Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
O ARANHOL DO JOSÉ RATO !
O terramoto de 1909, deu origem que Salvaterra de Magos, viesse a crescer para terrenos que o povo dizia ser “terras de baldio”, lá mais para sul da vila. Naqueles sítios, abundava uma pequena floresta de eucaliptos, que desembocava junto à horta do sopas, construída para dar de comer à população por ocasião do sismo.
Por volta de 1920, por lá já existia um edifício hospitalar (1913) e uma praça de toiros. O Calvário, como era conhecido tinha cerca de 900 mts. (atravessava a vila de norte a sul), de terra batida pelos rodados dos carros puxados a animais, era bastante larga, ia servindo de arruamento às novas construções que iam aparecendo. Numa réstia de eucaliptos que por ali ainda existia, podia ver-se o pelourinho ( uma cruz e base de pedra), que vinha do tempo dos reis, fora retirado para limpeza daqueles terrenos. A cruz, foi colocada no cemitério local.
Nos últimos anos do séc. XIX, tinha sido construída naqueles terrenos, uma grande adega, que tinha agora de frente o muro do hospital, era seu proprietário o lavrador Francisco Ferreira Lino. Não desmerecia de uma outra, que a casa Roquette, possuía.
A família Freire, também tinha naquelas bandas, grandes espaços, eram os currais de gado (1). Por volta de 1945, aquela estrada deu lugar a uma avenida, moderna para a época, que recebeu o nome de Vicente Lucas de Aguiar, antigo presidente da câmara municipal (2).
Num dos cruzamentos daquela avenida, na rua Dr. Gregório Fernandes, o Dr. José Henriques Lino, em 1948, agora proprietário da casa agrícola que fora de seu pai, transformou um grande armazém, em taberna. Era uma inovação entre os agricultores/viti-vinicultores, para escoarem o vinho; vendido a copo e ao garrafão. Naquela travessa de ruas, as mulheres rurais encontraram sitio para a sua “praça da jorna”, local onde esperavam por trabalho, desde a tarde de domingo e muitas vezes segunda-feira de manhã.
Levavam os filhos (rapazes e raparigas) de pouca idade, que por ali se entretinham a brincar. Minha mãe, tal como as outras mulheres, muitas vezes iam ao “Armazém do Dr. Lino”, comprar pevides ou tremoços para os meninos.
Cada medida, um pequeno copo de vidro, custava 2 tostões. O José Rato, velho adegueiro velho daquela casa agricola, pessoa muito estimada entre os seus pares, transportava os barris de vinho e aguardente, num esquisito carro construído em ferro, que chamavam “Aranhol”. Nós o rapazio, lá nos dependurávamos nele, com a conivência do condutor, até porque o percurso era curto.
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(1) - Os dois currais (um de cada lado da rua), tinham nascente de àgua * Numa dessas nascentes, existia uma bomba de àgua, com roda de ferro, onde a população se abastecia (fui lá muita vez com minha mãe buscar um pote de àgua), no outro lado, existia a mãe-de-água, que abastecia o Fontanário existente junto à câmara * Mais tarde, estes espaços deram lugar as grandes construções de habitação, onde no piso do chão foram instalados instituições bancárias.
(2) - A pedra tumular, em 1964, ainda se encontrava no antigo cemitério da capela real * A avenida, por volta de 1980, passou a ser conhecida: Dr. Roberto Ferreira da Fonseca, outro antigo autarca.
Nota: Na Adega, durante muitos anos foi ali que se realizavam os leilões, dos produtos oferecidos pelos lavradores e gente anónima do concelho, à Misericórdia de Salvaterra * No dobrar do dobrar do séc.XX, ainda existiam cortejos de oferendas, que nornalmente era no Dia S. Martinho, fim da faina agricola anual.
JOSÉ GAMEIRO
Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
OS TRANSPORTES PÚBLICOS DE PASSAGEIROS !!!
O MEU CONTRUBUTO
Por volta de 1952 a curiosidade e a brincadeira na rua eram muita !
Em frente da Igreja Matriz, estacionavam as camionetas da carreira, durante largas horas. Eu, como todo o rapazio de idade escolar, atrevíamo-nos a subir a pequena escada em ferro, da parte de trás, que dava acesso ao tejadilho daqueles veículos. Ali, era o espaço onde se armazenavam as bagagens dos passageiros e as mercadorias, em trânsito para outras terras, depois de cobertas por uma grande rede.
Quem diria que, meia dúzia de anos depois, viria a ter que subir daquelas escadas, várias vezes ao dia e durante anos, por obrigação, pois foi na empresa de transportes pública de passageiros, que iniciei a minha vida profissional, tinha então 13 anos de idade. Na “Central”, tive ocasião de ouvir relatos passageiros idosos, cujas histórias de velhos hábitos de transporte, me encantavam e, que há muito estavam esquecidas nas suas memórias. Fui tomando boa nota delas, pois ficariam perdidas e, agora chegou a vez de aqui as registar.
Aqui vai para que conste !
I
A VALA REAL, UMA VIA DE TRANSPORTES
Salvaterra de Magos, é uma povoação situada junto à margem esquerda do rio Tejo, em pleno coração da Lezíria ribatejana e, pelos Forais que recebeu o povo teve a obrigação de abrir uma vala, que escoasse as águas que se acumulavam nas suas terras pantanosas.
Já no séc. XIII, para Santarém, os caminhantes a pé e a cavalo, usavam um caminho do tamanho de cinco léguas, que atravessava o campo, a antiga estrada do meio, logo à saída da ponte da vala da vila, saindo para lá de Almeirim, muito próximo do rio Tejo, com a cidade de Santarém à vista.
As viagens, através do campo eram penosas e demoradas, em charretes, puxadas a um ou dois cavalos. Dando realce a alguns relatos do séc. XVIII, o paço real de Salvaterra de Magos recebia com frequência a presença da realeza, o que dava uma nova vida à povoação, pois fazia dela um grande centro de movimento cultural e político.
As viagens de e para Lisboa pelo rio, nas embarcações, especialmente em Bergantim, pelo elevado numero viajantes, levava a que se forma-se um transporte colectivo de passageiros, sendo os seus convidados entretidos com um escaparate de músicos.
Os barcos de carga, as fragatas que navegavam diariamente no leito do rio, com mercadorias, no fornecimento à capital do país, ou mesmo a Santarém, eram aproveitados pelo povo para uma “boleia” para aquelas cidades. Até aos meados do século XX, ainda era usado este sistema de viagem, especialmente pela população mais pobre, sendo o Poço do Bispo, em Lisboa, quase sempre o local de destino. Em dias de vento favorável, as viagens duravam entre 3 a 4 horas, em barcos pequenos, como as faluas.
II
OS TRANPORTES PUBLICOS DE PASSAGEIROS
A hora dos transportes públicos colectivos de passageiros, chegou a Salvaterra de Magos, por volta de 1920, com um membro da família Torroaes, a utilizar uma carruagem do tipo, Rippert, puxada por dois animais da raça cavalar.
O único caminho existente até ao Pontão do Cabo, para o acesso a Vila Franca de Xira, era a estrada do Convento, e o campo de Benavente, com saída no Gado Bravo.
Em 1933, a empresa daquela família, substituiu o antigo transporte de diligência, por uma pequena e moderna viatura automóvel com capacidade para 12 passageiros. A sua sede, era numa casa no Largo da Igreja Matriz, situada no lado da sua torre, mesmo à estrada da rua Dr. Gregório Fernandes, onde está instalada agora uma relogoaria. De início, a camioneta da carreira ia a casa dos passageiros, pois estes já previamente tinham marcado viagem, passando depois a ter local próprio - O Largo da Igreja Matriz.
A exploração deste serviço público de passageiros, em 1935, foi vendida a Alfredo da Piedade (Alfredo Calafate), antigo calafate de embarcações navais.
