Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010
Padre José Rodrigues Diogo - Um sonho, torna-se realidade!

 

Como todos os mortais, o Padre José Rodrigues Diogo, um dia morreu !
 Nos seus últimos desejos, correspondeu aos pedidos do povo de Foros de Salvaterra.                 Foi enterrado no cemitério daquela freguesia.
O padre José Diogo, viveu de 1919 -1997, nasceu  em terras de Vila Nova de Ourém.
 Foi ordenado pela Diocese de Lisboa e, chegou à Paróquia de Salvaterra de Magos, em 1944, para suceder ao Padre José Ferreira.
 
 O jovem padre de então, com 26 anos de idade, encontrou uma população cheia de contrastes. Uns analfabetos e humildes, vivendo pobremente em barracas, com subsistência no mundo rural, que só lhes dava trabalho e sofrimento.
 
Outros, os senhorios, donos dos campos, bem-educados e com uma cultura acima da média para a época. Desses contrastes, mais havia – campos férteis, a par dos terrenos incultos, capazes de encher celeiros.
 
Foi este o cenário, que o padre José Diogo encontrou, no início da sua vida paroquiana que durou mais de 40 anos em Salvaterra de Magos. Depressa mostrou ser sensível aos problemas das famílias mais desfavorecidas, ajudando-as a lutar por melhores condições de vida. 
Em 1947, fundou o Centro de Assistência Social Infantil de Salvaterra de Magos, fazendo aprovar os seus estatutos em 8 de Outubro de 1947. Em 1949, começou a construção da Casa da Paróquia, na Praça da República.  A Casa de Trabalho, que viria a funcionar na Rua Alm. Cândido dos Reis, 22, numa propriedade doada por D. Maria Carolina Rebelo Andrade. Ali foi instalada a primeira sede desta grande obra, serviu durante anos de1947 a 1987, de "oficina" de corte e costura, para jovens meninas.
 Ficou assim conhecida como “Creche Velha”. Em 1956, foi instutida a "Sopa dos Pobres", a qual confeccionava e distribuía refeições para os pobres da vila, levando o jantar para casa e, para os que se encontrassem de passagem.
 
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Rodeou-se de alguns colaboradores para esta grande obra da Igreja de Salvaterra. O Dr. Joaquim Gomes de Carvalho, que fazia assistência médica aos pobres. O Engº Carlos Santos da Costa Freire, Mário Galvão, Prof. Manuel Duarte Assunção, Engº José Henriques Lino e João António Sabino Assis, foram directores em diversos mandatos. A estes juntaram-se na Assistência Social, D. Maria Sameiro e Maria Carolina Rebelo Andrafe.
 
As doações pediu-as a quem mais tinha, pois sempre teve um bom relacionamento com os paroquianos mais abastados, mantendo o sonho da primeira hora, construir bairros sociais, acabando com as barracas na vila, especialmente as existentes por detrás do cemitério.
 
 As Direcções anteriores foram-se renovando, depressa constituiu o "Património dos Pobres", pois era necessário iniciar-se a construção de três bairros sociais, para albergar mais de 150 familias. A Firma de Manuel Valente, na pessoa de Jaime da Silva Valente e, a família José Menezes e esposa Lurdes Vinagre, fizeram a doação dos terrenos para os bairros. 
               
Sem dinheiro para tal obra, mas com grande determinação e optimismo, avançou na construção,
 fez várias viagens, bateu a todas as portas, na Itália, Alemanha, Luxemburgo, Holanda, Bélgica e Áustria. Na Alemanha teve conhecimento de jovens que compunham os "Compagnons Battisseurs", com sede na Bégica, conseguindo o seu apoio, estiveram em Salvaterra, durante 4 anos, recebendo 60$00 por semana. Foram acolhidos pelo casal Dr. José Cardador e sua esposa Mariazinha Cardador. As familias pobres entravam nas casas, à medida que iam terminando. Assim, em pouco tempo conseguiu-se acabar com muitas das barracas que existiam por detrás do cemitério da freguesia local.
 
 Em 1964, reune um grupo de jovens e constitui o Agrupamento de Escuteiros de Salvaterra de Magos. O padre Diogo, via que o seu sonho já era palpável e, para corresponder ao espírito cristão a que a sua obra se destinava, especialmente na casa-creche, conseguiu a colaboração de algumas religiosas da Congregação das Irmãs de S. José da Província de Salamanca-Espanha., que durou 22 anos.
 
Em 1978, convidou-me para o acompanhar no mandato da direcção (1978-1980) onde estive com Rufino Andrade e, com a saída deste, com José Martins dos Santos.
 
 Em 1981, novamente o que parecia impossível, conseguiu da família Menezes, a doação de uma faixa de terreno com 1.500 m2, na zona já urbanizada como Pinhal da Vila, junto ao depósito da água iniciou a construção de uma nova creche que, para a sua arquitectura teve a prestimosa oferta do Atlier de Arquitectura do Arquitecto Segurado.
 
O Centro Paroquial de Bem Estar Social de Salvaterra de Magos, foi criado em 1983, passando a pertencer como todas as outras iniciativas, à Fábrica da Igreja de Salvaterra de Magos, para assim ter o apoio do Estado.
 
As dificuldades foram muitas, um dia junto das entidades oficiais disse: “ dêem 2$50 e eu começo a obra”. Viajou novamente pela Europa, foi de abalada até às comunidades portuguesas nos EUA e, como ele dizia: “ Trouxe alguns “tostões”. Iniciou a obra da creche e acabar os bairros.
 Em 19 de Setembro de 1991, com a presença do senhor Bispo de Santarém, foi abençoada a primeira pedra, da creche que durou cerca de 12 anos a ser aprovado e, quase outro tanto a ser concluída. Entretanto o padre José Diogo, adoece gravemente e, foi substituído sucessivamente por vários párocos. A obra da creche foi avançando, o padre António Vaz Azevedo, contou com o trabalho de relevo do director; José Martins dos Santos. O Padre Agostinho Teixeira de Sousa, terminou a obra da creche, e a ùltima parte dos bairros sociais.
 
 Os bairros, passaram a ser designados por S. Paulo e S. José, um desejo do padre Diogo. Um com o nome do órago da freguesia e, o outro em memória do benemérito José de Menezes e sua esposa Lurdes Vinagre.  Com tal urbanização de casas sociais, deixou de existir famílias a viverem em barracas, em Salvaterra de Magos.
 
