Domingo, 29 de Março de 2009

DR. GREGÓRIO FERNANDES - HONRA AO MÉRITO!

 

O Dr. Gregório Fernandes nasceu em Salvaterra de Magos, no dia 4 de Janeiro de 1849, na casa onde se encontra uma lápida que, os salvaterrianos em preito de homenagem, ali mandaram colocar em 1913, para além de atribuirem o seu nome a uma rua.
Outras homenagens lhe foram feitas ao longo dos tempos, recordando este vulto da ciência que honrou Portugal.  Em 1971, fruto de algumas canseiras, do então vereador da câmara de Salvaterra de Magos, José Teodoro Amaro, culminaram com o seu nome, dado á Escola Secundária, inaugurada naquele ano.
 
O Dr. Gregório Fernandes, muito jovem foi para Lisboa, onde fez os primeiros estudos no colégio de Santo Agostinho. Seguidamente no Porto fez os preparatórios na Academia Politécnica, voltando a Lisboa, para Escola Médica, onde concluiu o seu curso com grande brilho e distinção, defendendo tese no ano de 1873, tendo então 24 anos de idade.
 
Estudioso e inteligente, andou sempre na vanguarda da ciência médica praticada na época, publicou vários trabalhos, entre os quais, “A Patogenia da Febre Traumática, Glaucoma e Recessão do Joelho”. 
 
Este último trabalho relatando uma intervenção altamente apreciada, pois foi ele o primeiro cirurgião a realizar em Portugal.
 
Mas o seu maior êxito foi alcançado em 1892, com uma extracção “Útero-o variana“ que, nunca até aquela data se tinha feito.   Operação, que lhe mereceu os maiores louvores, tanto dos seus colegas portugueses, como do resto da ciência médica mundial, como então ficou escrita.
 
Semelhantes operações, feitas em Viana (Áustria), Paris e Londres, não lograram tão bons resultados. Este ilustre salvaterrense foi incontestavelmente um grande sábio e figura iluminada da cirurgia portuguesa, desempenhou o cargo de cirurgião extraordinário do hospital de S. José e, foi director da enfermaria de S. Francisco que, tem hoje o seu nome. Acumulou o cargo de delegado de Saúde de Lisboa e, o de presidente da Sociedade das Ciências Médicas. O Sanatório de Santa Ana (Parede/Oeiras), para 60 crianças afectadas pela tuberculose óssea, foi construído sob sua orientação.
 
Naquele edifício também foi construído um espaço para albergar 20 idosos. afectados por doenças cardiovasculares, bem como, igual número de camas para cancerosos.
A construção deste hospital sob a sua orientação, foi de harmonia com as prescrições testamenteiras da grande benemérita, a sua doente D. Amélia Biester.
No decorrer da construção recebeu grandes dissabores, mas acabou por ver realizada a obra consoante a vontade daquela ilustre senhora. Dotado de grande probidade de carácter moral, aliada a uma bondade sem limites, o Dr. Gregório Fernandes, a todos os a que a ele recorriam, sem distinção de classes, tratava com a maior solicitude, sem nunca olhar a retribuição.
 
Todos os seus conterrâneos, os pobres em especial, encontravam nele, sempre um amigo solícito e generoso. Todas as quintas-feiras, quando das folgas dos seus afazeres profissionais em Lisboa, vinha até Salvaterra, consultava-os graciosamente. 
Muitos dos mais ilustres médicos da sua geração, como Sousa Martins, Boaventura Martins Pereira, Serrano, Bombarda e outros, lhe pediam conselho para os casos mais graves dos seus doentes. Este homem, modesto, sabedor e bom, faleceu aos 57 anos de idade, no dia 24 de Junho de 1906 na sua casa de Lisboa após, uma intervenção cirúrgica.
 

Gregório Fernandes, cidadão que, tão devotada e estoicamente serviu a sua pátria, é ainda o mais claro espelho de virtudes e, poderá apresentar-se aos nossos jovens estudantes, como modelo de sabedoria e trabalho. A ingratidão dos homens, especialmente daqueles aquém poderá ser um exemplo, na área dos estudos científicos, nos momentos em que têm o poder de decidir, retirassem o seu nome do edifício escolar que, um dia foi um emblema da determinação das gentes de Salvaterra de Magos.

 

 Nota: Extraído do Livro Nº 8 Honra ao Mérito! - Colecção "Recordar, Tambèm é Reconstruir" do Autor

 

 

JOSÉ GAMEIRO

                                    

 

                                   
publicado por historiadesalvaterra às 18:23
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