Este novo empresário, colocou ao serviço, dos passageiros, mais uma viatura Fiat Modelo T, com destino à estação dos caminhos-de-ferro, em Muge, dando assim início ao aparecimento da Empresa de Viação Salvaterrense, Ldª.
Um dos motoristas daquelas viaturas, João Pedro de Jesus Silva, homem de poucas letras, que veio dos lados de Santarém, passou a ser conhecido pelo “João Chaufeur”.
“Contava-se, muitas estórias sobre este motorista, retiramos uma: Ao informar das contas do serviço prestado no dia, tinha uma forma peculiar de o fazer, quanto à quantidade passageiros transportados: Se o total fosse 10 – eram identificados assim: três homens, duas mulheres, três velhos, um rapaz e um polícia”
AS GARAGENS
Num antigo espaço do palácio real, agora Largo dos Combatentes, sendo aproveitada muita da sua pedra, foi construído um grande edifício, ali junto às antigas chaminés, que mais tarde veio a ser adega, serviu de garagem, entre os vários sítios, que houve na vila para recolha das camionetas da carreira.
O TRANSPORTE DE PASSAGEIROS EM TÁXI
Naquela época já a população tinha ao seu dispor, um carro de aluguer (taxi) de 5 passageiros, da marca Ford, mais tarde substituído por um da marca BuicK, modelo descapotável. Era seu condutor, Mário Luís das Neves, mais conhecido pelo Mário Puto, devido à sua pequena estatura.
Com o decorrer dos tempos, vários alvarás (licenças), foram passados a novos industriais do ramo, sendo hábito o passageiro ir a casa do taxista, requisitar a viatura para a sua deslocação, costume que foi mudando com a instalação da “praça”, no Largo dos Combatentes, num espaço que a câmara municipal, atribuiu, onde aguardavam os passageiros.
A vila, passou a ter ao seu serviço mais algumas viaturas ligeiras de passageiros, pertencentes aos novos empresários: Amadeu Eduardo da Silva (o Amadeu Carteirista) João Cardoso, também conhecido pelo nome de João Boneco, e os irmãos, Manuel e João Oliveira (Capadão).
A exploração do alvará das carreiras, foi cedido à então criada Empresa de Viação Benaventense, Ldª, (da família Anastácio), com sede na vizinha vila de Benavente. Esta empresa por volta de 1948, negociou com a Empresa de João Cândido Belo & Irmãos, Ldª, de Vila Fresca de Azeitão (Setúbal), o alvará de exploração nesta vasta zona ribatejana.
Após a inauguração da ponte, em 1951, o acesso ao comboio, em Vila Franca, passou a ser de grande importância, e a Transportadora Setubalense, soube aproveitá-lo alargando assim o âmbito da sua exploração do serviço público de passageiros, para várias zonas do país.
Entre os vários percursos nesta zona, tinha: Coruche/ Vila Franca de Xira, Vila Franca de Xira/Glória do Ribatejo, Benavente/Muge. Dos vários itinerários, que passavam por Salvaterra de Magos, o primeiro horário, era à 6,30 da manhã, vindo de Coruche, enquanto o último ia para a Glória do Ribatejo, passava às 22,30 horas.
Para Santarém, as ligações faziam-se junto à estação de Muge, com a Empresa de Camionagem Ribatejana, com sede naquela cidade. A ligação com Évora, procedia-se através de Coruche, ficando Mora no caminho para aquela cidade alentejana. O destino para o Algarve, tinha a viagem assegurada através da Empresa de Viação do Algarve (EVA). Lisboa, passou a ser um destino directo, quando da abertura da auto-estrada A1, completando -se um ciclo que já abrangia Setúbal.
III
A NOVA CENTRAL
A Setubalense, manteve o velho contrato existente com os caminhos de ferro – CP, com o intercâmbio na estação de Muge, cuja Central de mercadorias e passageiros, estava numa pequena casa no início da rua Trás-da-Igreja Em 1956, mudou os serviços para a rua Heróis de Chaves ocupando uma casa alugada (1), à família Vieira Lopes. O jovem empregado ali de serviço apresentava-se devidamente fardado, tal como os motoristas e cobradores, como era uso e obrigatório na época.
O local de paragem das viaturas, passou a efectuar-se no Largo dos Combatentes (junto à escola primária).
Um outro tipo de movimento de mercadorias (pequenas embalagens) a transportar nas carreiras passou a ser movimentado no Café Ribatejano fazendo a tarefa dos despachos o seu empregado de balcão, José Tiago Andrónico.
Neste tempo, existia um homem que, fazia duas vezes por semana, o trabalho de comprar em Lisboa pequenas produtos, sendo esperado à chegada da carreira, para as respectivas entregas e recebendo novas encomendas, era o Estafeta Victor, de Vila Franca de Xira.
Em 1957, a paragem das carreiras passou para a “Central”, na rua Heróis de Chaves, até porque a vila tinha pouco movimento automóvel e, naquela rua, pouco mais passava do que meia dúzia de carros ligeiros ao longo do dia. Em 1963, com o início das obras levadas a cabo pela família Vieira Lopes, que transformou aquele seu velho espaço de casario (ainda restos de instalações pertencentes ao palácio real), numa nova urbanização. A construção incluiu três andares, para habitações, e o piso térreo, foi aproveitado para área comercial e serviços, sendo um espaço expressamente construído para a estação. Enquanto durou a construção da obra, a “Central”, esteve provisoriamente no Largo dos Combatentes, na antiga taberna daquela família, e ainda mantinha os seus vestígios.
INAUGURAÇÃO DA ESTAÇÃO DE CAMIONAGEM
No dia 4 de Abril de 1964, teve lugar a inauguração das novas instalações da nova “Central” ou Estação de Camionagem, (ocupando o mesmo espaço térreo que tinha a antiga moradia). As mercadorias, eram agora todas movimentadas a partir daquele local. Os veículos transportavam os passageiros e suas bagagens., as bicicletas que eram o transporte da época do trabalhador rural., eram colocadas no tejadilho dos carros, cobertas por uma grande rede de corda.
Os horários, nunca eram cumpridos, o tempo que em cada localidade levava a carregar e descarregar as mercadorias, muitas vezes de toneladas, era um trabalho penosos, de todo o pessoal, onde os “Cobradores” eram os mais atingidos, pois tinham de arrumar conforme as localidades ainda a percorrer.
O descarregar ferro (chapas e barras), vindo de um armazém em Vila Franca, para as oficinas de ferreiros, carregar madeira (portas e janelas para habitações), Marinhais, Glória e Foros de Salvaterra, era um trabalho diário, pois as carpintarias aqui instaladas, também usavam este meio de transporte.
A empresa dos irmãos Belos, continuava a alargar a sua influência nesta área de transportes, adquirindo os Alvarás da Camionagem Ribatejana (Santarém) Camionagem Claras (Torres Novas), entre outras. Com as transformações verificadas após a revolução de Abril de 1974, a Transportadora Setubalense, como muitas outras no país, foi alvo das nacionalizações, dando origem a uma única : A Rodoviária Nacional – RN.
Anos depois, desmembrada esta em pequenas empresas, por via das privatizações, Salvaterra de Magos, ficou servida pela nova empresa, denominada “Belos” que, mais tarde deu lugar a uma outra, a “Ribatejana”, que agora serve as povoações da zona.
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Nota: A fechar este pequeno Apontamento histórico, dos transportes públicos de passageiros, em Salvaterra de Magos, muitas estórias conhecidas, ficaram por nele incluir, como aquelas da Rosa Senair, no entanto não deixamos de dar nota, daquela dos despachos dos cestos das galinhas para Lisboa, atravéd do caminho de ferro, ligação em Muge.