 O Edifício da creche, foi inaugurado em 19 de Setembro de 1995, com a presença do senhor Bispo de Santarém, D. António Francisco, tendo recebido apoios financeiros do Estado e da Câmara Municipal.   A câmara municipal de Salvaterra de Magos, através do seu presidente António Moreira, em 7 de Julho de 1995, homenageou o Padre José Rodrigues Diogo, uma personalidade que desencadeou diversas acções benéficas em prol dos mais necessitados da Paróquia.  Também as freguesias de Glória do Ribatejo e  Marinhais tiveram projectos, em que ele esteve empenhado. Em Foros de Salvaterra, sede da Freguesia, e no lugar da Várzea Fresca, foram construídas Igrejas.
 
Em 8 de Outubro de 1997, o Dr. José Gameiro dos Santos, presidente do município salvaterrense, concede Diploma de Honra “Grau Ouro” ao Centro Paroquial de Bem Estar Social de Salvaterra de Magos e concede-lhe o nome de uma rua.
 
Foram 50 anos da vida do Padre José Rodrigues Diogo.
 Um sonho, tornou-se realidade!
 
Nota:  Lançamento da primeira pedra para os bairros sociais, junto ao cemtério, terreno que depois foi trocado, mais para Sul * Homenagem da Câmara Municipal, noticia Jornal Vale do Tejo – 14.7.1995 * Foto do Autor
          Livro: Centro Paroquial – 50 Anos de Acção Social em Salvaterra de Magos (1947-1997)
         Casas de três bairros sociais e Creche - Fotos do Autor
 
JOSE GAMEIRO


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Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
ANTONIO PAULO CORDEIRO - MUSICO E MAESTRO !

 

 
Um dia, em 1958, desempenhava eu, as funções de Despachante de Encomendas, na Central (agora Estação de Autocarros), situada na rua Heróis de Chaves, em Salvaterra de Magos.
 Ali, ia amiúdas vezes, um homem já de idade avançada, enviar um garrafão com bebida licorosa, para uma taberna de Samora Correia.
 Sabia que na vila lhe chamavam António Magos, mas não conhecia o seu passado.
Fabricantes de aguardentes e vinhos licorosos, existiam o Álvaro Lopes Rosa e o Virgolino José Torroais. O primeiro era um conceituado fabricante de bebidas espirituosas, tendo iniciado a sua actividade em 1910. O segundo por ser um pequeno vitivinicultor, além do fabrico de vinho branco e tinto, engarrafava aguardentes e vinhos licorosos. Na vila existiam os irmãos Tito, que fabricavam gasosas e pirolitos e tinham a sua actividade, no espaço onde agora está a sede da casa do Sporting.
 
Tempos depois vim a saber, que o António Magos, aliás António Paulo Cordeiro, nos seus tempos de jovem, também quis enveredar pelo fabrico de bebidas espirituosas, chegando mesmo a ser um especialista na forma de fabricar estes licores.
 Morava em prédio próprio, na rua Machado Santos, mesmo ali junto à Trav. João Gomes, tinha um filho, que desempenhava a medicina veterinária, no Estado.
 
 Em 1987, vinte e dois anos depois do seu falecimento, a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, não o esqueceu e homenageou-o !
 O acto solene teve lugar, no dia 1 de Janeiro de 1987, com o descerrar na vila, numa rua de construção recente, uma placa toponímica com o seu nome e, foi distribuído um folheto com a informação do António Paulo Cordeiro – Músico !
 Tal folheto, fiz publicá-lo, no jornal “O Ribatejo” de que era colaborador, e saiu na edição de 9 do mesmo mês.
 
         “ HOMENAGEM POSTUMA AO MUSICO – ANTONIO PAULO CORDEIRO “
Antigo músico, maestro e compositor, António Paulo Cordeiro, salvaterrense já desaparecido, foi agora homenageado, dia 1, pela Câmara Municipal de Salvaterra de Magos e pela Banda de Música dos Bombeiros Voluntários. A homenagem a este homem que muito contribuiu para o desenvolvimento cultural de Salvaterra, foi constituída pelo descerramento de duas placas toponímicas com o seu nome, no antigo largo da Casa do Povo, a que estiveram as entidades locais; presidente da câmara e vereadores, o filho do homenageado, Dr. João Paulo Cordeiro, entre muitos outros salvaterrenses.
António Paulo Cordeiro, nasceu em 1876, como muitos outros músicos a aprender solfejo na escola de música da banda. O seu instrumento favorito era o Cornetim. Entre as muitas “histórias” de que foi protagonista, conta-se que, num concerto de bandas civis em Santarém, em que participou a Banda dos Bombeiros de Salvaterra, António Cordeiro tocava uma peça de difícil execução, as variações do Carnaval de Veneza. O vento forte que se fazia sentir no local do concerto, levou-lhe as partituras. O maestro ficou atrapalhado, mas o exímio musico continuou pávido e sereno a executar a solo, que lhe valeu uma ovação da assistência.
Esteve à frente de várias bandas da região e da própria banda de Salvaterra como maestro. Ensinou a arte da música a muitos jovens e conseguiu apresentar crianças em concertos a tocar áreas de música clássica. Entre as várias peças que criou como compositor, destacam-se a marcha fúnebre “Coroa de Espinhos” e o “Passe Doble Faculdades”, em homenagem ao toureiro do primeiro quartel do séc. XX, de nome Faculdades.
 
Nota: Para descerrar as bandeiras que tapavam as placas, foi o jovem músico da banda de Salvaterra, Luís Travessa Morais Andrade, que esteve ao colo do Presidente da Câmara, António Moreira.
 
 
JOSE GAMEIRO
 
 

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publicado por historiadesalvaterra às 19:56
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ALEXANDRE CUNHA - UM FOTÓGRAFO AMADOR

  

Um dia, em 1985, andava a recolher informações sobre o Clube Desportivo Salvaterrense - CDS, fui informado que o barbeiro, Alexandre Varanda da Cunha, estabelecido na Praça da República,  em Salvaterra de Magos, em tempos tinha sido seu dirigente e, até imaginou e pintou o emblema da colectividade.
 Entusiasmou-se com a ideia, porque a recolha era para inserir no meu livro “A Origem do Clube Desportivo Salvaterrense”, logo se disponibilizou para num dia aprazado se reunirem naquele seu espaço de trabalho, vários elementos que tinham pertencido aos agrupamentos futebolísticos que existiram na terra.  Entre os que se faziam e desfaziam, ficou o Estrela que deu origem ao CDS.  De todos os presentes naquela reunião, que durou algumas horas, ainda conservo as suas “histórias” em registo de fita de cassete.
 
