiu à marreta, uma construção de um antigo moinho (1) de vento, já inactivo que fazia companhia a outros dois, ali perto e nas mesmas condições.
No dobrar do séc. passado, no sitio da Coutadinha, onde mais tarde se construíram habitações da Chesal, ainda vi uma construção redonda, com portal aberto, sem janela e telhado, mostrando o sitio em cima onde poderia ter assentado o mastro das velas.
Em tempos recuados, por volta de 1773, quando da nova demarcação do concelho de Salvaterra, existia um moinho de água, conhecido por “Moinho de Magos” pertença de Simão Aranha, devido à sua localização no sítio de Magos, sabe-se que deu origem a protestos e contra protestos, entre as câmaras de Muge e Salvaterra.
 
 ______
 * (1) - Testemunho recolhido pelo autor ao próprio A.R., quando da reportagem dos 50 anos (1970), da inauguração da praça de toiros, que foi publicada no Jornal “Aurora do Ribatejo” e faz parte dotexto do Livro Nº 3 da Colecção "Recordar, Também é Reconstruir!"
 
JOSE GAMEIRO
publicado por historiadesalvaterra às 22:59
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