O negociante do ramo, José Ferreira (José Caramelo) pai do escritor José Silva Ferreira, nos despachos dos cestos, quantificava as aves, mas à partida alguém fazia “surripar” uma galinha, para um petisco da rapaziada, mas à chegada estava sempre certo !
A razão: José Caramelo tinha dificuldade em contar e, pedia ao empregado da Central para contar as aves que iriam viajar, este contava sempre uma a menos, fazendo o negociante a reposição da quantidade pretendida para despacho.
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(1) - Casa onde nasceu o autor
* Extraído do Livro de Apontamentos Nº 13 da Colecção "Recordar, Também é Reconstruir !!" - 1997 * Do Autor
JOSÉ GAMEIRO
Domingo, 13 de Setembro de 2009
O MELÃO DE ALMEIRIM !!
A II guerra mundial tinha acabado, o país vivia uma grande penúria, no área do trabalho, a fome grassava nos lares.
0 Ribatejo, mesmo com terras férteis, não se livrava dessa angústia, alguns jovens mais ousados, sendo trabalhadores rurais aproveitavam o Inverno e acabavam em pleno Verão, fazendo cearas do melão e melancia.
Nesse tempo, também vinha até à borda-de-água, para as terras de Vila Franca e Salvaterra passar 6 meses do ano, gente de Almeirim e Alpiarça.
Não eram muitos, diga-se em abono da verdade, mas sabiam da “coisa”, para além da vinha. A ceara do melão era o seu único trabalho e sustento familiar, até porque as suas fazendas apenas tinham terras, de grande aptidão para o plantio da oliveira e cearas de sequeiro, e estar de “espera” até às vindimas, em Setembro, era tempo de fome e tédio.
Alguns casais, faziam até sociedades, assentavam lugar, fazendo uma pequena barraca de velha madeira e folhas de zinco, onde os utensílios domésticos, davam para contar de uma assentada e, um estrado servia de cama. Num anexo, fazia-se a comida tinha dias em que a sopa, de feijão (branco ou encarnado), batata, hortaliça, carne e enchidos de porco, era cozida em lume brando, era a ceia e servia no outro dia de almoço, após a cosedura descansar umas horas de noite – era um mimo !
Este prato, era comum em toda Lezíria ribatejana, mais tarde passou a ser servido na restauração da região, com outro nome.
Aqui em Salvaterra, as terras frescas do Malagueiro, davam sempre boas safras, alagadas pelas cheias, na época das chuvas ficavam sedimentadas de ricos nutrientes, começando a enxugar, como que a fermentar, nos dias de Fevereiro.
A mão-de obra, dos trabalhadores de Salvaterra era muito requisitada, pois salientava-se a sua destreza no uso da enxada.
Minha mãe, não gostava dos alpiarçanos (dizia; eram homens com barriga grande, com umas calças de cós pequeno, bem apertadas num cinto, fazendo ver o fundo das costas, quando dobrados andavam a trabalhar a terra). Das mulheres de Almeirim, não se fartava de as gabar (eram lindas, algumas de olhos azuis, tinham porte esguio, vestiam bem, um lenço na cabeça e avental de cores garridas, via-se mesmo que eram da lezíria), eram estes comentários que ainda guardo dos meus 4/5 anos de idade, e mais tarde tantas vezes ouvidos.

O Melão, quando maduro, era de um verde escuro, algum com verrugas, pois havia o cuidado de não usar sementes que levassem a outras cores, lá aparecia algum verde listado de branco. Destes eram seleccionadas todos os anos, as sementes e, anos depois cheguei a ver melões com casca a tirar para o branco, com um interior rosa – muito doces. Em cada cova, não muito funda eram colocadas 6 sementes, só uma árvore crescia, pois com uma navalha apropriada, lá cortavam as outras. A rega, não era todos os dias, só em dias quentes, quando o fruto (melão e melancia) começava a “camar” eram voltados e, levavam um pouco de palha por cima, para não chapar. Eram outros tempos a forma de cultivar estas cearas com os métodos antigos. Tudo mudou, até o melão já é de “Almeirim”.
Nota: Agora, também se diz que o melão branco tem outra forma de selecção, alguma semente vai até aos laboratórios da América, para transformação. Como fruta que passou à produção em regadio e com estufa, qualquer terra vai sendo usada.
JOSE GAMEIRO
Sábado, 1 de Agosto de 2009
A PRAÇA DE TOIROS COMEMORA 89 ANOS !!!
Em 1970, comemorava-se meio século sobre a data da inauguração da praça de toiros de Salvaterra de Magos. Estávamos em 1 de Agosto, para evocar a efeméride, servi-me das páginas do há muito desaparecido semanário “Aurora do Ribatejo”que se editava em Benav ente.
.Com o responsável pela “Página de Salvaterra” José António Amaro, lá fomos recolher informações, a José Luís das Neves, único membro das duas comissões que muito pugnaram para realizarem um sonho que durava há muitos anos. Fomos ouvi-lo no seu local de trabalho, no Grémio da Lavoura e, ao dizermos ao que íamos, passamos ali momentos de indescritível emoção, registando as suas memórias.

Também nos fez entrega, para além de dois cartazes das corridas (um da inauguração e um outro do segundo dia), algumas actas e correio trocado para a cedência de madeira vinda do pinhal do Escaroupim, uma folha de férias da última semana de trabalho, onde constava os nomes dos trabalhadores, ganhando alguns deles em 7 dias de trabalho, 133.000 réis. As fotos do interior da praça, naquele dia da inauguração, foram-nos emprestadas, pela D. Graziela Silva, pois ficou com espólio do Dr. Roberto Ferreira da Fonseca. Uma outra sorte tive, naquele imenso trabalho de recolha de material para a grande reportagem. Um dia, encontrei sentado na floreira de pedra, da entrada dos CTT, estava apanhando sol, um idoso meu antigo conhecido, era o António Remundo, que constava na folha de pagamentos. Conversa daqui e dali, lá me foi dizendo, que sendo jovem, destruiu no sítio onde se instalou a arena, um dos três moinhos que existiam na zona. O tempo passou, em 1992 e 1994, voltei ao assunto, lembrando a efeméride, no jornal Vale do Tejo. Agora que estamos em 1 de Agosto de 2009 e, 89 anos já passaram, publicamos aqui algumas passagens da nossa reportagem (1), com o apoio das páginas do diário “A Manhã”, publicado no dia 8, que á época se publicava em Lisboa. Aquele diário republicano, de 1920, informava os seus leitores, que a construção da praça orçou em cerca de 50 contos (cinquenta mil escudos), pois ainda se fazia a equivalência com a antiga moeda – os réis. 
Como a praça, tinha sido construída na sua maior parte em madeira, na década de 40, com o ciclone, grandes estragos sofreu, a esposa do Conde Monte Real, suportou os custos da construção das paredes e Gaspar das Costa Ramalho, arcou com as despesas das bancadas em cimento. Aquele taurodromo, que embeleza a entrada da vila de Salvaterra de Magos, tem sido conservado pela sua proprietária, Santa Casa da Misericórdia, tendo sofrido ao longo dos tempos, algumas alterações, como o fecho das janelas exteriores (retirada das grades de ferro), nova marcação de lugares, dando assim origem à presença de um maior número de espectadores e instalação de luz eléctrica, para corridas nocturnas.
José Gameiro
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Nota: O material angariado foi enviado através da redacção do jornal, para a gráfica onde era impresso, muito dele desapareceu, mas tive a sorte de ter feito algumas cópias e, entre elas as dos cartazes das corridas. A reportagem, encontra-se guardada nas páginas do jornal “Aurora do Ribatejo”, encadernado, pois ofereci todas as edições daquele periódico à biblioteca municipal de Salvaterra de Magos.
Terça-feira, 14 de Julho de 2009
A SAUDADE COMEÇOU A 9 DE JULHO !!