Sabendo do seu gosto pela fotografia, enquanto jovem, meses depois aprazei uma entrevista  sobre, esta sua paixão, pois tinha no meu álbum, uma foto de quando eu era bebé e, meus pais disseram-me, foi tirada pelo Alexandre !...
Queria fazer um artigo para o “Diário do Ribatejo”, jornal onde colaborava.
Começou por me informar, que nasceu em Salvaterra de Magos a 10 de Fevereiro de 1918, cedo fez a aprendizagem da arte de barbeiro e, quando militar esteve no laboratório do hospital militar de Lisboa, ali aprendeu a revelar fotos nos líquidos apropriados, com um outro militar já experimentado. Aí, tomou o gosto pela fotografia.
 
 
 

Em 1938, já instalado com uma barbearia, na Praça da República, dedicou-se nas horas de lazer, a fotografar vários pormenores de Salvaterra de Magos.  Algumas fotografias, muitos anos depois são uma reliquia, mostrando Salvaterra antiga. Sendo o único fotografo amador na terra, usando uma pequena máquina, que obtinha fotos de 4x6. Mais tarde, em 1941, comprou uma outra de origem francesa da marca “Voitlanjet”, com fole, lente “Voljtan”, para fotografias de 6x9 – de chapas de vidro. Estes eram adquiridos já cortados na loja do José Sabino Assis, junto à Igreja Matriz. Procurado pela população, para tirar fotos para uso oficial e também aos bebés, meninos e casamentos.  Continuando a valorizar-se no campo da fotografia, adquiriu livros e revistas da especialidade, com a ajuda dos amigos que os compravam em Lisboa. Começou a  revelar as fotos num pequeno laboratório, que construiu na sua residência, na rua D`Àgua, aí montou uma câmara escura onde à luz de uma pequena lanterna a petróleo, com vidro de cor amarela, trabalhava com o papel e, um outro vidro de cor a tirar para o encarnado, fazia relevações em chapas ortocromáticas que serviam melhor qualquer principiante, como ele. Estes princípios de cores, davam mais segurança na fixação dos tons claros e escuros das chapas.

As pancromáticas eram mais difíceis de revelar, visto serem reveladas com luz verde, quasi às escuras. Mais tarde, adaptou a máquina a um ampliador sem condensador e foi fazendo lindas imagens.   Por volta de 1946, comprou outra máquina, esta de origem alemã, marca “Zaiss Incon”, também de fole, lente novar 1,35 para películas 6x9.
Embora sempre por meios rudimentares, continuou a revelar as suas fotografias.
Primeiro num pequeno tanque em cimento, depois aproveitando umas cuvetes, usou um relógio despertador e assim se foi aperfeiçoando. Com prensas manuais fazia cópias em papel brilhante e esmaltava-as em chapa de vidro, trabalho primitivo que hoje já não se usa. Mostrou-me na altura um pequeno arquivo de negativos (alguns deles já em mau estado, mostrando os motivos fotografados, muito picados).
 Por volta de 1955, com o material fotografico muito caro, foi-se desmotivando da fotografia e acabou com a sua paixão de juventude.
 
 
A sua última fotografia, por sinal colorida, foi feita a pedido de um amigo, na reprodução de uma pintura da morte do Conde dos Arcos, estreando uma máquina de origem Japonesa. Uma Leus 38 mm. Nessa altura, era dinâmica a actividade do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos. O vereador Joaquim Mário Antão e, o funcionário João Monteiro, empenhavam-se em realizar exposições e colóquios, durante o ano.
 Em 1985, uando da passagem da escola para biblioteca municipal, o painel de azulejos instalado no seu jardim, recordando a morte do Conde dos Arcos, foi uma cópia da reprodução que Alexandre Cunha, um dia fez.
 
A ideia de homenagear o fotógrafo -amador de Salvaterra, Alexandre Varanda da Cunha, fervilhava naquele Departamento Cultural, daí me ser solicitado, pelo já falecido funcionário João Monteiro, a cedência do artigo acima descrito, para constar no cartaz de divulgação da exposição. Muitas vezes o Monteiro, me procurou e serviu-se do meu arquivo, quer de textos, quer de fotos, para enriquecer o seu desempenho no âmbito da cultura do município salvaterriano.
Alexandre Cunha, foi homenageado aos 74 anos de idade, no dia 13 de Dezembro de 1985, pelo presidente da Câmara Municial, António Moreira e, a exposição comemorativa realizou-se na Biblioteca Municipal (antigo edifício escolar). O certame realizou-se de 13 de Dezembro de 1985 a 12 de Janeiro de 1986, estando presentes fotografias do homenageado; de João Monteiro;  de José Álvaro; de Carlos Monteiro;  de Carlos Cantador; de João Hipólito;de  Joaquim Parracho e do Dr. Marçal Correia.
Alexandre Varanda da Cunha, faleceu em 1999.
 
 Nota:  Foto 1 - Alexandre Cunha, no dia da Homenagem * Foto 2- Zona do Jardim Público da Praça da República - 1940 * Foto 3 - Portão do Jardim do Largo da República, o funcionário da Câmara Municipal, José Gameiro Cantante ( pai do autor) - 1957 *  Foto 4 - José Gameiro, quando bébé de meses de vida, no dia do seu batizado.
 
JOSE GAMEIRO
 
 
 
 
 
 
 

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publicado por historiadesalvaterra às 10:52
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Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009
O CICLISTA - A MINHA PRIMEIRA PRENDA DE NATAL

 

    A minha primeira prenda de natal, decerto foi igual a de muitos meninos da minha geração.
 
