Sexta-feira, 12 de Março de 2010

OS LICORES E XAROPES "LOPES ROSA" - 100 Anos, Três Gerações

    Em Salvaterra de Magos, ainda se choravam lágrimas por aquilo que o terramoto de 1909, tinha causado na vila, quando Álvaro Lopes Rosa, nascido em 16 de Março de 1889, grande estudioso das fórmulas de bebidas espirituais, muitas delas usadas pelo povo da terra, depressa encontrou com sua esposa, Marta da Conceição Serra (Lopes Rosa), um modo de vida.  Em 28 de Janeiro de 1910,  iniciou a sua actividade, usando um pequeno forno em tijoleira, que consumia lenha noite e dia, no quintal da sua habitação, ali mesmo ao lado do que fora o largo de S. Sebastião. consumindo lenha dia e noite para que a temperatura, do Alambique se mantivesse ideal, especialmente para a queima das aguardentes.

Nas tabernas locais, encontrou venda das suas Aguardentes e Licores. O horário da abertura daqueles estabelecimentos, às 5 e 6 horas da manhã, era propicio para o “mata-bicho”, pois os trabalhadores ali iam beber um cálice daquelas bebidas. Os licores, da firma A. Lopes Rosa, depressa passaram a ter grande procura nos estabelecimentos comerciais das terras da redondeza.

 
    Álvaro Lopes Rosa, não se ficava por aqui, na fabricação das suas bebidas, logo nos primeiros anos do regime republicano de que era
fervoroso apoiante, deu o seu contributo ao município local, foi vereador num mandato e, esteve em várias assembleias.
No campo cívico, foi no teatro, um dos seus grandes amores, que dedicou grande entusiasmo e dedicação, sendo um dos fundadores do Grupo Beneficência Salvaterrense, os famosos “Amarelos”, onde foi actor, músico e encenador.
 
    As exposições Agro-Industriais, tinham grandes animadores em Salvaterra de Magos, realizavam-se anualmente por ocasião da Feira Franca da vila. Naqueles certames, era uso e costume os visitantes provarem os produtos expostos e, dali o veredicto para o prémio.  Na classe dos vinhos licorosos, também Virgolino José Torroaes, pequeno vitivinicultor, exponha bebidas saídas da sua pequena adega, especialmente o vinho licoroso “Toiro Real”
 
    Álvaro Lopes Rosa, por diversas vezes foi premiado com medalha de ouro, tendo a sua Ginja e Aguardente de 1910, sido preferida com muitos outras bebidas saídas do seu Alambique.
Fabricante de Licores e Xaropes, onde a sua Ginja era muito procurado para a época, por volta de 1950, contava já com a colaboração dos seus três filhos: José, Francisco Lopes Rosa e Maria Adelaide.
Do casamento de José Lopes Rosa, com Ermelinda Brás (Lopes Rosa), nascem os filhos Luiz Alberto Lopes Rosa, Luísa Maria Brás Lopes Rosa e José Álvaro Lopes Rosa.                    A Ermelinda, natural de Valada do Ribatejo, deixou uma promissora carreira de costureira de fatos de noiva, para se juntar à família do marido e, durante muitos anos foi mais um membro familiar na grande labuta daquela pequena fábrica de licores.
 
    Depressa os produtos da firma A. Lopes Rosa, estavam a ser vendidos em Benfica do Ribatejo, Almeirim, Coruche, Couço, Mora, indo mesmo pelo Alentejo dentro, pois seu filho José, se encarregava de viajar recebendo encomendas.
    Com a morte de Álvaro Lopes Rosa, em 1 de Fevereiro de 1962, a firma passou para o nome Álvaro Lopes Rosa, Herdeiros, mais tarde em 1972, de José Lopes Rosa e, em 1984, para José Lopes Rosa & Filhos, Ldª, nome que ainda se mantém.
 
      Os anos passaram ! 
     No seu centenário, continua o Alambique, agora de construção moderna, a fabricar as bebidas com os mesmos nomes que outrora lhes deu fama, nas instalações na avenida José Luiz Brito Seabra, em frente ao Palácio da Falcoaria de Salvaterra de Magos.
Com o falecimento de José Lopes Rosa, em 25 de Fevereiro de 2009, continuou a família com a pequena empresa, sendo agora o seu gerente o filho: Luiz Alberto Lopes Rosa, tendo como colaboradores seus sobrinhos: Filipe José d`Oliveira Rosa e Angelique Serra Russo d`Oliveira Rosa.
 
 
Nota:  Fotos: 1 - Alvaro Lopes Rosa * 2- José Lopes Rosa *3 - Luiz Alberto Lopes Rosa * 4 - Exposição Nas Festas de Salvaterra 1966 - 5 - Embalagem 100 Anos * 6 -  Posto de venda numa Feira
Vídeo: Nº 37 em Património de  Salvaterra
 
 
JOSÉ GAMEIRO
 
 
publicado por historiadesalvaterra às 15:56
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