Cada geração tem destas coisas. Na minha meninice, as crianças de Salvaterra de Magos, não conheciam o que era uma creche, nem sonhavam com a pré-primária. A rua éra nossa !!!
Os pequenos jornais de banda desenhada, "Mosquito" e o "Mundo de Aventuras", serviam de inspiração às nossas brincadeiras. Custavam 1$50 cada um, agrupavamo-nos e assim era custeado a sua compra.

Os cromos de jogadores da bola, cujo papel vinham a enrolar rabuçados eram colados em cadernetas, ocupavam-nos os recreios da escola, na troca dos que faltavam e, quando lá se conseguia encher uma, saía uma bola de couro, que era usada, nos jogos do rapazio, das várias zonas da vila.
As raparigas não saiam de casa depois do luz fosco, os rapazes tinham a GNR, à perna, interrompendo as brincadeiras nocturnas que, duravam até por volta das 10 horas da noite em dias de Verão. Aquele que fosse apanhado, era levado ao posto, instalado no r/chão da câmara municipal, o pai pagava uma multa.
Com os meus 4/5 anos de idade, comecei a conviver com o António Lopes, primeiro nas instalações da família, onde se encontravam as chaminés das cozinhas do antigo paço real da vila. Foi o início de uma longa amizade !
Na época, a família Lopes estava iniciando a exploração de um café com pensão, deixando a antiga taberna do "Manel Lopes", seu avô paterno, cujo espaço em frente ao vasto largo de pedra de seixo e saibro que, já era conhecido pela população, como: O Largo do Lopes,.
Éra aí onde à noite brincávamos o jogo da rôlha, alguns os que já andavam calçados, para não estragarem as botas com sola cardada, descalçavam-se e as penduravam nas pequenas tílias(1), árvores jovens acabadas de ornamentar o largo.
Com o António Lopes, também estive na escola primária, onde a nossa amizade forteleceu-se. Aos 13 anos de idade, entrei no mundo do trabalho, enquanto ele, cuja familia já económicamente desafogada, o mandou estudar para o liceu de Santarém, tornando assim o nosso convívio mais escasso.
A sua evolução na vida académica levou-o, a entrar no Instituto Superior Técnico, com o fito num curso de engenharia. Na época, existiam três frentes de guerra, na chamada "guerra ultramarina" que nos apanhou na idade das "sortes". O António Lopes, esteve numa dessas frentes, com o posto de Alferes Miliciano. De regresso à vida civil, volta ao IST, agora num curso de Educação Física, que completa. O Desporto, era uma actividade que o atraía e, pensa ensinar uma dessas disciplinas, nas escolas de Salvaterra, sua terra natal.
Contraíu matrimónio, com a professora; Maria Elisa Lázaro Ferreira (Lopes), do qual nasceram os filhos, Pedro Jorge e o António Miguel Ferreira Lopes. Como era pessoa dotada de grande espírito de colaboração, no ano de 1976, quando das primeiras eleições autárquicas, foi eleito vereador, pelo PS, no municipio de Salvaterra de Magos.

No desempenho do cargo, mostrou grande interesse em dotar a vila, com novos edíficios escolares e, em 15 de Outubro de 1983, lá estava na inauguração da Escola Secundária, de Salvaterra de Magos, que recebeu o nome de um outro salvaterrense "Dr. Gregório Fernandes", de cujos dados biográficos recolhi, a pedido de José Teodoro Amaro.
António Lopes, passou a pertencer aos cargos directivos, daquela escola e teve uma outra grande experiência, com um grupo instalou, na rua Luis de Camões, um ginásio com várias actividades de manutenção, destacando-se um método que aplicou para os doentes com problemas respiratórios. A experiência dorou pouco tempo, foi novamente "chamado" à guerra, agora com o posto de capitão, sendo surpreendido, quando visitava com a família a Feira de Sevilha (Espanha).
Regressa de Moçambique após 6 meses de mobilização e, em 9 de Julho de 1990, com 47 anos de idade, veio a falecer acometido de doença grave.
Desde então a sua saudade, tem sido sentida pela família e pelos muitos amigos.
Em 1991, foi-lhe feita homenagem póstuma, o novo edificífio escolar do ciclo preparatório de Salvaterra, passou a ter o seu nome.
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(1) - Dessas Tílias, agora apenas resta uma que se encontra junto a uma cabine telefónica
Nota: Artigo original, publicado no JVT Nº 147 de 98.07.02
JOSÉ GAMEIRO
Terça-feira, 16 de Junho de 2009
OS CABRITOS DO ERNESTO CIGANO !!
Quem Cabritos vende e Cabras não tem de algum lado vêm !!!
Era um trocadilho, ainda usado no dobrar do século passado.
Querendo fazer equilíbrios de conversa, e não entrar na descarada má língua, sobre o estilo de vida que alguém apresentava, o povo lá tinha as suas razões (sabedoria) para comparar quem nada tinha e, em pouco tempo dava volta a uma pobreza de anos, passando a ostentar um enriquecimento invulgar.
Os terrenos próximos da vala real, eram local das nossas brincadeiras, tínhamos naquele tempo uma “riqueza” que era diária, onde entravam também cabras e cabritos.
Vou contar!!
Raro era o dia, em que não subíamos, os choupos, no terreno de Trás-de-Monturos, (agora Rossio da vila), afim de tirar folhas para a comida do rebanho das cabras do Ernesto “Cigano”.
Eu, como os irmãos Lapa (o Ernesto e José António, mais tarde conhecido pelo 18), o João Cardoso, o João José Cadório, o Manuel Carramilo, Vítor Diogo e outros mais pequenos, como o João Maria Fidalgo, enfim a memória de muitos anos já não dá conta de quantos eram. O grupo morava nos arredores e, alguns tendo a manhã livre da escola, tinham a “tarefa” de guardar as cabras, sendo substituídos pelos que da parte da tarde, estavam livres. O Ernesto “Cigano”, dava-nos uns cabritos, que eram o nosso encanto.
Andávamos com eles ao colo, dedicávamos um carinho especial àqueles pequenos animais, pois o seu pêlo muitas vezes variegado de cores, careciam de afagos e muitas carícias. À hora da mamada, com a apróximação da mãe, lá os punhamos no chão e, numa correria lá iam chupar as duas tetas até ficarem vazias.
O Ernesto "Cigano", nome pelo qual sempre o conheci, ainda jovem veio da Erra (Coruche), era negociante de cavalos. Da sua família, constava uma prol de seis filhos; 3 rapazes e 3 raparigas. Instalou os cavalos, num antigo barracão ali no cais da vala, onde mais tarde um exiliado da guerra civil de Espanha, também abriu uma taberna.
Seus filhos; O Fernando, seguiu as pisadas do pai, O Gilberto aprendeu o ofício de ferrador, na oficina do Manuel Caetano Doutor, em frente ao celeiro da vala, o António Isidro, passou a ser visto nas andanças de pegar toiros, em vários grupos de forcados.
Um dia o madeiramento do telhado do barracão ruíu, o Ernesto mudou de negócio e de habitação, foi morar numa pequena casa do edifício da falcoaria, de frente com a avenida, ainda empedrada com pedra de seixo.
Era aí, que guardava o seu grande rebanho de cabras, alguns bodes, e muitos cabritos, muitos deles com alguns dias de vida.
A taberna do Camilo Miguéis Martinez, era o local onde o Ernesto "Cigano", passava o tempo e os dias, entre as cartas e uns copos de vinho, pois entregava o rebanho ao rapazio que por ali brincava.
As cabras passavam a ser nossas, até o cão de guarda tudo fazia ao nosso mando, quando nascia um cabrito, ou uma cabra, entrava em trabalhos de parto, lá íamos todos até à porta da taberna do Camilo, numa gritaria: Senhor Ernesto, uma cabra está a parir !!