   Quando a II guerra mundial acabou, tinha 11 meses de idade. Ainda me lembro alguns anos depois, devido à fome que grassava no país, ser colocado pela minha avó materna, pelas 6,00 horas da manhã, na fila que já se formava, para abertura da loja do Francisco Henriques, junto à torre da Igreja Matriz. Na mão tinha uma lata para a compra de petróleo. A minha avó entregou-me à vigilância de uma senhora conhecida e, lhe entregou uma senha de racionamento, que tinha sido distribuída a meus pais, na junta de freguesia de Salvaterra de Magos. Outras crianças entre homens e mulheres, faziam a fila crescer.
 A minha família, todos eles trabalhadores agrícolas, tinham de se deslocar a pé pela madrugada fora até ao local de trabalho e, estar lá quando o sol nascesse.  Que penura de vida!!
 
Morava eu, onde nasci, na rua Heróis de Chaves, na casa onde anos depois foi a “Central das Carreiras”.  Um belo dia ouvi a meus pais, estamos perto do Natal, o que vai ser o Menino Jesus da criança. Numa noite, vi meu pai ajudando minha mãe na confecção da massa dos “velhoses”, tapando o alguidar com um cobertor. Na noite seguinte, o cheiro a fritos, fez-me levantar da cama e, andar por ali perto, a curiosidade era imensa. Numa frigideira de azeite, pequenas bolas de massa, eram fritas.
 
Já não aguentava o sono. A tarefa de meus pais, também estava pronta. Minha mãe, diz-me – Ó Zé, vai buscar o teu sapato do lado direito, e coloca-o em cima do fogareiro,  ( fogão a petróleo),  pois o Pai Natal vem cá esta noite e desce pela chaminé. Vem cá trazer-te uma prenda. Ao cair na cama estava cheio de pensamentos gloriosos, ia ter uma prenda. O pai Natal tinha-se lembrado de mim.
 
Pela manhã, meu pai veio acordar-me e levou-me até à chaminé.   Lá estava um grande embrulho, abriu-o de sofreguidão e, lá estava um ciclista de madeira.  Era o meu primeiro brinquedo. Um ciclista de madeira, com as pernas presas às rodas, como se tivesse pedais, em cima de uma roda grande e um cabo.  Antes de o mostar aos meus amigos, sei lá quantas vezes o ciclista atravessou a rua, de e para um pequeno espaço de terra (onde hoje, está uma Pastelaria).
Passei a empurrar o meu ciclista e vê-lo andar numa “doideira” que só eu compreendia.
 
Muito tempo depois, já quando andava na escola, as minhas prendas do Pai Natal, eram um par de meias. Era uma alegria !
 
Sabendo agora, que são as crianças que escolhem as prendas e, há Pai Natal por tudo quanto é sitio, que pena tenha de não encontrar “a minha bicicleta de madeira” para mostrar aos meus netos.
 
JOSÉ GAMEIRO


publicado por historiadesalvaterra às 19:51
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O NATAL DE OUTROS TEMPOS !

 

 Há dias minha sogra, de 85 anos de idade, perguntou-me se o mês de natal estava perto.
 
 Lá me foi dizendo,  que a geração dela, não conhecia todo o ano, pelos nomes dos meses. Sabia e, ainda hoje o diz; o ano tem seis meses com santos (S.João, S.Tiago, S.Miguel, Piedade, Santos e Natal). Quando era nova, qualquer casal como era tradição na terra onde nasceu – Foros de Salvaterra, a festa do dia de Natal, resumia-se  ao almoço em casa, quer a família fosse de muitos ou poucos filhos. O repasto, era à base de coelho ou galinha, animais criados para dias de algum relevo festivo. O dia de ano novo, era comemorado com o que restava da festa natalicia.
 
 Dois ou três dias antes, depois da jorna de trabalho, noite dentro, algumas vizinhas ou familiares, juntavam-se em casa de uma e, ali faziam “vélhozes” e arroz doce.   Os bolos era coisa desconhecida, para aquele povo rural. Como havia cozedura de pão, do resto da massa, faziam-se broas, as famosas “caralhotas” (massa, azeite, canela e açúcar) para as crianças, aliás era um doce que era feito todo o ano, quando o forno era acesso e havia pão cozido.
 Na noite de natal e, quando o tempo convidava, todos os vizinhos, do canto onde viviam, em grande “ajuntamento”, a pé com velas acesas, por estradas de areia, muitas vezes atravessando pinhais, lá iam noite fora, em romaria (tocando e cantando), fazer entrega das lembranças, aos seus familiares, especialmente aos mais idosos. Os homens aproveitavam aquele convívio, trocavam entre si, uns goles de aguardente e vinho doce.
 
 
JOSÉ GAMEIRO


publicado por historiadesalvaterra às 17:49
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Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
AS CORRIDAS DE TOIROS DE OUTROS TEMPOS !

 

Tudo muda, nada é como dantes!

A tauromaquia de há uns anos para cá, deixou de ter aquele encanto, mesmo para o aficionado. Para os outros era uma festa ver todo aquele aparato.  A  Feira anual, da vizinha vila de Benavente,  tinha lugar em Setembro,  na semana seguinte, era  a de Salvaterra.   Não era a feira franca, pois essa ocorria meses antes, em Maio.  Em 1950, já com os cartazes, na rua onde se  anunciava que vinham actuar na praça de toiros da vila, os mestres cavaleiros; João Branco Núncio e Simão da Veiga. 

 

 

 Os espadas, eram Manuel dos Santos e Diamantino Viseu.  Abrilhantava a corrida a banda de música "Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos". Os toiros eram da ganadaria "Irmãos Roberto" e, os forcados eram do grupo do Manuel Faia, onde pegavam, o Timpanas e o Manuel Ferrador.   As "claques de aficionados"  que aqui existiam, tinham agora mais uma vez oportunidade de ver actuar os seus idolos.

  Ao longo do ano, dividiam-se em acérrima descussão. Um grupo; apoiava João Núncio, um outro Simão da Veiga. Quanto aos matadores de toiros;  Era de ouvir, qual o grupo de aficionados, que soprepunha o seu toureiro, em relação ao outro.

A discussão, começava muitas vezes, nas oficinas de sapateiro, e continuava na sede do Clube Desportivo. 

  Naquele domingo de Setembro, o aficionado visitante, perdia-se entre povo da terra.  O muro da Hota do Sopas, era pequeno para tanta gente empoleirada, vendo os cavaleiros, no "aquecimento" dos cavalos, no largo da frente da praça.  Lá dentro, nos espaços abertos (janelas) com gradeamento em ferro,  estavam apinhados de espectadores,  que se suprepunham uns aos outros, esperando a vinda dos toureiros, através da avenida. Éra um delirio, quando descortinados entre uma muitidão, que os tinham esperado na Pensão do Ribatejano. Era ali, nos seus quartos, que se vestinam de luces, e vinham a pé, tapados com uma ou outra peça de roupa, guardados pelo seu stafe.

A praça estava esgotada. No final, quando o matador, Manuel dos Santos, triunfou na corrida, saíu pelo portão grande, e foi levado em triunfo, aos ombros dos seus simpatizantes. 

  A avenida, a rua Marquês de Pombal, a Heróis de Chaves, ficavam apinhadas de tanta gente, levando o seu idolo, de volta  ao Ribatejano.

 

JOSÉ GAMEIRO 



publicado por historiadesalvaterra às 19:02
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
O ARANHOL DO JOSÉ RATO !

 

O terramoto de 1909, deu origem que Salvaterra de Magos, viesse a crescer para terrenos que o povo dizia ser “terras de baldio”, lá mais para sul da vila.  Naqueles sítios, abundava uma pequena floresta de eucaliptos, que desembocava junto à horta do sopas, construída para dar de comer à população por ocasião do sismo.
 
Por volta de 1920, por lá já existia um edifício hospitalar (1913) e uma praça de toiros. O Calvário, como era conhecido tinha cerca de 900 mts. (atravessava a vila de norte a sul), de terra batida pelos rodados dos carros puxados a animais, era bastante larga, ia servindo de arruamento às novas construções que iam aparecendo.   Numa réstia de eucaliptos que por ali ainda existia, podia ver-se o pelourinho ( uma cruz e base de pedra), que vinha do tempo dos reis, fora retirado para limpeza daqueles terrenos.   A cruz, foi colocada no cemitério local.
 
  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nos últimos anos do séc. XIX, tinha sido construída naqueles terrenos, uma grande adega, que tinha agora de frente o muro do hospital, era seu proprietário o lavrador Francisco Ferreira Lino.   Não desmerecia de uma outra, que a casa Roquette, possuía.
 A família Freire, também tinha naquelas bandas, grandes espaços, eram os currais de gado (1).   Por volta de 1945, aquela estrada deu lugar a uma avenida, moderna para a época, que recebeu o nome de Vicente Lucas de Aguiar, antigo presidente da câmara municipal (2).
 
 
 
 
Num dos cruzamentos daquela avenida, na rua Dr. Gregório Fernandes, o Dr. José Henriques Lino, em 1948, agora proprietário da casa agrícola que fora de seu pai, transformou um grande armazém, em taberna.    Era uma inovação entre os agricultores/viti-vinicultores, para escoarem o vinho; vendido a copo e ao garrafão. Naquela travessa de ruas, as mulheres rurais encontraram sitio para a sua “praça da jorna”, local onde esperavam por trabalho, desde a tarde de domingo e muitas vezes segunda-feira de manhã.
 Levavam os filhos (rapazes e raparigas) de pouca idade, que por ali se entretinham a brincar.   Minha mãe, tal como as outras mulheres, muitas vezes iam ao “Armazém do Dr. Lino”, comprar pevides ou tremoços para os meninos. 
 
  Cada medida, um pequeno copo de vidro, custava 2 tostões.   O José Rato, velho adegueiro velho daquela casa agricola, pessoa muito estimada entre os seus pares, transportava os barris de vinho e aguardente, num esquisito carro construído em ferro, que chamavam “Aranhol”.     Nós o rapazio, lá nos dependurávamos nele, com a conivência do condutor, até porque o percurso era curto.
 
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(1) - Os dois currais (um de cada lado da rua), tinham nascente de àgua * Numa dessas nascentes, existia uma bomba de àgua, com roda de ferro, onde a população se abastecia (fui lá muita vez com minha mãe buscar um pote de àgua), no outro lado, existia a mãe-de-água, que abastecia o Fontanário existente junto à câmara * Mais tarde, estes espaços deram lugar as grandes construções de habitação, onde no piso do chão foram instalados instituições bancárias.
(2) - A pedra tumular, em 1964, ainda se encontrava no antigo cemitério da capela real * A avenida, por volta de 1980, passou a ser conhecida: Dr. Roberto Ferreira da Fonseca, outro antigo autarca.
 
Nota:  Na Adega, durante muitos anos foi ali que se realizavam os leilões, dos produtos oferecidos pelos lavradores e gente anónima do concelho, à Misericórdia de Salvaterra * No dobrar do dobrar do séc.XX, ainda existiam cortejos de oferendas, que nornalmente era no Dia S. Martinho, fim da faina agricola anual.
 
JOSÉ GAMEIRO
 
 
 


publicado por historiadesalvaterra às 18:59
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Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
OS TRANSPORTES PÚBLICOS DE PASSAGEIROS !!!

 

                               O MEU CONTRUBUTO
 
Por volta de 1952 a curiosidade e a brincadeira na rua eram muita !
 
 Em frente da Igreja Matriz, estacionavam as camionetas da carreira, durante largas horas.  Eu, como todo o rapazio de idade escolar, atrevíamo-nos a subir a pequena escada em ferro, da parte de trás, que dava acesso ao tejadilho daqueles veículos.     Ali, era o espaço onde se armazenavam as bagagens dos passageiros e as mercadorias, em trânsito para outras terras, depois de cobertas por uma grande rede. 
 
Quem diria que, meia dúzia de anos depois, viria a ter que subir daquelas escadas, várias vezes ao dia e durante anos, por obrigação, pois foi na empresa de transportes pública de passageiros, que iniciei a minha vida profissional, tinha então 13 anos de idade.  Na “Central”, tive ocasião de ouvir relatos passageiros idosos, cujas histórias de velhos hábitos de transporte, me encantavam e, que há muito estavam esquecidas nas suas memórias. Fui tomando boa nota delas, pois ficariam perdidas e, agora chegou a vez de aqui as registar.
Aqui vai para que conste !
 