O homem, de corpo pesado, antes de deixar a mesa do jogo, pois seus parceiros da bisca, eram velhos barqueiros e pescadores, bebia o resto do vinho que ainda tinha no copo, enfiava na cabeça um já sebento chapéu, e vindo atrás de nós, num passo picado, dizendo: onde está ela, onde está ela. Essa desavergonhada !!!
Muitas vezes quando o cabrito, ainda não tinha nascido, ele dava uma ajuda, metendo as mãos nas entranhas da pobre cabra, que gemia a bom gemer, ali junto à pequena vala da pardaleira, pois só lhe apetecia beber água.
Acabada a tarefa do parto, limpava o pequeno animal, à erva fresca que ali existia, dando a comer à mãe o saco das águas, ou o saco parideiro, como ele dizia.
Logo a seguir, talvez uma meia-hora depois, a cabra-mãe, começava a lamber o pequeno filho e ali começava um amor que só uma mãe sabe dar aos filhos.
Tínhamos os nossos cabritos, muitos deles acabados de nascer e, lá andávamos com eles ao colo. Pois claro, eram nossos !!!
Era uma guerra diária entre nós rapazes, durante o dia tínhamos uma “riqueza” de cabritos, que o dono do rebanho, o sabidão Ernesto, resolvia ao cair da tarde, quando regressava a casa, já com uns bos copitos no buxo e no meio de alguns arrotos.
Com esta frase; olhem lá rapazes !! Os cabritos, vão com as mães, senão elas choram!
À manhã logo pela manhã estejam aqui e os “cabritinhos” continuam a ser de vocês todos. Era com esta “malandrice” que conseguia cativar a ingenuidade de quem lhe pastava o rebanho durante o dia, subindos os choupos, muitas vezes para lá chegar usava-se uns às cavalitas dos outros. Aqueles trabalhos, eram feitos com prazer, pois éra-mos felizes e ricos todos os dias. Como agora é belo recordar aquele tempo !
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Nota: A vala da Pardaleira, era a ligação com a vala real, das águas vindas lá das bandas dos Foros de Salvaterra, em tempo de chuvas de Inverno, agora ocupada com a construção da ETAR * O espaço do barração, no início do séc. XX, deu lugar a um edicio publico, construído pela câmara municipal.
JOSÉ GAMEIRO
Terça-feira, 12 de Maio de 2009
AS NOBRES CASAS BRASONADAS DE SALVATERRA
O primeiro Foral, em 1295, como documento régio, iniciou a povoação de Salvaterra de Magos, no municipalismo e, assim está ligado à raiz dos concelhos imperfeitos, como foi registado pelo escritor: Eça de Queiroz.
Povoação construída na margem Sul do rio Tejo, onde os terrenos em plena Lezíria, eram férteis em aluvião, com suas áreas pantanosas, e terras areno-arenosos, o que lhe dava excelentes condições para a agricultura e floresta se desenvolverem.
Foram seus donatários ao longo de muitos séculos, fidalgos, com casas brasonadas. Da região da Flandres, no Sul da França, vieram colonos que aqui se fixaram, originando outros usos e costumes no povo rural.
O seu campo foi também coutada régia, dando origem a grandes movimentações, em plena vila, de pessoas no palácio real, com mais acuidade entre os séculos XVI e XVIII.
Num mapa de 1789, mostra que a vila tinha sete ruas, e nelas existiam edificadas casas apalaçadas e edifícios solarengos. No conhecido Largo de S. Sebastião, em 1909, desapareceu a Albergaria da vila, em virtude do terramoto, no entanto uma construção solarenga ainda hoje existe no local e nos mostra, a encimar o portal, uma pedra de armas que, pertenceu à família dos Condes de Almada.
A NOBRE E ANTIGA CASA DOS COSTA FREIRE
Fidalga e bem antiga, é a linhagem dos ramos que deram origem à árvore genealógica dos Costa Freire, de Salvaterra de Magos. No seio da família ainda existe a crença que, um remoto parente, por ser olheiro, quando da descoberta, da Índia, lá foi a mando do rei, confirmar tal encontro de terras e bens. Por tal serviço prestado à coroa, recebeu benesses e foi feito fidalgo.
No entanto a tradição histórica que, é para eles motivo de legitimo orgulho, é a carta régia passada em Maio de 1748, em que a casa Costa Freire é reconhecida e brasonada, através de António da Costa Freire, recebendo o grau de cavaleiro da Ordem de Cristo.
É do conhecimento, que aquela família começou com Pedro Joaquim da CostaFeire, casado com D. Maria da Conceição Avelar Freire, filha do último morgado de Alviela.
Vários membros da família, estão referenciados como pertencentes aos serviços da casa real e, ao Almoxarifado de Salvaterra de Magos, durante algumas gerações.
O solar, casa opulenta para a época, foi mandada construir em Salvaterra de Magos por, José dos Santos Freire, em 1751, edificada na rua João Gomes, suposto gravador - ex-librista - que viveu no séc. XVIII.
Na genealogia desta família, consta ainda que um seu membro, António Eliseu da Costa Freire, após enviuvar encaminhou a sua vida para a privação religiosa, tornando-se frade.
No início do século XX, a linhagem tinha em Carlos Avelar da Costa Freire, falecido em 1924 que, foi casado com D. Maria Henriqueta da Silva Santos Freire, o início de um ramo geracional.
Com os filhos: Henrique Avelar da Costa Freire, Ernesto Avelar da Costa Freire, D. Eugénia Avelar da Costa Freire (Torres) e Carlos Avelar da Costa Freire. As Filhas deste último, foram D. Maria Eugénia da Costa Freire e D. Maria Luísa Santos da Costa Freire.
A casa Costa Freire, enveredou os seus rendimentos na área da agricultura, onde possuía imensas propriedades, no Ribatejo, nos concelhos de Salvaterra, Coruche, Benavente e Azambuja.
No entanto ainda existe no seu Palacete, de Salvaterra, uma sala recheada de troféus e boquettes de flores, recebidos por alguém da família que, no século XIX, se salientou na arte de bem tourear, que lhe deu fama e proveito.
Carta Régia
“ Dom João, rei de Portugal, por graça de Deus, faço saber aos que esta minha carta virem que José dos Santos Freyre, Almoxarife do Paço Real da vila de Salvaterra de Magos, me fez petição dizendo-me que ele vinha por legitima descendência da geração e linhagem dos Costas, Coelhos, Tavares e Freyres, as quais gerações neste Reino são de Fidalgos de Linhagem e Cotta de Armas e me pedia por mercê que para memória dos seus antecessores se não perder e ele usar, e gozar de honra e armas que pelos merecimentos de seus serviços ganharão e lhe forão dadas affim dos privilégios, honras, graças e mercês que por direito, e por bem dellas lhe pertencem, lhe mandece dar minha carta das ditas Armas que estavão registadas em livros dos registos das Armas dos Nobres e Fidalgos dos meus reynos que tem Portugal meu principal das Armas dos Nobres e Fidalgos dos meus reynos que tem Portugal meu principal Rey de Armas para o que me apresentou sua pertença de justificação de sua ascendência e nobreza proferida pello Doutor Francisco Xavier Porcille, meu Dezembargador e Corregedor Cível.”
Brasão
A família Costa Freire (1), de Salvaterra de Magos, sendo de raiz fidalga, não consta que o seja de raiz carnal, pois o uso de tal distinção foi concedido.
O seu escudo de armas, foi “beber” em familiares afastados, ou próximos, que dependiam de ramos genealógicos como: Os Costa, Tavares, Rus e Coelho.
Alguns destes símbolos familiares, encontram-se expostos na famosa sala dos brasões, no palácio de Sintra.
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(1) - Os seus quatro campos familiares, estão instalados numa construção heráldica do tipo inglês.