                                                    I
                 
                                  A VALA REAL, UMA VIA DE TRANSPORTES
 
Salvaterra de Magos, é uma povoação situada junto à margem esquerda do rio Tejo, em pleno coração da Lezíria ribatejana e, pelos Forais que recebeu o povo teve a obrigação de abrir uma vala, que escoasse as águas que se acumulavam nas suas terras pantanosas.
Já no séc. XIII, para Santarém, os caminhantes a pé e a cavalo, usavam um caminho do tamanho de cinco léguas, que atravessava o campo, a antiga estrada do meio, logo à saída da ponte da vala da vila, saindo para lá de Almeirim, muito próximo do rio Tejo, com a cidade de Santarém à vista.
 
As viagens, através do campo eram penosas e demoradas, em charretes, puxadas a um ou dois cavalos.  Dando realce a alguns relatos do séc. XVIII, o paço real de Salvaterra de Magos recebia com frequência a presença da realeza, o que dava uma nova vida à povoação, pois fazia dela um grande centro de movimento cultural e político.
 
 As viagens de e para Lisboa pelo rio, nas embarcações, especialmente em Bergantim, pelo elevado numero viajantes, levava a que se forma-se um transporte colectivo de passageiros, sendo  os seus convidados entretidos com um escaparate de músicos. 
 
Os barcos de carga, as fragatas que navegavam diariamente no leito do rio, com mercadorias, no fornecimento à capital do país, ou mesmo a Santarém, eram aproveitados pelo povo para uma “boleia” para aquelas cidades.     Até aos meados do século XX, ainda era usado este sistema de viagem, especialmente pela população mais pobre, sendo o Poço do Bispo, em Lisboa, quase sempre o local de destino.  Em dias de vento favorável, as viagens duravam entre 3 a 4 horas, em barcos pequenos, como as faluas.
 
 
                                        II
    OS TRANPORTES PUBLICOS DE PASSAGEIROS
 
 A hora dos transportes públicos colectivos de passageiros, chegou a Salvaterra de Magos, por volta de 1920, com um membro da família Torroaes, a utilizar uma carruagem do tipo, Rippert, puxada por dois animais da raça cavalar.
 
 O único caminho existente até ao Pontão do Cabo, para o acesso a Vila Franca de Xira, era a estrada do Convento, e o campo de Benavente, com saída no Gado Bravo.
 Em 1933, a empresa daquela família, substituiu o antigo transporte de diligência, por uma pequena e moderna viatura automóvel com capacidade para 12 passageiros.  A sua sede, era numa casa no Largo da Igreja Matriz, situada no lado da sua torre, mesmo à estrada da rua Dr. Gregório Fernandes, onde está instalada agora uma relogoaria.  De início, a camioneta da carreira ia a casa dos passageiros, pois estes já previamente tinham marcado viagem, passando depois a ter local próprio - O Largo da Igreja Matriz.
 
 A exploração deste serviço público de passageiros, em 1935, foi vendida a Alfredo da Piedade (Alfredo Calafate), antigo calafate de embarcações navais.
 Este novo empresário, colocou ao serviço, dos passageiros, mais uma viatura Fiat Modelo T, com destino à estação dos caminhos-de-ferro, em Muge, dando assim início ao aparecimento da Empresa de Viação Salvaterrense, Ldª.
 
Um dos motoristas daquelas viaturas, João Pedro de Jesus Silva, homem de poucas letras, que veio dos lados de Santarém, passou a ser conhecido pelo “João Chaufeur”.
  “Contava-se, muitas estórias sobre este motorista, retiramos uma:   Ao informar das contas do serviço prestado no dia, tinha uma forma peculiar de o fazer, quanto à quantidade passageiros transportados: Se o total fosse 10 – eram identificados assim: três homens, duas mulheres, três velhos, um rapaz e um polícia”
 
                                                  AS GARAGENS
 
Num antigo espaço do palácio real, agora Largo dos Combatentes, sendo aproveitada muita da sua pedra, foi construído um grande edifício, ali junto às antigas chaminés, que mais tarde veio a ser adega, serviu de garagem, entre os vários sítios, que houve na vila para recolha das camionetas da carreira.
 
                             O TRANSPORTE DE PASSAGEIROS EM TÁXI
 Naquela época já a população tinha ao seu dispor, um carro de aluguer (taxi) de 5 passageiros, da marca Ford, mais tarde substituído por um da marca BuicK, modelo descapotável.  Era seu condutor, Mário Luís das Neves, mais conhecido pelo Mário Puto, devido à sua pequena estatura. 
 Com o decorrer dos tempos, vários alvarás (licenças), foram passados a novos industriais do ramo, sendo hábito o passageiro ir a casa do taxista, requisitar a viatura para a sua deslocação, costume que foi mudando com a instalação da “praça”, no Largo dos Combatentes, num espaço que a câmara municipal, atribuiu, onde aguardavam os passageiros.
A vila, passou a ter ao seu serviço mais algumas viaturas ligeiras de passageiros, pertencentes aos novos empresários: Amadeu Eduardo da Silva (o Amadeu Carteirista) João Cardoso, também conhecido pelo nome de João Boneco, e os irmãos, Manuel e João Oliveira (Capadão). 
 A exploração do alvará das carreiras, foi cedido à então criada Empresa de Viação Benaventense, Ldª, (da família Anastácio), com sede na vizinha vila de Benavente. Esta empresa por volta de 1948, negociou com a Empresa de João Cândido Belo & Irmãos, Ldª, de Vila Fresca de Azeitão (Setúbal), o alvará de exploração nesta vasta zona ribatejana.
 Após a inauguração da ponte, em 1951, o acesso ao comboio, em Vila Franca, passou a ser de grande importância, e a Transportadora Setubalense, soube aproveitá-lo alargando assim o âmbito da sua exploração do serviço público de passageiros, para várias zonas do país.
 
Entre os vários percursos nesta zona, tinha: Coruche/ Vila Franca de Xira, Vila Franca de Xira/Glória do Ribatejo, Benavente/Muge. Dos vários itinerários, que passavam por Salvaterra de Magos, o primeiro horário, era à 6,30 da manhã, vindo de Coruche, enquanto o último ia para a Glória do Ribatejo, passava às 22,30 horas.
 Para Santarém, as ligações faziam-se junto à estação de Muge, com a Empresa de Camionagem Ribatejana, com sede naquela cidade.  A ligação com Évora, procedia-se através de Coruche, ficando Mora no caminho para aquela cidade alentejana. O destino para o Algarve, tinha a viagem assegurada através da Empresa de Viação do Algarve (EVA). Lisboa, passou a ser um destino directo, quando da abertura da auto-estrada A1, completando -se um ciclo que já abrangia Setúbal.
 
                                                          III
 
                                                              A  NOVA CENTRAL
A Setubalense, manteve o velho contrato existente com os caminhos de ferro – CP, com o intercâmbio na estação de Muge, cuja Central de mercadorias e passageiros, estava numa pequena casa no início da rua Trás-da-Igreja   Em 1956, mudou os serviços para a rua Heróis de Chaves ocupando uma casa alugada (1), à família Vieira Lopes. O jovem empregado ali de serviço apresentava-se devidamente fardado, tal como os motoristas e cobradores, como era uso e obrigatório na época.
 O local de paragem das viaturas, passou a efectuar-se no Largo dos Combatentes (junto à escola primária).
Um outro tipo de movimento de mercadorias (pequenas embalagens) a transportar nas carreiras passou a ser movimentado no Café Ribatejano fazendo a tarefa dos despachos o seu empregado de balcão, José Tiago Andrónico.
 Neste tempo, existia um homem que, fazia duas vezes por semana, o trabalho de comprar em Lisboa pequenas produtos, sendo esperado à chegada da carreira, para as respectivas entregas e recebendo novas encomendas, era o Estafeta Victor, de Vila Franca de Xira.
 
 Em 1957, a paragem das carreiras passou para a “Central”, na rua Heróis de Chaves, até porque a vila tinha pouco movimento automóvel e, naquela rua, pouco mais passava do que meia dúzia de carros ligeiros ao longo do dia.  Em 1963, com o início das obras levadas a cabo pela família Vieira Lopes, que transformou aquele seu velho espaço de casario (ainda restos de instalações pertencentes ao palácio real), numa nova urbanização. A construção incluiu três andares, para habitações, e o piso térreo, foi aproveitado para área comercial e serviços, sendo um espaço expressamente construído para a estação.  Enquanto durou a construção da obra, a “Central”, esteve provisoriamente no Largo dos Combatentes, na antiga taberna daquela família, e ainda mantinha os seus vestígios.
 
                                         INAUGURAÇÃO DA ESTAÇÃO DE CAMIONAGEM
 
 No dia 4 de Abril de 1964, teve lugar a inauguração das novas instalações da nova “Central” ou Estação de Camionagem, (ocupando o mesmo espaço térreo que tinha a antiga moradia). As mercadorias, eram agora todas movimentadas a partir daquele local.  Os veículos transportavam os passageiros e suas bagagens., as bicicletas que eram o transporte da época do trabalhador rural., eram colocadas no tejadilho dos carros, cobertas por uma grande rede de corda.
 
Os horários, nunca eram cumpridos, o tempo que em cada localidade levava a carregar e descarregar as mercadorias, muitas vezes de toneladas, era um trabalho penosos, de todo o pessoal, onde os “Cobradores” eram os mais atingidos, pois tinham de arrumar conforme as localidades ainda a percorrer.
 
O descarregar ferro (chapas e barras), vindo de um armazém em Vila Franca, para as oficinas de ferreiros, carregar madeira (portas e janelas para habitações), Marinhais, Glória e Foros de Salvaterra, era um trabalho diário, pois as carpintarias aqui instaladas, também usavam este meio de transporte.
 
A empresa dos irmãos Belos, continuava a alargar a sua influência nesta área de transportes, adquirindo os Alvarás da Camionagem Ribatejana (Santarém) Camionagem Claras (Torres Novas), entre outras.  Com as transformações verificadas após a revolução de Abril de 1974, a Transportadora Setubalense, como muitas outras no país, foi alvo das nacionalizações, dando origem a uma única : A Rodoviária Nacional – RN. 
 Anos depois, desmembrada esta em pequenas empresas, por via das privatizações, Salvaterra de Magos, ficou servida pela nova empresa, denominada “Belos” que, mais tarde deu lugar a uma outra, a “Ribatejana”, que agora serve as povoações da zona.
 
                                                                                *****
 Nota:  A fechar este pequeno Apontamento histórico, dos transportes públicos de passageiros, em Salvaterra de Magos,  muitas estórias conhecidas, ficaram por nele incluir, como aquelas da Rosa Senair, no entanto não deixamos  de dar  nota, daquela dos despachos dos cestos das galinhas para Lisboa, atravéd do caminho de ferro, ligação em Muge.
 O negociante do ramo, José Ferreira (José Caramelo) pai do escritor José Silva Ferreira,  nos despachos dos cestos, quantificava as aves,  mas à partida alguém fazia “surripar” uma galinha, para um petisco da rapaziada, mas à chegada  estava sempre certo !
A razão: José Caramelo tinha dificuldade em contar e, pedia ao empregado da Central para contar as aves que iriam viajar, este contava sempre uma a menos,  fazendo o negociante a reposição  da quantidade pretendida para despacho.
 
 ********
(1) - Casa onde nasceu o autor
 *  Extraído do Livro de Apontamentos Nº 13 da Colecção "Recordar, Também é Reconstruir !!" - 1997 * Do Autor
 
                                       JOSÉ GAMEIRO
                                        
 
 
 
 


publicado por historiadesalvaterra às 17:03
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Domingo, 13 de Setembro de 2009
O MELÃO DE ALMEIRIM !!

 

   A II guerra mundial tinha acabado, o país vivia uma grande penúria, no área do trabalho, a fome grassava nos lares.
    0 Ribatejo, mesmo com terras férteis, não se livrava dessa angústia, alguns jovens mais ousados, sendo trabalhadores rurais aproveitavam o Inverno e acabavam em pleno Verão, fazendo cearas do melão e melancia.
    Nesse tempo, também vinha até à borda-de-água, para as terras de Vila Franca e Salvaterra passar 6 meses do ano, gente de Almeirim e Alpiarça.
   Não eram muitos, diga-se em abono da verdade, mas sabiam da “coisa”, para além da vinha. A ceara do melão era o seu único trabalho e sustento familiar, até porque as suas fazendas apenas tinham terras, de grande aptidão para o plantio da oliveira e cearas de sequeiro, e estar de “espera” até às vindimas, em Setembro, era tempo de fome e tédio.
 