A FIDALGA CASA DO BARÃO
DE
SALVATERRA DE MAGOS
Resenha Geológica da Família Ferreira Roquette
O primeiro título, data de 1745, sob forma de brasão honorífico, assinado a 3 de Junho, por El-rei D. João V, nos seus termos precisos e enaltecedores, constantes da carta de armas daquele dia e ano, concedida a João de Melo Pestana Travassos que, foi 3º avô do primeiro Barão de Salvaterra de Magos.
Só mais tarde, em 1770 o rei D. Luiz I, em testemunho de muita consideração e apreço, em que tinha a pessoa, de Luiz Ferreira Roquette Pestana de Melo Travassos, filho de António de Carvalho Roquette Pestana, fidalgo da casa real e, de D. Ritta Leone Barreto de Melo (N.? – Faleceu 1884) Pestana Travassos, concedeu-lhe o título de Barão de Salvaterra de Magos, criado expressamente para esse fim.
Esta distinção, como as de Comendador das Ordens de Nossa Senhora da Conceição e de Isabel a Católica, juntou ao título de fidalgo da Casa Real, já usado por herança familiar.
Com vasto património, em imóveis urbanos na vila, a Casa do Barão, também tinha no concelho entre outras, as propriedades rústicas; Quintas de Santa Maria e S. José, Sesmarias, Pinhal dos Morros, Alagoa das Eiras, Corte doFreixo e Boca da Goiva, além das terras da Salema, no concelho de Benavente.
Casa agrícola, grande produtora de cereais, vinho e arroz, também era detentora de muito gado, vacum e ovino, fabricava: queijo fresco e seco.
Por volta de 1920, construiu em seus terrenos na rua do Calvário, uma grande adega, edifício que durou mesmo desactivado, até finais do século, dando o espaço origem a uma nova urbanização.
Árvore Genealógica da
Família Ferreira Roquette(A)
0 - Leon de La Roquette, natural de Paris, casado com Bárbara Dum, de nacionalidade Inglesa ?
1 - Claudé de La Roquette,
- Do 1 º Casamento c/ Catarina Manions, nasceram 3 Filhos
- Do 2º Casamento c/ Maria Garcia de Oliveira e Silva, nasceram 7 filhos:
João de Melo Pestana Travassos
* Recebeu, em 1745, o titulo de fidalguia em forma de Brasão Honorifico, em Carta de Armas, concedido a 3 de Junho, pelo rei D. João V
* 3º Avô do Primeiro Barão de Salvaterra
António de Carvalho Roquette Pestana, casou c/ Ritta Leone Barreto de Melo Pestana Travassos, Pai de:
Luiz Ferreira Roquette (de Melo Travassos) –
( N ? – F.1884 )
* 1º Barão de Salvaterra * Em 1770, recebeu do rei D. Luiz I, através do Dec. Lei de 29 de Agosto, o titulo de Barão de Salvaterra de Magos, que juntou aos já possuídos: de Fidalgo da Casa Real,recebido por herança * Comendador das Ordens de Nossa Senhora da Conceição e de Isabel a Católica. Foi presidente das Câmaras Municipais de Salvaterra de Magos e Benavente. * Casou Maria Isabel de Magalhães, que usou o titulo: Baronesa de Salvaterra.
José Ferreira Roquette (Faleceu 1914), Sucedeu a seu pai, na posse da casa e, do titulo de: 2º Barão de Salvaterra
Luiz Ferreira Roquette; (Engenheiro-Agrónomo), sucedeu a seu pai, na casa e no titulo Barão de Salvaterra * Foi presidente da Câmara do Concelho de Salvaterra de Magos, de 1933 a 1935 * faleceu em Julho de 1936
José Manoel Viana Ferreira Roquette;
Filho de João Ferreira Roquette, irmão do Luiz e do António Viana, recebeu o título de Barão de Salvaterra, por seu tio: Luiz Ferreira Roquette, não deixar descendência.
Dr. António Viana Ferreira Roquette; Sucedeu a seu irmão na administração da casa agrícola, foi presidente da Câmara de Salvaterra, em 1936/194
José Luís Seabra Ferreira Roquette
Presidente da Câmara de Salvaterra, em 1935/37, e 1954/1957
OUTROS MEMBROS DA FAMILIA ROQUETTE
JOSÉ LUIS DE BRITO SEABRA (*)
Filho de João Jacinto Seabra, (nascido em Agosto de 1799, em Valada, falecido em Salvaterra, 1845) e de Maria Joana Roquette da Silva e Brito, Natural de Benavente. Nasceu em Salvaterra de Magos, a 3 Agosto de 1845 e faleceu em Valada do Ribatejo, a 27 de Junho de 1893.
* Foi sócio fundador do Real Club Tauromáquico
A ORIGEM DA GENEALOGIA MONTE REAL
(Conde)
Titulo criado em 1907, através do decreto assinado pelo rei D. Carlos I, foi seu primeiro titular, Artur Porto de Melo e Faro, nascido no Rio de Janeiro (súbdito português), era filho de; José Dionísio de Melo e Faro e de D. Amélia Augusta da Silva Porto. Casou, o Conde de Monte real, com D. Laura Cardoso Diogo da Silva.
Dos três filhos nascidos; Jorge Cardoso Pereira da Silva de Melo e Faro, nasceu em 31.7.1916, foi o herdeiro do título, casou com D. Maria Teresa de Castro Pereira Guimarães.
Jorge de Melo Faro, aparece a titular bens e propriedades em Salvaterra de Magos, que recebeu de seu pai, que lhe passaram a pertencer por faltas cometidas no campo dos negócios, por um membro da família Brito Seabra.
O Solar, uma peça emblemática da Casa do II Conde Monte Real, em Salvaterra de Magos, tem a sua construção original no séc. XIX, pela família Brito Seabra.
A EXCELSA E NOBRE CASA CADAVAL DE MUGE
Sua Origem
Casa realenga, com brasão tem grandes pertences na vila de Muge, concelho de Salvaterra de Magos.
Esta nobre e excelsa família assume o seu legado genea - lógico a partir de D. Nuno Álvares Pereira de Melo, nascido em Évora (1), no dia 4 de Novembro de 1638 e Faleceu a 27 de Janeiro de 1727.
AS ARMAS
As armas de Cadaval, são as antigas da Casa de Bragança – Uma Aspa Vermelha em campo de prata e nela o escudo das quinas.
SENHORIO
O grande condestável do reino que foi senhor das terras de: Cadaval, Vila Nova de Anços, Álvaiazere, Rabaçal, Arega, Buarcos, Anobra, Carapito, Murtágua, Penacova, Vilalva, Vila Ruiva, Albergaria, Água de Peixes, Peral, Cercal, Póvoa, Santa Cristina, Tentugal, Muge, Noudar, Barrancos, etc. * Foi Alcaide-mor das vilas e castelos de Olivença, e de Alvor. * Comendador das comendas de: Santo Isidoro (vila de Eixo), Santo André de Morais, Santa Maria de Marmeleiro (1), S. Mateus, Sardoal, pertencentes à ordem de Cristo. Grandola, da ordem de S. Tiago.
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(1) - Alguns documentos dão-nos o seu nascimento em Cernache de Bonjardim e Flor da Rosa (Dic. História Portugal - Joel Serrão)
Foi Noudar, da ordem de Aviz. * Pertenceu aos conselhos de estado e da guerra, dos reis de D. Afonso VI, D. Pedro II e D. João V * Teve os cargos de Capitão - General da Cavalaria da Província da Estremadura. Governador das Armas de Setúbal e Cascais, entre outras cidades.
GENEALOGIA
D. Nuno Álvares Pereira, era filho do 3º Marquês de Ferreira e 4º Conde de Tentugal, dois títulos que sempre se mantiveram juntos com o de Cadaval.
Tendo a mesma varonia que a casa de Bragança, porque descende de D. Álvaro, 4º filho de D. Fernando – 2º Duque de Bragança e de sua mulher a Duquesa D. Joana de Castro, filha de D. João de Castro, senhor do Cadaval. * Na árvore genealógica que descende do ramo de D. Álvaro, para além dos títulos atrás referidos, também possuía em Espanha, os de Marqueses de Vilhescas, Condes de Gelves e Duques de Veragua. * Quando D. João IV, foi aclamado rei de Portugal, seus pais, os Marqueses de Ferreira, mudaram residência para Lisboa e D. Nuno Álvares Pereira, teve educação no paço real.
Três anos, após o nascimento, em 20 de Março de 1641, foram concedidos os títulos de Conde de Tentúgal, com retroactivos de validade ao dia em que nascera, acumulado com o de Alcoutim * Com apenas 10 anos de idade, o rei D. João IV, autargou-lhe o titulo de Duque de Cadaval, pela alegria do nascimento do Infante D. Pedro.
Aos 19 anos de idade, quis D. Nuno, tomar parte na guerra
do Alentejo, mas a rainha regente D. Luísa de Gusmão, proibiu-o de tal dislate, pois fazia falta na corte.* Mais tarde, em 1658, tentou novamente alistar-se no exército, o que lhe foi dada permissão, até porque a rainha tencionava nomeá-lo General de cavalaria.
Ao longo da sua vida, D. Nuno, exerceu altos cargos e desempenhou funções políticas de grande interesse para o interesse do país.
Tendo casado três vezes, destes matrimónios descenderam muitos filhos, alguns dos quais foram encaminhados para a vida religiosa, por serem ilegítimos.
OS TITULAR DA CASA CADAVAL
Foi 2º Duque de Cadaval, D. Luís Ambrósio de Melo, filho do primeiro duque; D. Nuno Álvares Pereira de Melo, e da sua terceira esposa, a princesa D. Margarida Armanda de Lorena.* 3º Duque de Cadaval, D. Jaime Álvares Pereira * 4º Duque de Cadaval, D. Caetano Álvares Pereira de Melo * 5º Duque de Cadaval, D. Miguel Caetano Álvares Pereira de Melo * 6º Duque de Cadaval, D. Nuno Caetano Álvares Pereira de Melo * 7º Duque de Cadaval, D. Jaime Caetano Álvares Pereira de Melo, que casou com D. Graziela Zilleri dal Verme, em 12 de Outubro de 1887 * Marquês de Cadaval, D. António Caetano Pereira de Melo, N. - 25.7.1894 * F. – 17.2.1939, casou com D. Olga Nicolis Di Robilan
Filhos:
D. Olga Alvares Pereira de Melo (Cadaval) e D. Graziela Álvares Pereira de Melo (Cadaval) – Condessa de Schonborn, pelo casamento com o Conde Schonborn Wiessetheid (Alemão).
O Condestável e o Santo
O Povo passou a chamar a D. Nuno Álvares Pereira, herói e santo, pela sua participação na guerra e na paz, com carinho e veneração, pois sendo figura mistificada, passados tantos séculos em que se despojou dos seus bens e recolheu ao convento, foi elevado a santo, pela Igreja Católica Apostólica e Romana, no dia 26 de Abril de 2009, numa cerimónia realizada em Roma.
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Nota: Extraído do Livro de Apontamentos Nº 45 da "Colecção: Recordar, Também é Reconstruir !!" do autor
JOSÉ GAMEIRO
Domingo, 29 de Março de 2009
O FONTANÁRIO NO LARGO DE S.SEBASTIÃO
O regime instituído após o 28 de Maio de 1926, fixou que os vereadores eram convidados pelo presidente da câmara, sendo este escolhido e convidado pelo governador civil do distrito, ficando assim constituído o executivo camarário.
Pessoas respeitadas nas freguesias, disponibilizavam-se a exercer aquele cargo a título gratuito. As obras necessárias, actividades culturais e desportivas, eram negociadas num sistema colegial, onde obter os maiores e melhores benefícios para as suas terras, dava origem “dar para receber”, sem que houvesse necessidade de intromissão nas pretensões de cada comunidade.

Tal inibição, preservava influências menos gratas às várias populações do concelho, até porque elas são possuidoras de uma raiz cultural própria. Além das opiniões técnicas da engenharia da época, os vereadores tinham a humildade de construir com o apoio do povo, ouvindo-o nas suas necessidades.
Veja-mos um exemplo;
Nos anos de 1933/35, Armindo Biscaía de Jesus (freguesia de Muge), Joaquim Pereira Marques (Marinhais), Alfredo Rodrigues da Piedade e Henrique Martins (Salvaterra de Magos), pertenciam ao executivo chefiado por Luiz Ferreira Roquette. Numa reunião da Câmara Municipal, os vereadores de Salvaterra, ao pretenderem a construção de dois fontanários, na sede do concelho, tiveram de ceder contrapartidas às outras freguesias. A negociação levou também à construção de uma fonte igual às de Salvaterra, na vila de Muge e, Marinhais foi contemplada com um furo artesiano. No lugar dos Foros de Salvaterra, foi construído um poço de água, em cimento, erguido no largo do Estanqueiro, local onde se fazia a praça do trabalho.
Foi ainda decidido que a vila de Muge, fosse dotada de algumas ruas com calçada.
As fontes em Salvaterra, começaram nesse ano e, foram construídas; no largo da Casa do Povo e largo São Sebastião, sendo seu artifice, o mestre pedreiro; Silvestre Palma, ajudado pelos seus filhos, estando entre os serventes o neto Luis Palma, na altura com 13 anos de idade.
Daquelas obras, com o abastecimento público domiciliário em Salvaterra, em 1951, apenas ficou a do Largo de S. Sebastião, seria para conservar um património, alusivo a uma época e, registar a obra dos homens que os tinham antecedido.
O tempo passou! 
A democracia instituída, após o 25 de Abril de 1974, trouxe uma nova constituição a Portugal, e deu lugar a eleições autárquicas em 1976. Os autarcas, têm agora outras competências e outros atributos. No Verão de 1999, o Fontanário que, é considerado património local, pela população de Salvaterra, pela sua singular construção, foi alvo de grave atentado, foi pintado de branco e amarelo. A responsabilidade coube à Divisão de Obras Municipais e Serviços Urbanísticos (DOMSU), chefiada pelo vereador, João Abrantes, oriundo da freguesia de Marinhais. Dá para pensar!!!
As obras em todo o concelho, especialmente as de conservação do património monumental e cultura,, puderam estar sujeitas ao critério do discernir de uma só pessoa !?
Que responsabilidades se podem exigir, para além do julgamento político ao fim de quatro anos de mandato. .Haverá outro!? Aqui fica o reparo para que conste!
Nota: A FANTASIA DAS LENDAS: À Fonte do Arneiro; Informações da autarquia, dão o nome: Fonte da Moura Encantada e, ao Fontanário do antigo Largo de S. Sebastião (1), é-lhe atribuído “Fonte dos Namorados” – Veja-se o B.M. Nº 3 do ano 1999 e, o actual blogue da Junta da Freguesia local.
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(1) – o antigo Largo de S. Sebastião, ficou limpo de entulho de um antigo Hospital, após o tarramoto de 1909 * Nele foi construído o Fontanário e um edifício escolar, ali passam as Av. José Luís Brito Seabra, António Ferreira Roquette e Dr. Roberto Ferreira Fonseca * Na foto: Luís Palma, antigo mestre-pedreiro, junto da fonte que ajudou a construir.
Nota: Extraído do Livro Nº 6 Fonte e Fontanários (Colecção: Recordar, Também é Reconstruir) - do Autor
JOSE GAMEIRO
DR. GREGÓRIO FERNANDES - HONRA AO MÉRITO!