    Alguns casais, faziam até sociedades, assentavam lugar, fazendo uma pequena barraca de velha madeira e folhas de zinco, onde os utensílios domésticos, davam para contar de uma assentada e, um estrado servia de cama. Num anexo, fazia-se a comida tinha dias em que a sopa, de feijão (branco ou encarnado), batata, hortaliça, carne e enchidos de porco, era cozida em lume brando, era a ceia e servia no outro dia de almoço, após a cosedura descansar umas horas de noite – era um mimo !
     Este prato, era comum em toda Lezíria ribatejana, mais tarde passou a ser servido na restauração da região, com outro nome.
 
     Aqui em Salvaterra, as terras frescas do Malagueiro, davam sempre boas safras, alagadas pelas cheias, na época das chuvas ficavam sedimentadas de ricos nutrientes, começando a enxugar, como que a fermentar, nos dias de Fevereiro.
    A mão-de obra, dos trabalhadores de Salvaterra era muito requisitada, pois salientava-se a sua destreza no uso da enxada.
   Minha mãe, não gostava dos alpiarçanos (dizia; eram homens com barriga grande, com umas calças de cós pequeno, bem apertadas num cinto, fazendo ver o fundo das costas, quando dobrados andavam a trabalhar a terra). Das mulheres de Almeirim, não se fartava de as gabar (eram lindas, algumas de olhos azuis, tinham porte esguio, vestiam bem, um lenço na cabeça e avental de cores garridas, via-se mesmo que eram da lezíria), eram estes comentários que ainda guardo dos meus 4/5 anos de idade, e mais tarde tantas vezes ouvidos.
 
    O Melão, quando maduro, era de um verde escuro, algum com verrugas, pois havia o cuidado de não usar sementes que levassem a outras cores, lá aparecia algum verde listado de branco. Destes eram seleccionadas todos os anos, as sementes e, anos depois cheguei a ver melões com casca a tirar para o branco, com um interior rosa – muito doces. Em cada cova, não muito funda eram colocadas 6 sementes, só uma árvore crescia, pois com uma navalha apropriada, lá cortavam as outras. A rega, não era todos os dias, só em dias quentes, quando o fruto (melão e melancia) começava a “camar” eram voltados e, levavam um pouco de palha por cima, para não chapar. Eram outros tempos a forma de cultivar estas cearas com os métodos antigos. Tudo mudou, até o melão já é de “Almeirim”.
 
 Nota: Agora, também se diz que o melão branco tem outra forma de selecção, alguma semente vai até aos laboratórios da América, para transformação. Como fruta que passou à produção em regadio e com estufa, qualquer terra vai sendo usada.
 
 JOSE GAMEIRO


publicado por historiadesalvaterra às 19:15
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Sábado, 1 de Agosto de 2009
A PRAÇA DE TOIROS COMEMORA 89 ANOS !!!

 

Em 1970, comemorava-se meio século sobre a data da inauguração da praça de toiros de Salvaterra de Magos. Estávamos em 1 de Agosto, para evocar a efeméride, servi-me das páginas do há muito desaparecido semanário “Aurora do Ribatejo”que se editava em Benav ente.

.Com o responsável pela “Página de Salvaterra” José António Amaro, lá fomos recolher informações, a José Luís das Neves, único membro das duas comissões que muito pugnaram para realizarem um sonho que durava há muitos anos. Fomos ouvi-lo no seu local de trabalho, no Grémio da Lavoura e, ao dizermos ao que íamos, passamos ali momentos de indescritível emoção, registando as suas memórias.

Também nos fez entrega, para além de dois cartazes das corridas (um da inauguração e um outro do segundo dia), algumas actas e correio trocado para a cedência de madeira vinda do pinhal do Escaroupim, uma folha de férias da última semana de trabalho, onde constava os nomes dos trabalhadores, ganhando alguns deles em 7 dias de trabalho, 133.000 réis. As fotos do interior da praça, naquele dia da inauguração, foram-nos emprestadas, pela D. Graziela Silva, pois ficou com espólio do Dr. Roberto Ferreira da Fonseca. Uma outra sorte tive, naquele imenso trabalho de recolha de material para a grande reportagem. Um dia, encontrei sentado na floreira de pedra, da entrada dos CTT, estava apanhando sol, um idoso meu antigo conhecido, era o António Remundo, que constava na folha de pagamentos. Conversa daqui e dali, lá me foi dizendo, que sendo jovem, destruiu no sítio onde se instalou a arena, um dos três moinhos que existiam na zona. O tempo passou, em 1992 e 1994, voltei ao assunto, lembrando a efeméride, no jornal Vale do Tejo. Agora que estamos em 1 de Agosto de 2009 e, 89 anos já passaram, publicamos aqui algumas passagens da nossa reportagem (1), com o apoio das páginas do diário “A Manhã”, publicado no dia 8, que á época se publicava em Lisboa. Aquele diário republicano, de 1920, informava os seus leitores, que a construção da praça orçou em cerca de 50 contos (cinquenta mil escudos), pois ainda se fazia a equivalência com a antiga moeda – os réis.

Como a praça, tinha sido construída na sua maior parte em madeira, na década de 40, com o ciclone, grandes estragos sofreu, a esposa do Conde Monte Real, suportou os custos da construção das paredes e Gaspar das Costa Ramalho, arcou com as despesas das bancadas em cimento. Aquele taurodromo, que embeleza a entrada da vila de Salvaterra de Magos, tem sido conservado pela sua proprietária, Santa Casa da Misericórdia, tendo sofrido ao longo dos tempos, algumas alterações, como o fecho das janelas exteriores (retirada das grades de ferro), nova marcação de lugares, dando assim origem à presença de um maior número de espectadores e instalação de luz eléctrica, para corridas nocturnas.

 

José Gameiro

 

******

 

Nota: O material angariado foi enviado através da redacção do jornal, para a gráfica onde era impresso, muito dele desapareceu, mas tive a sorte de ter feito algumas cópias e, entre elas as dos cartazes das corridas. A reportagem, encontra-se guardada nas páginas do jornal “Aurora do Ribatejo”, encadernado, pois ofereci todas as edições daquele periódico à biblioteca municipal de Salvaterra de Magos.



publicado por historiadesalvaterra às 15:56
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