O Dr. Gregório Fernandes nasceu em Salvaterra de Magos, no dia 4 de Janeiro de 1849, na casa onde se encontra uma lápida que, os salvaterrianos em preito de homenagem, ali mandaram colocar em 1913, para além de atribuirem o seu nome a uma rua.
Outras homenagens lhe foram feitas ao longo dos tempos, recordando este vulto da ciência que honrou Portugal. Em 1971, fruto de algumas canseiras, do então vereador da câmara de Salvaterra de Magos, José Teodoro Amaro, culminaram com o seu nome, dado á Escola Secundária, inaugurada naquele ano.
O Dr. Gregório Fernandes, muito jovem foi para Lisboa, onde fez os primeiros estudos no colégio de Santo Agostinho. Seguidamente no Porto fez os preparatórios na Academia Politécnica, voltando a Lisboa, para Escola Médica, onde concluiu o seu curso com grande brilho e distinção, defendendo tese no ano de 1873, tendo então 24 anos de idade.
Estudioso e inteligente, andou sempre na vanguarda da ciência médica praticada na época, publicou vários trabalhos, entre os quais, “A Patogenia da Febre Traumática, Glaucoma e Recessão do Joelho”.
Este último trabalho relatando uma intervenção altamente apreciada, pois foi ele o primeiro cirurgião a realizar em Portugal.
Mas o seu maior êxito foi alcançado em 1892, com uma extracção “Útero-o variana“ que, nunca até aquela data se tinha feito. Operação, que lhe mereceu os maiores louvores, tanto dos seus colegas portugueses, como do resto da ciência médica mundial, como então ficou escrita.
Semelhantes operações, feitas em Viana (Áustria), Paris e Londres, não lograram tão bons resultados. Este ilustre salvaterrense foi incontestavelmente um grande sábio e figura iluminada da cirurgia portuguesa, desempenhou o cargo de cirurgião extraordinário do hospital de S. José e, foi director da enfermaria de S. Francisco que, tem hoje o seu nome. Acumulou o cargo de delegado de Saúde de Lisboa e, o de presidente da Sociedade das Ciências Médicas. O Sanatório de Santa Ana (Parede/Oeiras), para 60 crianças afectadas pela tuberculose óssea, foi construído sob sua orientação.
Naquele edifício também foi construído um espaço para albergar 20 idosos. afectados por doenças cardiovasculares, bem como, igual número de camas para cancerosos.
A construção deste hospital sob a sua orientação, foi de harmonia com as prescrições testamenteiras da grande benemérita, a sua doente D. Amélia Biester.
No decorrer da construção recebeu grandes dissabores, mas acabou por ver realizada a obra consoante a vontade daquela ilustre senhora. Dotado de grande probidade de carácter moral, aliada a uma bondade sem limites, o Dr. Gregório Fernandes, a todos os a que a ele recorriam, sem distinção de classes, tratava com a maior solicitude, sem nunca olhar a retribuição.
Todos os seus conterrâneos, os pobres em especial, encontravam nele, sempre um amigo solícito e generoso. Todas as quintas-feiras, quando das folgas dos seus afazeres profissionais em Lisboa, vinha até Salvaterra, consultava-os graciosamente.
Muitos dos mais ilustres médicos da sua geração, como Sousa Martins, Boaventura Martins Pereira, Serrano, Bombarda e outros, lhe pediam conselho para os casos mais graves dos seus doentes. Este homem, modesto, sabedor e bom, faleceu aos 57 anos de idade, no dia 24 de Junho de 1906 na sua casa de Lisboa após, uma intervenção cirúrgica.
Gregório Fernandes, cidadão que, tão devotada e estoicamente serviu a sua pátria, é ainda o mais claro espelho de virtudes e, poderá apresentar-se aos nossos jovens estudantes, como modelo de sabedoria e trabalho. A ingratidão dos homens, especialmente daqueles aquém poderá ser um exemplo, na área dos estudos científicos, nos momentos em que têm o poder de decidir, retirassem o seu nome do edifício escolar que, um dia foi um emblema da determinação das gentes de Salvaterra de Magos.
Nota: Extraído do Livro Nº 8 Honra ao Mérito! - Colecção "Recordar, Tambèm é Reconstruir" do Autor
JOSÉ GAMEIRO
Sexta-feira, 20 de Março de 2009
O ÚLTIMO FRADE DE SALVATERRA !
Num dia de 1990, a meu pedido, o presidente da câmara municipal de Benavente oferceu-me a edição " O Convento de Jericó" (1). O Autor, deixou uma gama de escritos, onde abundam estudos sobre a vizinha vila de Benavente e, era seu desejo antes da sua morte, fazer uma história que reuni-se Salvaterra de Magos, grandes eram as afinidades históricas e culturais das duas povoações.

Em 1958, já lia os seus textos no extinto "Aurora do Ribatejo", pois era colaborador daquele semanário. Tal como fiz com Joaquim Correia, sobre a Falcoaria, também foi aprazado um encontro e estivemos nas ruínas do Convento de Jericó, onde fui apenas um curioso das suas pesquizas.
Em 1986, coube à câmara de Benavente, reunir todo o seu espólio sobre o Convento de Jericó e, publicá-lo. É um livro que convida o leitor mais desprevenido a folheá-lo de uma acentada tal é a quantidade de assuntos sobre a história daquele convento, erguido sob o patrocínio dos Frades Arrábidos, primeiramente em terras baixas, mas um segundo e último, na extrema com o concelho de Benavente, em sítio onde as cheias não chegavam.
Tem uma escrita de fácil entendimento, de grande descrição narrativa a par de desenhos que fez, a traço de lápis, que encantam.
O conteúdo da edição leva-nos ao periodo de 1542 - 1834, época da construção e da vida monástica do Infante D. Luiz, a par de muitos registos, entre os quais a identificação dos frades que ali habitaram. Nas poucas pedras tumulares, arrumadas a um canto, do que resta da capela, onde se venera S.Baco, ainda se pode ler os nomes de alguns frades que acharam por bem serem enterrados, no então cemitério daquele templo.
Uma curiosidade, sempre tive quanto alguns frades naturais de Salvaterra que viveram naquele templo religioso. Um deles "José de Souza" é descrito no livro a página 71, o seguinte:
"Pelo processo de inquirição não conseguimos saber o nome deste frade, averiguámos apenas que professou a 2 de Outubro de 1821. Mas julgamos conhecer o seu registo de óbito".
" Aos 31 dias do mês de Janeiro de 1878,às dez horas da manhã,numa casa sita na rua do Pinheiro, desta freguesia de S.Paulo da vila e concelho de Salvaterra de Magos, faleceu José Soriano de Souza,eclesiástico, presbytero, de idade de 78 anos, egresso da extinta província de Santa Maria da Arrábida, natural desta freguesia, onde era morador; filho de legitimo de Joaquim de Souza, lavrador; e de Dona Luiza Xavier de profissão doméstica, naturaes desta freguesia: o qual não fez testamento e foi seputado no cemitério público, desta vila"
" Por este registo somos levados a concluir que na Ordem teve o nome de Fr. José Soriano. Depois da extinção dos Conventos foi capelão da Misericórdia de Salvaterra. Com a morte de religioso deve ter desaparecido o último frade que foi do Convento de Jenicó".
Não satisfeito com a informação ali contida, levou-me ao registo civil da freguesia de Salvaterra de Magos, e solicitei uma certidão de nascimento e uma outra de óbito, só me foi facultada a última, através do registo nº 2045 de 20 de Abril de 1993, de que tenho o original e, paguei para a época 400$00.
A narrativa, do óbito é igual à que está transcrito acima e, da qual mostro em foto.
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(1) - Presidente da Câmara de Benavente - José António Ganhão * Autor do livro: Alfredo Betâmio de Almeida
JOSÉ GAMEIRO